Uruguai avança em seu projeto Receita Digital Nacional

A adoção da tecnologia atinge diferentes segmentos da saúde. Em toda a América Latina, os governos trabalham em diferentes iniciativas associadas à Telessaúde, que variam desde planos nacionais complexos ao desenvolvimentos de aplicativos próprios. Dentro desse universo está a criação do Planos de Receitas Digitais.

Nesse sentido, no Uruguai, a Sanidad Policial, Sanidad Militar, Banco de Seguros del Estado (BSE) e as dependências da Administración de los Servicios de Salud del Estado (ASSE) consolidaram seu desenvolvimento em ciência da computação médica, incorporando a prescrição digital nacional de receitas médicas em seus sistemas. Essas quatro organizações concluíram com êxito a conexão com a plataforma durante 2019.

Dessa forma, o Hospital Maciel da ASSE eliminou a entrega de prescrições de medicamentos não controlados feitas em papel para os pacientes, na primeira etapa para pacientes que compareceram ao serviço de emergência e depois expandiu essa funcionalidade para outras unidades. A Salud Policial começou a enviar registros de prescrição e distribuição para a plataforma, usando a codificação do Diccionario Nacional de Medicamentos y Afines.

Outra organização que aderiu a essa iniciativa foi a Sanidad Militar. Que passou a enviar os registros de distribuição de medicação além de planejar adotar a receita médica durante o primeiro semestre de 2020. A BSE envia registros de receita e está trabalhando para incorporar os registros de distribuição nos próximos meses.

Dessa forma, o sistema de saúde uruguaio apresentou avanços tecnológicos e funcionais significativos que terão repercussões positivas no desenvolvimento de cada um dos envolvidos. Além disso, se tornou um exemplo a ser seguido para as equipes de ciência da computação médica e as equipes de gerenciamento dos serviços públicos dos prestadores, bem como para o design final da plataforma nacional de Receita Digital.

A iniciativa Receta Digital Nacional tem como objetivo contribuir na melhora da qualidade do atendimento do sistema, criando uma base tecnológica, regulatória e organizacional apropriada para que a prescrição e a distribuição digital sejam implementadas em todo o território nacional. Com isso, busca-se que o usuário do Sistema Nacional Integrado  de Saúde  (SNIS) possa ter acesso à distribuição de medicamentos em qualquer farmácia credenciada ou comunitária que esteja habilitada. O programa visa que os habitantes possam ter acesso a seus medicamentos em todo o território nacional e independente do prestador de serviços de saúde onde receberam a receita.

Deve-se considerar que, devido à sua complexidade tecnológica e diversidade de atores envolvidos no ecossistema de saúde, o projeto requer múltiplas abordagens profissionais, bem como a participação de todas as organizações relacionadas à produção, distribuição e regulação de medicamentos no SNIS. Entre os setores envolvidos, a conectividade deve ser levada em consideração.

Em outras palavras, é preciso garantir que essas  unidades de saúde contem com conectividade adequada para poder implantar esse tipo de iniciativa. Para isso, tecnologias como LTE e 5G, levadas a cabo pela Antel no Uruguai durante o último ano, tornam-se uma ferramenta indispensável na implantação da Receita Digital Nacional.

No entanto, recomenda-se a criação de incentivos para que o restante dos atores presentes no mercado possam desenvolver tecnologias semelhantes. Em particular, acesso a uma quantia maior de espectro de rádio que proporcione um melhor desenvolvimento para essa tecnologia e a geração de uma agenda de licitações que permita que as operadoras tenham previsibilidade no mercado.

Como se vê, a iniciativa desenvolvida pelo governo uruguaio se converte em uma melhora na qualidade do acesso à saúde dos habitantes. Mas deve ser acompanhada por políticas que busquem aumentar a conectividade no mercado.