TIC como ferramenta de ajuda humanitária

# Cobertura EspecialMWC2021 – O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) se apresenta como uma alternativa para os governos melhorarem as condições de vida da sociedade, e são também uma ferramenta que ganha força a cada dia no trabalho conjunto das nações para promover ajuda humanitária às pessoas necessitadas.

Sobre este assunto o programa “Inovando para a ação humanitária” aconteceu no terceiro dia do Mobile World Congress 2021 em Barcelona, ​​Espanha. Mansoor Hamayun, cofundador e CEO da Bboxx; Paula Ingabire, Ministra de TIC e Inovação de Ruanda; Kenn Crossley, Coordenador Global de Transferência de Dinheiro do Programa Mundial de Alimentos e Aicha Toure, CEO da Mobile Finance for Orange no Mali com moderação de Kimberly Brown, chefe de Mobile for Humanitarian Innovation, GSMA.

Inicialmente Brown fez uma apresentação dos participantes, acompanhada de uma introdução sobre a situação dos refugiados devido aos desastres naturais ou crises sociais que necessitam de ajuda humanitária. Ele frisou que a expectativa é encerrar o ano com mais de 235 milhões de refugiados globalmente, o que representa um aumento de 40% em relação a 2020.

Nesse sentido, ele explicou que os serviços móveis se transformam em uma ferramenta para melhorar as condições dos assentados. Em particular no que diz respeito ao uso de serviços de movimentação financeira para agilizar a forma com a qual as pessoas possam ter acesso à ajuda humanitária. Nesse sentido, explicou que globalmente existem mais de um bilhão de contas de dinheiro móvel, que apresentam um grande potencial para que essa tecnologia chegue às pessoas afetadas.

Por coincidência, Kenn Crossley observou que o uso da digitalização, e em particular dos serviços móveis, é uma oportunidade eficaz de levar ajuda humanitária. Explicou que, pelas suas características, permite o acesso a um maior número de pessoas. Ele destacou que os diversos aplicativos móveis funcionam como uma forma eficaz de identificação das pessoas, o que agiliza o processo de atendimento. Neste sentido, apelou às autoridades mundiais para que criem condições regulatórias para aumentar a adoção deste tipo de serviços, que acabam por beneficiar os cidadãos em situações extremas.

A seguir, Toure deu uma visão geral do desenvolvimento do serviço de transferência de dinheiro executado pela Orange no Mali. Explicou que sua implementação acabou gerando um importante fator de inclusão para os habitantes daquele país, e teve o reconhecimento de instituições internacionais como a Cruz Vermelha, a OMS e o programa PAM das Nações Unidas, entre outras.

Na mesma linha, Hamayun aproveitou seu discurso para falar sobre os benefícios que sua empresa oferece ao levar serviços de energia elétrica para diferentes países da África. E destacou a importância da eletricidade para que este tipo de serviços possa ser realizado, bem como o feedback das TICs ao referir que, por exemplo, a IoT é essencial no seu modelo de negócio.

Em seguida, Ingabire enfatizou a importância das TIC para desenvolver diferentes setores de Ruanda, como educação, saúde e o setor produtivo. Nesse sentido, ele explicou que o trabalho conjunto com o setor privado e o desenvolvimento de políticas de estímulo ao crescimento tecnológico é fundamental.

Ele explicou que essas iniciativas regulatórias melhoram as oportunidades para os cidadãos tirarem proveito da tecnologia. Mas ele enfatizou a necessidade de realizar campanhas de educação para os moradores sobre os benefícios das TICs, bem como seu uso para melhorar as condições produtivas.

Em suma, o painel ministerial funcionou como uma primeira abordagem para as diferentes maneiras que as TICs oferecem ao promover ajuda humanitária. Contando com a visão de diferentes atores do setor e com foco principalmente nas tecnologias de carteira móvel para melhorar as condições de entrega desses benefícios.