SOBRATT visa formar uma rede de teletrabalho no Brasil

Um dos avanços que possibilita o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no mercado é o teletrabalho.  A alternativa de realizar trabalhos à distância, muitas vezes no próprio domicílio do empregado, potencializa-se a partir do desenvolvimento das novas tecnologias.

A sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividade (SOBRATT) ocupa-se de promover este tipo de atividade. Trata-se de uma sociedade civil sem fins lucrativos, fundada em 1999 e, desde então, tornou-se a única fonte autorizada sobre o tema no Brasil.

IMG_4240A SOBRATT tem como principais funções estudar, promover, difundir e desenvolver o teletrabalho e a Teleatividade no Brasil. Além de apoiar as iniciativas e associações que dedicam-se à estas atividades no país. Também busca tornar-se uma associação forte, que tenha capacidade de unificar os principais gestores na promoção deste conceito.

Sobre a realidade de teletrabalho no Brasil, o Brecha Zero entrevistou Alvaro Mello, Diretor de Relações Internacionais da SOBRATT:

Brecha Zero: O senhor poderia destacar quais são as principais contribuições da SOBRATT para o teletrabalho no Brasil?

Alvaro Mello: A SOBRATT influenciou na criação de leis e incentivos fiscais, tributários e de trabalho no âmbito municipal, estadual e federal, que permitiram a contribuição para o crescimento desta prática. Ainda assim, participa com apoio e tomada de decisões das organizações públicas e privadas em torno do teletrabalho.

Entre os serviços que a SOBRATT oferece para os seus associados, destaca-se o clipping de notícias da área. Além de encontros predefinidos sobre o tema com duração de duas horas, onde especialistas convidados participam de debates. Estes encontros são voltados para os sócios da organização e para faculdades ou instituições focadas na promoção do teletrabalho.

A organização também oferece oportunidades aos seus participantes para consultar a biblioteca do teletrabalho. Também oferece a possibilidade de trocar informações, acessando o próprio banco de dados do curriculum e oportunidades, além do acesso aos eventos promovidos pela SOBRATT.

Brecha Zero: Qual é a situação atual do teletrabalho no Brasil?

Alvaro Mello: No Brasil são usadas diferentes denominações para o teletrabalho, tais como home Office, trabalho à distância e trabalho virtual. Entre os precursores do teletrabalho no país, estão a pressão crescente das questões de mobilidade urbana, a necessidade permanente por produtividade, os recentes custos associados ao espaço físico, a busca de melhoria da qualidade de vida, a sensibilização para as questões ambientais e virtuais, a disponibilidade de tecnologia e a crescente virtualização das organizações no pais.

Brecha Zero: Quais são os benefícios gerados pelo teletrabalho para os setores econômicos do país?

Alvaro Mello: Do ponto de vista do trabalhador, melhora o ambiente, aumenta a produtividade e a qualidade. Além de melhorar a moral e a satisfação dos funcionários, gerando uma maior responsabilidade e independência, melhora a flexibilidade e reduz o estresse e os custos.

Se considerarmos do ponto de vista das empresas, reduz o espaço físico ocupado pelos colaboradores, assim como os gastos com transporte e alimentação. Permite melhorar a produtividade e aumenta a retenção dos talentos da organização. Assim como possibilita a redução de acidentes de trabalho e ausência. E por fim melhora o vínculo com os trabalhadores e a imagem institucional.

Brecha Zero: Quais benefícios gera o teletrabalho em termos sociais?

Alvaro Mello: Em termos gerais, a implementação de teletrabalho gera menor congestionamento no trânsito urbano. Além disso, reduz o consumo de combustível, uma menor emissão de gases contaminados. Também gera mais oportunidade de trabalho para pessoas com deficiência, e aumenta a oferta de trabalho para as áreas de difícil acesso, como as rurais.

Brecha Zero: Quais condições são necessárias para que o teletrabalho possa desenvolver-se em um mercado?

Alvaro Mello: Entre as condições ressalta-se a criação de uma rede de colaboradores públicos e privados que tenham influência no mundo do trabalho, incluindo entidades dedicadas à formação para o trabalho, motivação, produtividade, desenvolvimento tecnológico, condições físicas, humanas e psicológicas, legislativas e regulamentação de trabalho, entre outros assuntos. Também é importante fortalecer e formalizar os acordos com entidades internacionais ligadas ao teletrabalho. Assim como desenvolver propostas ou contribuições destinadas à formulação de políticas públicas voltadas para o local de trabalho atual e futuro.

Brecha Zero: Como influencia as tecnologias móveis na implementação do teletrabalho?

Alvaro Mello: É importante considerar que o teletrabalho deve ter à sua disposição outras tecnologias. Além de serem necessárias para a realização do trabalho, que também permitam manter o tratamento cotidiano com seus colegas. A comunicação deve manter-se, seja por meio das telecomunicações ou de forma presencial, sem limitações para melhorar a produtividade. Ainda assim, devem existir regras flexíveis e sempre negociáveis com a empresa, onde fique claro quem são os responsáveis pelo custo dos equipamentos e de funcionamento, bem como o tempo que será dedicado ao trabalho.   

Estas condições permitirão que, no futuro, no Brasil possamos trabalhar não somente em um escritório, mas em uma rede de ambientes de trabalho. Onde existirá uma grande variedade de possibilidades de locais de trabalho como em casa, na empresa, em um café, no escritório do cliente ou em um centro comunitário. Essa rede deverá permitir tanto a concentração como a interação social, o trabalho individual e em grupo.

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