O setor educativo, em particular o universitário, cumpre diferentes padrões no desenvolvimento de uma sociedade. Além da formação de futuros profissionais, e a geração de conhecimento cientifico, existe uma quantidade de iniciativas voltadas a melhorar as condições de vida da sociedade. Dentro destes projetos, encontram-se também aqueles destinados a estimular o desenvolvimento de empreendedores.

Neste sentido, no Peru, a Universidade Peruana Cayetano Heredia desenvolveu o programa Bioincuba, cuja finalidade é apoiar mais de 70 startups com alto potencial de crescimento. O projeto que busca potencializar as oportunidades dos empreendedores desde 2014, conta com o financiamento do programa “InnóvatePerú”.

A iniciativa está voltada para startups de base tecnológicas com alto potencial no mercado nacional e internacional. Em particular, aquelas que estão relacionadas com saúde, biotecnologia e agricultura. As iniciativas dos empreendedores são avaliadas por mais de 20 profissionais que provém de diferentes áreas de conhecimento; assim, a instituição educativa ampliou a rede de colaboração a nível nacional e internacional.

A Universidade Peruana Cayetano Heredia, fundada em 1961, está ligada ao desenvolvimento da medicina e da pesquisa em ciências no Peru. Em 1967, a criação do Hospital Nacional Cayetano Heredia institucionalizou a colaboração permanente entre a UPCH e o Ministério de Saúde, permitindo um desenvolvimento conjunto no setor. Em 2006, a Universidade converteu-se na primeira do Peru a receber uma acreditação internacional, que foi renovada em 2010 com menção em pesquisa.

O projeto conta com uma entidade de suporte que integra a universidade ibero-americana de incubação RedEmprendia. Também possui alianças com a rede de incubadoras da Aliança do Pacífico, Acelera AP, entre outras. Desta maneira, busca alcançar um dos principais objetivos de Bioincuba: que seja autossustentável em tempo, para assim poder implementar os processos de melhoria que permitem aos empreendedores estar mais capacitados e acessar fundos maiores nacionais e internacionais.

Assim, o projeto tem como objetivo fortalecer o ecossistema de inovação e empreendimento do país. Para isto, busca por meio da iniciativa gerar um trabalho dinâmico e comprometido para potencializar os participantes, melhorando assim suas opções de sucesso e desenvolvimento tanto a nível nacional como internacional.

Os projetos que foram incubados em Bioincuba pertencem a mais de 70 startups de diferentes cidades peruanas (Lima, La Libertad, Loreto, Cajamarca, Lambayeque, Ica, Apurímac e Puno). Entre elas, destacam-se algumas como Doktuz: um aplicativo para web e móvel no qual os pacientes podem acessar a informação sobre especialistas, solicitar atenção médica a domicilio e realizar teleconsultas, entre outros aspectos.

Outro dos exemplos destacados é o Bioconvertin, que emprega a biotecnologia para produzir farinha de larvas a partir de resíduos orgânicos, melhorando assim a alimentação de peixes e animais de criação. Além dessas duas experiências, outras iniciativas foram apoiadas, como é o caso do Savia Espargos, NJuz, Karin Ecofish e Alitest.

No total, para o primeiro trimestre de 2018, por meio do Innóvate Peru confinaram 19 incubadoras e aceleradoras de negócios. Assim, facilitam-se as condições para que estes empreendedores se desenvolvam em um ambiente favorável para o crescimento. Ainda que para projetos deste tipo tenham um desenvolvimento positivo no mercado, é necessário que existam outros esforços por parte das autoridades no que diz respeito à conectividade.

A possibilidade de que as startups relacionadas com a Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) tendem a melhorar as condições de vida dos habitantes tenha um desempenho efetivo depende das opções da população em estar conectada. Em outras palavras, a criação de uma massa critica de usuários é uma condição fundamental para que estes projetos possam ser realizados.

Neste sentido, é necessário que as autoridades do Peru realizem os esforços necessários para aumentar a conectividade no mercado, em particular aquela relacionada com a banda larga móvel. Para isto, é necessário que se coloquem à disposição da indústria de telecomunicações sem fio uma maior quantidade de espectro radioelétrico, incentivando dessa forma a adoção das operadoras de novas tecnologias.

Da mesma forma, é importante que se reduzam as travas burocráticas no momento de desenvolvimento de redes de telecomunicações. A possibilidade de planejar a construção da cobertura de um novo serviço é essencial para as operadoras, que dessa forma pode realizar de maneira ordenada seus desenvolvimentos aumentando, assim, a eficiência.

Por sua vez, deve-se considerar a redução imposta tanto para os componentes de redes de telecomunicações, como para os dispositivos de acesso. No primeiro dos casos, trata-se de uma politica que facilita o desenvolvimento de redes; enquanto que a segunda estratégia possibilita aumentar o acesso na população. Este ultimo ponto é necessário, já que a maior acessibilidade dos terminais permite uma maior quantidade de cidadãos conectados, melhorando a possibilidade dos empreendedores.

Em resumo, a criação de incubadoras de startups apresenta-se como uma iniciativa importante, particularmente quando potencializam o uso das TIC para melhorar diferentes setores de cada país. No entanto, é importante que estejam acompanhadas por estratégias das autoridades para que potencializem a conectividade no mercado e colaborem no alcance de um maior sucesso.