Projeto de inovação tecnológica no Brasil identifica crianças autistas nas escolas

A escola é o primeiro elo de ligação do cidadão com o Estado, além de educação ela também garante o acesso a outros direitos. É possível também identificar as diferentes necessidades dos alunos dentro do âmbito escolar o que permite uma maior agilidade de ação por parte do poder público.

Nesse sentido, foi implantado um projeto inovador no Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, que permite a identificação de crianças autistas e superdotadas em escolas, por meio da neurociência e de inteligência artificial. A iniciativa foi apresentada por Leandro Mattos, cientista empreendedor, professor da Universidade da Singularidade do Brasil e HSM da Universidade, que atualmente faz mestrado em neuroengenharia no Instituto Santos Dumont, em Macaíba.

A ferramenta é da startup CogniSigns, empresa de educação e tecnologia criada em conjunto com a neuropsicóloga Andressa Roveda, de Florianópolis. A empresa está presente no Brasil, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos e em breve também em países europeus.

A iniciativa permite um diagnóstico rápido do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) em jovens. É importante ressaltar que muitas vezes, por falta de conhecimento ou acesso a consultas adequadas, as famílias não têm informações ou contexto suficientes sobre o TEA.

De acordo com as estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU), entre 1% e 2% da população está inserida no TEA, no Brasil, esse número está estimado entre dois a quatro milhões de pessoas, mas apenas 1% delas têm diagnóstico.

A partir do uso da inteligência artificial, um mapa da população pode ser criado, em tempo real, para identificar as regiões que devem ser priorizadas com políticas públicas. Tanto para a comunidade autista quanto para alunos considerados superdotados.

Para a realização do projeto, foi lançado o VERA (Virtual Empathic Robotic Assistant), um produto desenvolvido pela empresa que identifica, de forma escalável e adequada, pessoas com TEA e com alto potencial, utilizando tablets, computadores ou telefones celulares.

Usando neurociência e inteligência artificial, o produto oferece suporte à comunidade escolar com tecnologia e treinamento de última geração. O sistema faz perguntas (protocolos utilizados para diagnóstico), possui rastreamento óptico do comportamento da pessoa analisada e emite um alerta, caso seja identificada, aos responsáveis.

Por meio dessa iniciativa, as autoridades podem avançar em um processo conjunto que envolve educação e saúde mental. No entanto, é importante que seja acompanhado de programas que incentivem o acesso à banda larga para escolas, professores e alunos. Neste sentido, é importante que as autoridades trabalhem no desenvolvimento de tecnologias como a banda larga móvel, que por suas características levam acesso às zonas rurais e distantes dos grandes centros urbanos.

Nesse sentido, o desenvolvimento da LTE, ou 5G, possibilitará a prestação de serviços de banda larga robustos e de alta velocidade. Para estimular esses investimentos, é importante que as autoridades disponibilizem porções maiores do espectro de radiofrequências às operadoras de telecomunicações. Bem como a geração de uma agenda onde sejam destacados as futuras licitações de espectro, para que as operadoras possam planejar de forma mais eficaz a instalação de novas redes.

Em suma, a iniciativa desenvolvida pelas autoridades do Rio Grande do Norte é muito importante para avançar na identificação de alunos com TEA e de alto potencial. No entanto, deve ser acompanhada por políticas que busquem aumentar o acesso à banda larga móvel para ser mais eficaz.