Programa Atende em Casa é premiado pela Associação Brasileira de Saúde

Entre os diversos setores que fazem parte da digitalização, a saúde representa uma parte importante. A inclusão de mais tecnologia nos processos sanitários permite melhorar o atendimento à população em direção à universalização do setor, meta que a maioria dos países latino-americanos busca alcançar.

Nesse sentido, o Governo de Pernambuco em associação com a Prefeitura de Recife executou o programa Atende em Casa. O projeto foi premiado pelo congresso virtual da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). A ferramenta online foi lançada em março de 2020, quando teve início a pandemia de Covid-19 em Pernambuco, com o objetivo de orientar usuários com sintomas semelhantes aos da gripe.

Durante o ano passado, a ferramenta conquistou mais de 206.700 usuários registrados. Mais de 30.000 pessoas foram encaminhadas para a unidade de saúde mais próxima de sua residência e cerca de 72.000 aconselhados a se manterem em isolamento domiciliar, além do atendimento a cerca de 7.000 pessoas que precisaram de apoio emocional.

O objetivo do serviço é oferecer assistência aos usuários relacionadas aos serviços de saúde prestados pelo estado, por meio de teleorientação, telemonitoramento e teleacompanhamento. No primeiro ano de operação, foram observados resultados promissores, principalmente no quesito acesso a informações adequadas e atendimento oportuno.

A iniciativa Atende em Casa desempenhou um papel proeminente no teleatendimento, além do apoio ao cidadão, mas também desempenhou um papel na gestão dos profissionais de trabalho do setor, visto que foi possível realocar profissionais de saúde que se encontravam afastados por fazerem parte do grupo de risco, para atenderem essa nova modalidade.

A implantação iniciada em março de 2020 abrangeu 178 municípios pernambucanos, o que equivale a 96,22% dos municípios do Estado, oferecendo cobertura para mais de 9,4 milhões de cidadãos (98,59% da população total do Estado). O usuário pode acessar o serviço por meio de uma página da web ou de um aplicativo baixado no smartphone.

Após o cadastro das informações essenciais, o usuário acessa o aplicativo e é direcionado a um questionário que permite avaliar inicialmente o quadro de saúde a partir de perguntas sobre seus sintomas. Em um segundo momento, o risco é classificado por meio do próprio sistema, no qual o usuário recebe as orientações necessárias à sua situação e, conforme o caso, é encaminhado para uma orientação remota com um profissional.

A teleorientação busca acolher o usuário durante a enfermidade, busca confirmar as condições e sintomas referidos no questionário além de orientar sobre os cuidados necessários para cada classificação de risco. O aplicativo conta ainda com um serviço de apoio emocional para a população que pode apresentar problemas emocionais em decorrência do isolamento social.

Mais de 100 profissionais de saúde foram capacitados pelas autoridades, a Secretaria de Saúde do Estado ficou responsável pela coordenação do atendimento fora de Recife. Os profissionais recebem orientações sobre o uso do aplicativo, dos protocolos clínicos relacionados à Covid-19 e do fluxo de atendimento nas unidades de saúde.

Para que essa iniciativa tenha sucesso, é importante que as autoridades pernambucanas busquem ampliar o acesso à banda larga no mercado, principalmente os serviços móveis que, por suas características, podem abranger uma parcela maior da população. Em particular, tecnologias como a LTE e 5G, que devido às suas características são fundamentais para políticas de inclusão.

Nesse sentido, é importante que porções maiores do espectro radioelétrico sejam disponibilizadas às operadoras de telecomunicações. Bem como a geração de uma agenda para futuras licitações que permita à indústria planejar com eficiência o desenvolvimento de suas redes.

Como se vê, a iniciativa do governo de Pernambuco é muito importante para avançar na digitalização da saúde. No entanto, precisa do apoio de outras políticas que visem aumentar o acesso à banda larga no mercado.