Primeiro Dia do WTS 2024 é marcado com temas sobre Inclusão digital e ética em Inteligência Artificial

Cobertura Especial – O primeiro dia da 5ª edição do Wireless Technology Summit (WTS) proporcionou um espaço para intervenções de especialistas de diferentes regiões da América Latina e do Caribe para contextualizar temas como: conectividade, Inteligência Artificial, digitalização em mercados, alocação de espectro, segurança cibernética, internet fixa sem fio, entre outros.

Participaram quatro palestrantes que fazem parte dos principais reguladores da região, além de contar com um painel com quatro especialistas, e outros seis palestrantes de alto nível. Neste dia, foi traçado um panorama sobre a inclusão de tecnologias em cada um dos setores, o fim da exclusão digital e a Inteligência Artificial (IA). Uma constante entre as apresentações é a importância da formação em competências digitais, o que ajuda a diminuir a lacuna. Foi destacada a necessidade de desenvolver programas de formação para pessoas sem recursos, ensinando o básico aos idosos e outros setores que não nasceram ou cresceram com um aparelho em mãos, sem deixar de lado a conexão em áreas rurais e remotas. A ética na IA foi enfatizada pelos especialistas dada a importância da gestão desta tecnologia, uma vez que ela não possui empatia, consciência ou ética por si só.(Acesse o evento aqui)

Abaixo está um resumo das apresentações do dia 1:

·       Carlos Baigorri, Presidente de ANATEL, Brasil  

A importância da evolução tecnológica e o futuro das redes e aplicações no Brasil exigirão, no curto prazo, um nível de preparo que adapte as políticas públicas para garantir o provimento dos serviços de Telecomunicações, sem qualquer interrupção. Isto auxiliará reduzindo as barreiras de mercado à competitividade, criando incentivos regulatórios para investimentos futuros. O Brasil possui, atualmente, uma quantidade de redes de fibra óptica que propicia o surgimento de novas tecnologias, como é o caso da Inteligência Artificial. Que, por sua vez, será utilizada em datas centers, proporcionando uma redução de latência e melhorando a experiência do usuário. (Vídeo completo)

·       Julissa Cruz, Diretora Executiva da Indotel,República Dominicana

O papel do governo na expansão das telecomunicações nos diferentes setores é de extrema importância, pois é um trabalho constante que procura desenvolver competências digitais para que as tecnologias possam ser utilizadas de forma produtiva, promovendo por sua vez o desenvolvimento econômico e social. A regulamentação da Inteligência Artificial (IA) na República Dominicana visa transformar o país num Hub regional, contribuindo para diminuir a lacuna de utilização produtiva para que o país entre na Quarta Revolução Industrial. Conseguir converter a gestão pública do governo inteligente em um Data Hub que desenvolva uma infraestrutura tecnológica que contribua para o avanço do processamento, armazenamento e análise de dados no campo da IA, e assim ser um provedor de serviços de dados para a América Latina e o Caribe. Também o Hub de Talento Humano e Inovação que contará com pesquisadores, desenvolvedores, acadêmicos e cientistas, incubadoras e aceleradoras de startups, universidades e centros de pesquisa, empresas de tecnologia e empresas de diversos setores para promover o desenvolvimento dos talentos locais. (Vídeo completo)

·       Claudio Araya, Subsecretário da SUBTEL, Chile

O governo está fazendo um esforço gigantesco que vem de mãos dadas com a eliminação das diferentes barreiras de acesso à nova sociedade digital. Com o seu Plano Brecha Digital Zero, procura garantir que todos os habitantes do país tenham acesso à nova sociedade digital, independentemente do local onde vivam ou das possibilidades econômicas que tenham. Em 2020 foi realizado o primeiro concurso para alocação de espectro para 5G, a meta era cobrir 90% do território populacional, até agora houve um progresso de 86% e, espera-se alcançar a meta até ao final de 2024. Com a 5G espera-se melhorar a eficiência produtiva. (Vídeo completo)

·       Mercedes Aramendía, Presidente da URSEC, Uruguai

Para promover a conectividade é importante ter uma visão completa da regulação, o que requer modernização para o desenvolvimento sustentável do setor. A neutralidade tecnológica e neutralidade da rede são fundamentais para o desenvolvimento e a prestação de serviços de telecomunicações. A regulamentação disto é complexa, são necessários incentivos e flexibilidade. Concorrência, partilha de recursos, custos razoáveis ​​do espectro, abordagem da neutralidade tecnológica da rede, direitos dos consumidores, cibersegurança. Estes são alguns dos desafios da indústria das telecomunicações que devem ser enfrentados para atingir os objetivos e diminuir as lacunas existentes. (Vídeo completo)

·       Painel “Elementos-chave para a conectividade no século 21”. Moderadora, Andrea Catalano, editora-chefe da Telesemana, Argentina. Participantes do painel: Nannette Martinez, CEO Onboard Cyber, Porto Rico; Vianna Maino, consultora de telecomunicações e políticas públicas, Venezuela; e Diana Celis, Diretora da DCM Consulting, Colômbia.

Um terço da população da América Latina ainda não está conectada. Os dados mostram o abismo tecnológico que separa alguns países de outros, apesar de as redes 3G e 4G, enquanto se aguarda a expansão massiva da 5G, estarem presentes agora em quase todos os cantos do planeta. Neste ponto é importante esclarecer as diferenças entre o acesso à Internet e a alfabetização digital, ou seja, o processo de aprendizagem que permite que uma pessoa adquira competências para compreender e tirar partido do potencial educativo, econômico e social das novas tecnologias.

O trabalho das operadoras é importante, e como atores principais estão se reconfigurando em um contexto onde é cada vez mais difícil gerar novos rendimentos. À medida que a tecnologia 5G chega e cresce em cobertura, o fosso rural aumenta, o que gera uma incapacidade contínua de igualar os padrões de qualidade de vida, serviços e oportunidades aos ambientes urbanos, em áreas da educação e da saúde, que são notavelmente afetadas.

O avanço tecnológico acelerado deixa lacunas na cultura e na cidadania digital, pois não se trata apenas de ter tecnologia disponível, mas também de saber utilizá-la, criando consciência sobre os controles de cibersegurança. A ética da IA ​​depende da importância de formar pessoas, mitigando os riscos que ela traz sem restringir os direitos dos usuários. (Vídeo completo)

·       Alejandro Prince, Diretor Prince Consulting, Argentina

A COVID e a Inteligência Artificial (IA) provocaram um ponto divergente que pode nos levar a um período de conhecimento revolucionário ou também a um colapso total ou parcial do mundo. Não é a mudança regulatória que permite mudança tecnológica, não deve ser acelerada e legislada como se soubéssemos o futuro onisciente há 10 anos, fingindo que o desenvolvimento depende da regulação, quando ela é parte do processo. Sempre haverá o trilema “Liberdade-Segurança-Privacidade” quando se fala sobre legislação ou regulamentações tecnológicas; maximizar todos os três por enquanto será improvável. (Vídeo completo)

·       Geusseppe González, Chefe da Parceria de Acesso da América Latina, Colômbia

A política pública dos diferentes governos deve identificar as áreas de não cobertura nas áreas rurais, deve também estar atenta às necessidades de capacidade de tráfego, para tornar sustentáveis ​​os investimentos almejados com inclusão digital. E deve haver imposição de obrigações de expansão de cobertura como parte do pagamento do espectro dos sistemas de telecomunicações móveis internacionais (IMT). O caso da Colômbia e do Brasil, que forneceram soluções de conectividade nas diferentes regiões, são notáveis e devem ser tomados como exemplo. É necessário revisar os marcos regulatórios, identificar as capacidades computacionais, a transparência algorítmica e os modelos de simulação gerenciados, entre outros. (Vídeo completo)

·       Virginia Nakagawa, sócia sênior da Nakagawa Regulatory Consultants, Peru

Devido ao aumento das ameaças cibernéticas, é necessário que sejam geradas novas medidas de segurança nas redes de telecomunicações para proteger a integridade e confidencialidade dos dados dos utilizadores, sejam eles pessoas singulares ou coletivas. No entanto, a conectividade deve ser uma prioridade para os governos, razão pela qual no Peru o Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) e a PROINVERSIÓN assinaram um acordo para promover a operação definitiva da Rede Backbone de Fibra Óptica e das Redes de Transporte de Projetos Regionais para fornecer acesso à banda larga para milhões de peruanos. Sem reorganizar as frequências que já tinham sido atribuídas aos atuais operadores, ainda não esteja claro como será garantida a continuidade das frequências para a tecnologia 5G, mas continuam a ser feitos esforços para diminuir a exclusão digital. (Vídeo completo)

·       Ernesto Piedras, CEO e Diretor Geral The CIU, México

A penetração móvel no México representou 111% da população, composta principalmente por e-commerce, jogos online e streaming de vídeo (SVOD), esse número teve um grande aumento após a pandemia. Há 10 anos só existia Netflix, enquanto hoje existe uma enorme diversidade de ofertas de streaming e plataformas de entretenimento. Entre as investigações está que 50% dos mexicanos possuem este serviço, 28% possuem duas plataformas e 22% possuem 3 ou mais. No mercado de videogames no México são utilizadas 139 milhões de linhas ativas de dispositivos, seguidas pelo uso de consoles de videogame em 4,8 milhões de lares e de computadores em 13,4 milhões de lares. (Vídeo completo)

·       Omar de León, Consultor Principal da Teleconsult, Uruguai

Edge Computing é um tipo de arquitetura de Tecnologia da Informação (TI) que permite que empresas e organizações obtenham serviços confiáveis ​​e seguros de seus aplicativos e soluções de Cloud Computing e os distribuam em vários locais. Os custos excessivos no uso da edge computing foram analisados. Por exemplo, há um estudo do Gartner que diz que pode haver um custo extra de até 70% quando se trata do uso da nuvem, na América Latina observamos a evolução da edge computing, vemos que a localização das bordas das empresas do setor estão em cidades como São Paulo, Buenos Aires, Lima, Querétaro e Bogotá, a edge computing está gerando uma enorme quantidade de dados. É por isso que já existe uma Política de Segurança de Conteúdo (CSP) preparada para disponibilizar esta tecnologia aproveitando uma infraestrutura própria. (Vídeo completo)

·       Patricio Boric, Diretor da Zagreb Consultants, Chile

A Inteligência Artificial nas telecomunicações está repleta de paradigmas. Alguns estudos afirmam que a IA poderá substituir até um bilhão de empregos em todo o mundo na próxima década, embora também possa criar 97 milhões de novos empregos até 2025. Todavia, os desafios para o setor das telecomunicações com esta tecnologia estão distribuídos em: Sistemas que possam tomar decisões de forma autônoma, IA confiável, distribuída e descentralizada, realização de  simulações em escala industrial. A Declaração sobre IA foi assinada por 20 países da região em outubro de 2023, durante a Cúpula Ministerial organizada pela CAF, UNESCO e Governo do Chile, para promover o uso da IA ética na América Latina e no Caribe. (Vídeo completo)