Políticas públicas flexíveis essenciais para ampliar a digitalização na pós-pandemia

#CoberturaEspecialMWC2021 – O desenrolar da pandemia de Covid-19 obrigou diversos países a acelerarem seu trabalho de digitalização da sociedade e da economia. As políticas de confinamento forçaram o rápido desenvolvimento de diferentes sistemas de teleducação, telessaúde e teletrabalho para manter a sociedade funcionando e, ao mesmo tempo, minimizar o número de transmissões.

Sobre essas questões, a preparação do mundo para a pós-pandemia foi discutida durante o programa ministerial de “Políticas Pós-Covid que moldam a Indústria 4.0” no Mobile World Congress 2021. A reunião contou com a presença de Houlin Zhao, Secretário-Geral, da UIT; John Giusti, diretor de regulamentação da GSMA; Thierry Breton, Comissário para o Mercado Interno e Serviços da Comissão Europeia; Joakim Reiter, diretor de assuntos externos do Grupo Vodafone; SE Nadia Calviño, Segunda Vice-Presidente e Ministra de Assuntos Econômicos e Transformação Digital do Governo da Espanha e Félix Gregory Chang Calvache, Vice-Ministro de TIC do Equador. A sessão foi moderada por Lucas Gallito, Chefe da Região (em exercício) e Diretor de Políticas Públicas da GSMA América Latina.

No início do encontro, Gallitto destacou que as empresas usam a digitalização para garantir a perenidade de seus negócios. Bem como para oferecer novos serviços. Ele enfatizou a evolução da digitalização durante a pandemia, a promoção de diferentes negócios relacionados ao comércio eletrônico, e como saúde digital e conteúdo online tiveram grandes avanços. Ele então levantou a questão de quais medidas devem ser tomadas para melhorar a digitalização nos mercados assim que a pandemia passar para que os mercados estejam preparados para a recuperação econômica.

Em primeiro lugar, John Giusti voltou à visão da importância que as tecnologias digitais tiveram durante o desenrolar da pandemia. Salientou que apesar do ambiente desfavorável no mundo, a 5G está mais ativa do que nunca nos serviços móveis e fixos. E afirmou a necessidade de implantar políticas para expandir a conectividade no médio e curto prazo.

Em seguida, Joakim Reiter observou que estamos enfrentando uma nova era com digitalização cada vez mais disruptiva. Para isso, ele incentivou a geração de regulamentações mais flexíveis que permitam ao setor desenvolver novos negócios. Entre eles, ele estabeleceu claramente que a 5G não deve ser vista pelos reguladores como uma panaceia de arrecadação, mas que as políticas devem buscar incentivar os investimentos. Para isso, ele destacou a necessidade de estimular a colaboração pública e privada para aprimorar a implantação da 5G.

Por sua vez, Félix Chang comentou que durante a pandemia o Equador trabalhou arduamente em suas bases para promover a digitalização. Entre outros setores, trabalhou-se na promoção da Telemedicina, Teletrabalho e Teleducação a partir de um esforço conjunto com a indústria de telecomunicações daquele país. Ele também explicou que o plano de transformação digital foi consolidado.

Por sua vez, Houlin Zhao destacou que os serviços móveis contribuem para o desenvolvimento dos países e um exemplo disso é a 5G. No entanto, ele lembrou da necessidade de uma maior quantidade de espectro para que essas redes possam ser desenvolvidas de forma eficiente nos diferentes países, estimulando os investimentos da indústria. Em consonância com isso, Thierry Breton destacou que a transformação digital é essencial para aumentar a resiliência dos países que enfrentam a pandemia.

No encerramento, Nadia Calviño concordou com a visão geral de que durante a pandemia ocorreu uma digitalização acelerada e que os processos de transformação digital são essenciais para aumentar a inclusão social. Explicou que setores como agricultura, saúde e indústria receberão apoio do Estado para aumentar a digitalização de seus processos produtivos, embora tenha destacado que é fundamental que as pessoas estejam no centro dessa transformação.

Em linhas gerais, o painel destacou a importância da digitalização diante dos novos desafios que o mundo enfrenta, lembrando da necessidade de se criar um ambiente regulatório que busque promover os investimentos nos países. A discussão foi aberta para estimular as autoridades dos países a melhorar essas condições para não perderem o embalo da digitalização.