Um dos pontos importantes no momento de levar adiante políticas inclusivas de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) é a realização de diferentes questionários e sondagens de pesquisas destinadas a avaliar a efetividade deste tipo de iniciativa. Neste sentido, o Brasil conta com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que realiza periodicamente diferentes pesquisas com foco no uso das TIC no mercado.

Foto_Fabio SennePara conhecer mais sobre a utilidade deste órgão, o Brecha Zero conversou com Fabio Senne, coordenador de projetos e pesquisas do CETIC.br. Senne é mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília (UNB) e graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP). Como pesquisador, tem interesse nas áreas de comunicação e políticas públicas, principalmente em questões como a comunicação como ferramenta de controle social dos governos, o papel das tecnologias da informação e da comunicação para a sociedade civil. Também foi um dos responsáveis técnicos por análises de meios temáticos realizados pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). E, por fim, colaborou com o Núcleo de Estudos sobre Meios e Política (NEMP) da UNB.

Sobre o desempenho e a utilidade do CETIC.br, Senne comentou:

Brecha Zero: Qual a função do CETIC.br?

Fabio Senne: Com a missão de monitorar a adoção de tecnologias da informação e comunicação (TIC) – em particular, o acesso e uso de computadores, Internet e dispositivos móveis – foi criado, em 2005, o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br).

Brecha Zero: Quem o criou?

Fabio Senne: Em uma perspectiva histórica, a pesquisa TIC de Domicílios é fruto do compromisso do Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI) e do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (NIC.br) com a produção, organização e disseminação de informações sobre os serviços de Internet por meio de indicadores e estatísticas. A pesquisa TIC Domicílios foi o primeiro estudo realizado no Brasil, teve origem em um acordo realizado em 2005 entre o CGI e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a inclusão do primeiro módulo de TIC na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad), dando origem à primeira geração de estatísticas TIC no país.

A partir deste acordo de sucesso, o CGI.br identificou a necessidade de aprofundar a pesquisa sobre o impacto da rede em temas específicos, como o governo eletrônico, comércio eletrônico, barreiras para o acesso para o uso, habilidades, segurança entre outros. Assim, o NIC.br, braço executivo na implantação das decisões do CGI.br passou a destinar recursos anuais para a condução das primeiras pesquisas nacionais dedicadas integralmente ao tema TIC.

Brecha Zero: É possível replicar um modelo como o do CETIC.br em outros mercados da região? Quais fatores considera necessário?

Fabio Senne: Em 2012, o governo do Brasil firmou um acordo pioneiro com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Por esse meio, foi estabelecido no país o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação sobre as previsões da UNESCO, hospedado pelo NIC.br. Estre é o primeiro centro de estudos da UNESCO sobre a sociedade da informação.

Como parte da missão do CETIC.br enquanto o centro da UNESCO está na disseminação desse modelo em outros países da região. O processo de investigação da CETIC.br é estruturado de forma multi-participativa, contando com mais de 200 especialistas da Universidade, organizações sem fins lucrativos e de governo, que colaboram voluntariamente com a definição metodológica e o processo de análise dos resultados das investigações.

Brecha Zero: Qual é a importância da realização de pesquisas destinadas ao uso das TIC? Quais benefícios essas pesquisas podem gerar para a sociedade da informação?

Fabio Senne: A série histórica construída ao longo de dez anos pela pesquisa TIC Domicílios vem permitindo compreender com maior clareza a agenda política e o debate em torno da inclusão digital no país, sobretudo no que se refere aos resultados das políticas públicas e dos programas de desenvolvimento sócio econômico baseados na expansão do uso das TIC nos mais diversos setores da sociedade.

A formulação e avaliação de políticas importantes, como o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e da política Tele Centro teve como referência os dados produzidos pelo CETIC.br.

Brecha Zero: Quais vantagens essas estatísticas podem trazer para o governo e também para o setor privado?

Fabio Senne: No campo dos gestores públicos, estes relatórios são uma contribuição importante para o desenvolvimento e monitoramento de políticas públicas de inclusão digital. Na área dos pesquisadores acadêmicos, os dados são cada vez mais importante nas pesquisas que tratam de impactos socioeconômicos das TIC na sociedade brasileira e para a construção do conhecimento científico sobre o tema. Já no campo da sociedade civil e do setor privado, os dados permitem a avaliação das tendências e acompanhamento do mercado.

Brecha Zero: Ao longo de diferentes pesquisas, fica evidente uma evolução das tecnologias móveis? Em que setor isso fica mais evidente?

Fabio Senne: De acordo com os resultados da TIC Domicílios 2014, 47% da população brasileira com 10 anos ou mais usam a Internet por meio de um celular, o que é equivalente em estimativas populacionais de cerca de 81,5 milhões de pessoas. Apesar de representar menos da metade do total da população com 10 anos ou mais no país, a propensão dos usuários de Internet acessada pelo celular registou um crescimento significativo no ano passado (16 pontos percentuais), uma tendência que tem sido verificada desde 2011, quando a proporção de usuários de Internet por celular foi de 15%.

A tendência da expansão do uso de dispositivos móveis de acesso à Internet também pode ser verificada em outras pesquisas CETIC.br, tais como o ensino das TIC, Saúde TIC, as TIC Empresas e TIC Governo Eletrônico.