Paraíba conquista o melhor índice de educação a distância do Brasil

O desenrolar da pandemia de Covid-19 trouxe muitos desafios para os governos da região, um em especial foi o relacionado à implantação da educação a distância. Ser capaz de dar continuidade à educação e ao mesmo tempo manter o distanciamento social foi uma das tarefas mais árduas que os governos enfrentaram nos últimos dois anos.

O Estado da Paraíba conquistou o melhor Índice de Ensino à Distância (IEAD) do Brasil, segundo pesquisa realizada pela série “Políticas públicas e respostas da sociedade” produzida pela Rede de Pesquisa Solidária (RPS), do qual faz parte o Centro de Estudos da Metrópole.

A Paraíba alcançou 8,89 pontos no IEAD, ranking que varia entre 1 e 10 pontos e mede a qualidade da educação a distância, o que representa um acréscimo de três pontos em relação ao ano anterior. O segundo lugar ficou com o Distrito Federal, com IEAD de 8,33, e na terceira posição os estados de Minas Gerais e Paraná com 7,78.

A educação oferecida pelo Estado da Paraíba foi reconhecida pelo esforço realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação e da Ciência e Tecnologia, para promover uma educação a distância inclusiva e de qualidade para todos os alunos da Rede Estadual durante a pandemia. Anteriormente, uma outra pesquisa, realizada pela Fundação Getúlio Vargas, indicou que a educação remota do estado era a que oferecia as melhores oportunidades.

O IEAD foi concebido por pesquisadores vinculados à RPS a partir da avaliação de documentos oficiais publicados pelos governos estaduais e pelas secretarias de educação. O IEAD mede diariamente a amplitude e o alcance potencial dos programas de ensino a distância desenvolvidos pelos estados após o fechamento das escolas e a suspensão de aulas presenciais.

O índice é composto por quatro componentes: meios de transmissão (meios e canais utilizados para oferecer aulas a distância, vídeos ou conteúdos educacionais para os alunos, como rádio, televisão ou internet), formas de acesso (materiais, aparelhos e tecnologias disponíveis para alunos e professores terem acesso às aulas e conteúdos, como celulares, tablets ou qualquer forma de subsídio de internet), supervisão dos alunos (responsabilidade de supervisionar e garantir a frequência dos alunos nas aulas, além do acompanhamento das atividades propostas, eles são atribuídos aos professores e às escolas, às áreas de instituições de ensino públicas ou a ambos) e coberturas (abrangência dos níveis de ensino, como infantil, primário ou secundário).

O regime especial de ensino da Paraíba foi implementado em 17 de março de 2020 e é constituído por um conjunto de ferramentas e ações que visam dar continuidade à oferta de acesso à educação de qualidade. Desde então, diversas ações têm se destacado, como a plataforma Paraíba Educa, que integra professores e alunos em todo o Estado, a TV Paraíba Educa, que oferece aulas na TV Aberta para 45 municípios com 296 escolas, alcançando 150 mil alunos.

A esse processo também foi integrado o uso da plataforma Google Classroom, junto ao aplicativo Paraíba Educa, sem consumo no pacote de dados para professores e alunos. Recentemente, foi lançado o programa Paulo Freire, que visa promover a inclusão digital de educadores por meio do fornecimento de laptops a todos os professores atuantes na rede estadual de ensino.

Todas essas iniciativas são muito positivas para o desenvolvimento do sistema educacional paraibano, bem como para a manutenção da continuidade pedagógica no Estado. No entanto, deve ser alavancada por políticas nacionais que permitam estimular o acesso à banda larga móvel, uma vez que, pelas suas características, permite o acesso a maiores parcelas da população e às zonas rurais.

Nesse sentido, é necessária a criação de políticas que permitam ao setor de telecomunicações contar com porções maiores de espectro radioelétrico para garantir a implantação de serviços de banda larga móvel, principalmente tecnologias como LTE e 5G que são ideais para oferecer altas velocidades de acesso que estimulam o desenvolvimento da educação a distância.