Papel das TIC em Organizações Sem Fins Lucrativos no Brasil

Os estudos dedicados a compreender as implicações das tecnologias da informação e comunicação (TIC), vêm ganhando cobertura que vai muito além das ciências e da computação, alcançando os campos de estudos sociais, econômicos, culturais e políticos.

Como consequência, o debate sobre a implicações sociais das TIC gera, de forma cada vez mais intensa, o interesse de áreas como os estudos de organizações e sociologia. Entre os atores centrais que participam dessa nova dinâmica de participação cidadã medida pelas TIC, estão as organizações sem fins lucrativos que dão suporte ao compromisso civil na medida em que socializam os indivíduos para a participação democrática. Neste sentido, conhecer as formas de atuação dessas entidades, e como elas adotam as TIC, é um eixo estrutural do debate sobre o modelo de desenvolvimento que queremos.

A construção de indicadores e métricas relevantes sobre o papel das TIC entre diversas entidades da sociedade civil orientou o planejamento e a execução de pesquisas “TIC de Organizações Sem Fins Lucrativos” no Brasil. O objetivo deste informe é compreender o estado de adoção das TIC em organizações sem fins lucrativos no país e sua apropriação pelas pessoas, buscando investigar também as possíveis barreiras e motivações que possam influenciar este uso. Para tal efeito, o Centro Regional de Estudos para o desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic) adotou como referência indicadores mundialmente comparáveis definidos por organizações internacionais. Além disso, buscou definir indicadores locais que pudessem responder às questões de contexto do Brasil e Cetiv.br e realizou em 2012 a primeira edição de investigações de TIC nas ONGs.

Os dados obtidos detalham a presença de infraestrutura, como o uso que se fazem as TIC nas organizações. Na edição de 2014, a pesquisa considerou organizações de diferentes naturezas, incluindo entidade de defesa de direitos, organizações religiosas, fundações, associações e sindicatos. Pela primeira vez é possível traçar um olhar extremamente detalhado sobre as organizações que se ocupam de atividades de saúde e assistência, educação e pesquisas, cultura e recreação.

Os resultados indicam que o computador e a Internet ainda não são recursos tecnológicos universais nos ambientes das ONGs (apenas 75% de computadores e 68% de acesso à Internet são utilizados, respectivamente), em um cenário de relativa estabilidade nas organizações brasileiras em 2012. Das que não utilizam, os motivos mais mencionados são custo e disponibilidade de infraestrutura, onde 60% das organizações declaram não possuir tal ferramenta devido ao alto custo de aquisição ou manutenção. No caso da Internet, 60% das organizações fazem referência ao uso da conexão e 42% da falta de infraestrutura de acesso como motivo para sua não utilização.

Ainda existe uma parte das organizações que são usuárias de computadores, porém não possuem equipamentos próprios, o que sugere, em muitos casos, que o trabalho seja realizado com equipamentos pessoais de seus membros. Essa diferença é ainda mais evidente entre as organizações pequenas sem pessoal remunerado, 57% delas afirmam que usam um computador, e somente 30% possuem o equipamento. O uso da Internet também é menor entre as organizações de menor porte: 48% das organizações sem pessoal capacitado afirmam utilizar Internet, tanto que 87% das organizações com 1 a 9 pessoas ocupadas e 85% daquelas com mais de 10 pessoas ocupadas fazem uso da rede.

A pesquisa também investiga a percepção das organizações brasileiras sem fins lucrativos na relação com as contribuições que o uso das TIC podem realizar para questões administrativas e processos internos. Para 51% delas, as TIC contribuíram muito para aumentar a agilidade na relação de suas tarefas, tanto que 45% menciona melhora na comunicação interna. As organizações citaram em menor medida a contribuição das TIC para redução de gastos (30%) e o aumento de capacitação de recursos (19%).

Por último, cabe ressaltar a percepção de que o uso das redes sociais online contribuem com os objetivos das ONGs no Brasil. Essa é a evolução que 77% das organizações possuem em conta ao perfil próprio na rede social até a respeito da contribuição desses canais para a realização de suas missões, segundo a investigação. A partir da radiografia do setor, espera-se que os novos resultados da “TIC Organizações Sem Fins Lucrativos” possam subsidiar ações de suporte à incorporação estratégica das TIC nesses estabelecimentos e entre as atividades que realizam.

A pesquisa “TIC Organizações Sem Fins Lucrativos” contam com o fundamental apoio de importantes entidades do setor, como a Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (Abong), o Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife), entre outras. Além disso, cabe destacar o apoio técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), bem como de especialistas de renomadas universidades.

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