As possibilidades de combinar a Saúde com as TIC geram diversas alternativas, desde a inclusão de equipamentos de alta complexidade até a utilização de sistemas de atenção à pacientes por meio do acesso à Internet. Neste variado universo, a inclusão de serviços móveis dentro da saúde é um passo importante para a medicina preventiva e apresenta um grande potencial de crescimento.

Na Nicarágua, a Universidad Nacional de Ingeniería (UNI), a Universidad Nacional Autónoma de Nicaragua (UNAN) e o Ministerio de Salud (Minsa) desenvolveram um programa de Telessaúde que inclui serviços móveis no município de Waslala. O projeto denomina-se “Telemedicina em Waslala”, e tem como objetivo colocar à disponibilidade das famílias campesinas um serviço gratuito de comunicação celular (via mensagens de texto) para facilitar o acesso ao atendimento médico.

Waslala é um município situado na Costa do Norte do Caribe (região autônoma), onde o centro de operações está localizado a 241 Km da cidade de Manágua. Trata-se de uma área onde a economia local é desenvolvida com base na agricultura, pecuária e turismo. Cabe destacar que algumas das comunidades da região ficam em média 4 horas de viagem do hospital mais próximo. O programa tem como objetivo beneficiar mais de 67 mil habitantes locais.

O projeto contará com conectividade da operadora Claro, iniciou-se em 2015 e estará ativo por 5 anos. Para sua idealização, será fornecido um telefone celular, com um pacote de 3 mil mensagens de texto para cada líder comunitário de Waslala. Além disso, contarão com um painel solar para recarregar o dispositivo, e equipamentos necessários para coletar sinais vitais (termômetro, estetoscópio, esfigmomanômetro, fita adesiva, tesoura) e materiais como mochila, material didático, cadernos, lápis, carregadores etc.

O objetivo é que se possa coordenar de maneira eficiente com o Ministério de Saúde uma possível emergência na área. Para isto, ao visitar um paciente em potencial, cada líder comunitário deve ter consigo dados de sinais vitais. Caso considere necessário, deverá utilizar o telefone móvel para avisar um hospital especializado.

Cada um dos líderes comunitários envia uma chamada de ajuda pelos telefones para os servidores da UNI.  Por meio de um software desenvolvido pela universidade, analisam-se e fazem a gestão correspondente a cada uma dessas demandas. Por meio de um algoritmo pode-se organizar da melhor maneira os pedidos de ajuda que chegam ao servidor, com classificação de quem será o responsável e na ordem de urgência para casos mais críticos.

Outra das instituições que participam do programa, a UNAN Matagalpa, está encarregada de realizar a capacitação comunitária. Ou seja, realiza trabalho de campo em cada comunidade, oferecendo aos habitantes as ferramentas necessárias para levar adiante o protocolo de atenção do Minsa.

Em suas primeiras experiências, o programa possibilitou o atendimento de aproximadamente 40 emergências mensais. Para poder realizar essa tarefa, forneceu-se antenas junto aos dispositivos móveis para possibilitar as chamadas, bate-papo e coordenação dos 110 líderes comunitários. Assim, o projeto avança em um de seus objetivos iniciais: para superar o fosso entre as comunidades rurais de postos de saúde e hospitais; e ele conseguiu ajudar a reduzir as mortes de pessoas com doenças graves e mortalidade materna.

A coordenação de diferentes setores em busca do desenvolvimento de saúde é um avanço importante dentro do pais. No entanto, são necessárias políticas que possibilitem o desenvolvimento de redes móveis para, assim, agilizar iniciativas. Neste sentido, a disponibilidade de espectro para serviços de banda larga móvel é uma estratégia de Estado que ajuda a potencializar programas que contenham assistência por meio de serviços móveis.

A evolução lógica do programa “Telemedicina em Waslala” estará associada a serviços de banda larga móvel, podendo incluir mais aplicativos para que os líderes comunitários possam colocar à disposição maiores velocidades de acesso, representa a oportunidade de gerar novos aplicativos para sofisticar assim a atenção dos habitantes e melhorar as condições de saúde da área.

Cabe destacar que de acordo o Índice 5G Americas de Penetración LTE en América Latina del primer trimestre (1T) de 2016, a Nicarágua contava com uma penetração dessa tecnologia de 0,15%. Em outras palavras, trata-se de um dos mercados mais negligenciados na adoção da LTE da América Latina.

Neste sentido, além das iniciativas que tendem aos desenvolvimento de redes LTE, é importante que se gerem políticas destinadas à massificação de smartphones. Ou seja, que permitam que este tipo de dispositivo seja mais acessível aos usuários. A criação de um mercado com forte penetração de smartphones possibilita avançar também em outra área de telessaúde, a da criação de aplicativos para a saúde preventiva através de aplicativos móveis. Cabe destacar que os apps destinados ao autocontrole por parte dos indivíduos são uma importante ajuda ao sistema de saúde. Entretanto, potencializam o setor de desenvolvimento tecnológico dos países, por meio de startups destinadas a gerar este tipo de aplicativos.

O projeto “Telemedicina em Waslala” conta com um ativo fundamental para seu desenvolvimento: a coordenação de diferentes setores na busca conjunta de benefícios para a comunidade. Neste sentido, a Nicarágua deu um passo muito importante na área de telessaúde, mesmo que estes benefícios ainda possam se potencializar a partir de maiores possibilidades dentro do setor móvel.