A oportunidade de falar sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) para a população pode ser feita por meio de diferentes formas, uma dessas modalidades é através de centros especializados que capacitam e oferecem acesso de maneira gratuita e simples para os habitantes de cada país. Locais como este são importantes como porta de entrada para a tecnologia.

No Equador, o Ministério de Telecomunicações e da Sociedade da Informação (MINTEL) desenvolveu Infocentros Comunitários. Estes lugares gratuitos são espaços tecnológicos para a população e oferece acesso às TIC, e, de janeiro ao final de maio de 2017, superou um milhão de visitas.

A implementação deste tipo de centros de acesso às TIC tem uma função essencial na busca por reduzir a exclusão digital. Em particular porque se transformam em uma primeira porta de entrada de uma grande porção da população, geralmente esquecida pela tecnologia. Assim, são capazes de gerar uma mudança disruptiva nas experiencias que tem muitos cidadãos.

De acordo com o próprio Observatório TIC, que depende do MINTEL, estes espaços receberam 1.287.854 visitas e capacitaram mais de 55 mil pessoas em TIC. Assim, desde 2011 até maio de 2017 contabilizaram mais de 10 milhões de visitas e mais de 425 mil capacitados.  Além disso, nesse período, foram desenvolvidos 854 Infocentros Comunitários.

Além dos eventos de treinamento nos Infocentros, é oferecido de forma gratuita o acesso à benefícios como os denominados pelo Governo Eletrônico, que permitem às pessoas inscrever seus filhos nos colégios, realizar trâmites do SRI, do IESS, entre outros. Estes espaços também estão disponíveis para áreas distantes dos grandes centros urbanos.

Dentro deste último tipo de experiências, o MINTEL instalou na província de Azuay um total de 48 Infocentros Comunitários e um Megainfocentro. O objetivo foi beneficiar com capacitação e acesso gratuito às TIC os cidadãos de áreas rurais e urbanas marginalizadas. A iniciativa possibilitou que diferentes mulheres dessa região participassem do evento World Connect, organizado pela fundação de mesmo nome dos Estados Unidos.

Participaram do evento o grupo KALLPA WARMI, que significa “mulheres fortes”, que desenvolveram empreendimentos em várias áreas: arte reciclada, bijuterias ecológicas, arte em madeira, gastronomia tradicional, arte em tecido de pesca, em crochet, cestos, azulejos ecológicos e prestação de serviços no turismo de base comunitária na paróquia de Sayausí. No evento, estas empreendedoras apresentaram e venderam seus artesanatos aos visitantes. O World Connect tem como objetivo capacitar líderes de comunidades de países em desenvolvimento, com a finalidade de melhorar a vida de mulheres e crianças.

Todas estas iniciativas foram realizadas nos diferentes cursos de capacitação gratuita que aconteceu nos Infocentros. Os cursos mais relevantes foram: TIC e Empreendimento e TIC e Negócios, onde os cidadãos desenvolveram uma ideia de negócio, com a finalidade de gerar renda para suas famílias e para sua comunidade.

Como pode-se observar, os Infocentros oferecem uma grande quantidade de oportunidades para o desenvolvimento de diferentes atividades em proveito da comunidade, ainda que seu principal objetivo seja acerca das TIC. Neste sentido, é importante que sua função permita que uma grande porção da população possa acessar a tecnologia e ampliar suas capacidades.

Para que medidas como esta tenham um efeito positivo, é necessário consolidar a conectividade dos habitantes também além dos Infocentros. Ou seja, o trabalho para diminuir a exclusão digital não estará de todo completo se os cidadãos não puderem acessar a banda larga fora dos centros comunitários. Para isto, é fundamental que as autoridades desenvolvam as medidas necessárias para potencializar a conectividade no mercado.

Entre essas estratégias, uma das mais importantes é a disponibilidade de espectro radioelétrico para a oferta de serviços de banda larga móvel. Por suas características, tecnologias como a LTE permitem acesso de alta velocidade mais robustas, além de contar com a possibilidade de um rápido desenvolvimento para alcançar grandes porções de cobertura.

Outra das medidas necessárias está relacionada à baixa das imposições burocráticas para o desenvolvimento de redes de telecomunicações, facilitando dessa maneira o desenvolvimento de serviços e o planejamento das operadoras. Por outro lado, também é necessária a redução dos impostos dos dispositivos de acesso, tornando dessa forma mais acessível para a população destes locais.

Como pode ser observado, o desenvolvimento dos Infocentros transforma-se em uma ferramenta interessante para envolver a população às TIC. No entanto, é importante que as autoridades desenvolvam também um trabalho conjunto com a indústria para facilitar o acesso da população também fora desses centros.