O Panamá está incorporando educação digital intercultural bilíngue para as comunidades indígenas nacionais

O desenvolvimento de uma economia digital requer um trabalho das autoridades de um país desde suas bases. A educação é parte desse trabalho básico que deve ser realizado para potencializar a entrada na nova estrutura produtiva global, onde as tecnologias da informação e comunicação (TICs) desempenham um papel central.

A Direção de Educação Intercultural Bilíngue, a pedido do Ministério da Educação (MEDUCA), é responsável por implementar a aprendizagem de outros idiomas em todo o país. Seu objetivo é oferecer oportunidades educacionais aos estudantes indígenas para reduzir as lacunas de desigualdade existentes, proteger e consolidar os idiomas originais, e integrar a população indígena no processo de desenvolvimento do país. Esta iniciativa abrangerá mais de 50 mil candidatos da pré-escola e ensino fundamental, e todo o material educativo será totalmente digitalizado.

Ele contará com textos, guias, contos e cartazes, e as aulas abrangerão ciências naturais, matemática, história e espanhol como segunda língua. Todo esse material estará disponível como suporte e auxílio didático. Os povos beneficiados são Ngäbe, Guna, Buglé, Emberá, Wounaan, Naso e Bribri, e este projeto está disponível para todos os povos indígenas e também para pessoas que vivem fora das comarcas.

A Constituição do Estado do Panamá reconhece a diversidade cultural e linguística como um valor histórico e patrimônio da humanidade, e por isso, respeita a identidade étnica das comunidades indígenas nacionais. Portanto, promulgou a Lei 88 em 22 de novembro de 2010, que reconhece as línguas e alfabetos dos povos indígenas e estabelece normas para a Educação Intercultural Bilíngue (EIB). A Lei 88 promove a oportunidade de apresentar propostas educacionais com metodologia intercultural, participativa e de qualidade, incorporando aprendizados pedagógicos que fortaleçam a identidade, história e senso de pertencimento dos povos originários.

Além disso, busca-se ter um único sistema educacional dentro dos programas nacionais. Os materiais são contextualizados à realidade de cada povo, cada um com seu idioma e particularidade cultural, sempre buscando preparar integralmente a criança em todos os conhecimentos.

Por outro lado, é necessário que as autoridades articulem estratégias que contemplem diferentes setores verticais a partir da digitalização. Assim como é importante trabalhar na conectividade da maior parte da população, especialmente no acesso à banda larga.

Nesse sentido, os serviços de banda larga móvel são os mais adequados por serem a forma mais eficiente de conectividade para áreas rurais e distantes dos grandes centros urbanos. Tecnologias como LTE e 5G permitem que uma parcela maior da população tenha acesso a serviços de alta velocidade e robustez de dados.

Para potencializar o acesso a essas tecnologias, é necessário que as autoridades do Panamá implementem iniciativas que facilitem o acesso ao espectro radioelétrico para a indústria de telecomunicações, assim como também gerem um calendário com futuros leilões de espectro que permitam às operadoras planejar de forma eficiente a expansão de redes.

Da mesma forma, é necessário que as autoridades busquem reduzir as barreiras burocráticas que afetam o desenvolvimento de novas infraestruturas de telecomunicações. Com isso, se faz importante a criação de uma norma que simplifique e unifique as demandas dos diferentes níveis do mercado, assim como desenvolver o conceito de janela única, que permita aos operadores reduzir a quantidade de interlocutores ao apresentar a documentação.

Como pode ser visto, o governo do Panamá está avançando de forma positiva e assertiva em relação à inclusão digital na educação. No entanto, é necessário intensificar os esforços para aumentar o acesso à banda larga móvel na população, para que esses esforços sejam sustentáveis ao longo do tempo e o investimento tenha resultados positivos a longo prazo.