O desenvolvimento da 5G como fator relevante para impulsionar a economia digital do Chile

Entrevista com Claudio Araya, Subsecretário de Telecomunicações do Chile

As tecnologias da informação e comunicação (TIC) tiveram um crescimento contínuo durante a pandemia de Covid-19 em diferentes mercados da América Latina e Caribe. O desafio para os diferentes governos da região é aproveitar esse desenvolvimento e mantê-lo ao longo do tempo para, assim, impulsionar a entrada de suas economias na era digital.

Claudio Araya, Subsecretário de Telecomunicações do Chile

Sobre esses temas, o Brecha Zero conversou com Claudio Araya, subsecretário de Telecomunicações do Chile, formado em Engenharia Civil em Eletrônica pela Universidade Técnica Federico Santa María e mestre em Tecnologia da Informação e Gestão pela Pontifícia Universidade Católica do Chile. Além disso, possui mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de projetos de tecnologia da informação e atuou principalmente na área de telecomunicações.

Brecha Zero – Quanto as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) ajudaram a economia chilena a superar as complicações associadas à pandemia?

Claudio Araya – Foram relevantes, uma vez que, face às medidas de restrição de mobilidade impostas para evitar a propagação do vírus, as PME e empresas de maior dimensão foram levadas a digitalizar a sua oferta comercial de forma a atingir um maior número de clientes, e as TIC permitiram o acesso de pessoas a serviços, além de trabalhar e estudar em suas casas. Sem a digitalização dos processos, o impacto, principalmente para as pequenas empresas, teria sido ainda maior do que foi.

Brecha Zero – Como as TIC, em especial os serviços de telecomunicações,podem ajudar a enfrentar o processo pós-pandemia?

Claudio Araya – Os processos digitais já estão inseridos na lógica das empresas e dos usuários, hoje o comércio online é uma alternativa muito relevante ao comércio presencial, por exemplo. O mesmo ocorre com os canais de reclamação, sendo os virtuais bastante procurados e utilizados. Sem dúvida, os serviços de telecomunicações oferecem mais alternativas aos usuários, permitindo-lhes resolver suas necessidades de forma eficiente em termos de uso de tempo e energia.

Brecha Zero – Quais setores você considera que foram fortalecidos na utilização das TIC no pós-pandemia?

Claudio Araya – O setor de telecomunicações chileno saiu da pandemia bastante fortalecido. Embora tenha sofrido um aumento significativo da demanda no início das restrições da covid, soube enfrentar essa crise aprimorando seus canais digitais de atendimento, substituindo sua tecnologia por redes mais rápidas e de alta capacidade (como a fibra óptica) e implantando melhores redes móveis, como acontece com a 5G. Outro setor que se fortaleceu foi o uso de inteligência artificial nos processos de atendimento ao cliente, utilizada para amenizar a falta de atendimento presencial.

Brecha Zero – Considerando a importância da digitalização no desenvolvimento dos países, como você avalia a situação do Chile nesse sentido?

Claudio Araya – É importante diferenciar algumas coisas. Em termos de acesso a dispositivos temos realidades diferentes. Em abril de 2022, as estatísticas revelaram que havia mais de 20 milhões de conexões 4G, o que indica um amplo uso em massa de dispositivos móveis. No entanto, as mesmas estatísticas mostram que nessa data existiam 4,3 milhões de ligações fixas e 61,82% dos lares do país estavam ligados a uma rede fixa. Embora a massividade do móvel mostre usuários mais conectados, vemos uma lacuna significativa na internet fixa que afeta principalmente áreas isoladas, rurais e urbanas que carecem de conectividade por diversos motivos.

Por outro lado, podemos observar uma lacuna de uso, ou seja, um problema de alfabetização digital, em que muitos usuários que possuem um dispositivo para acessar a Internet não sabem como utilizá-lo corretamente.

Como Governo, por meio de nosso Plano Brecha Digital Zero, nos encarregamos de implantar a tecnologia necessária para ajudar os usuários a atender às suas necessidades de conectividade. Aqui podemos encontrar projetos de fibra óptica como FON e FOA e iniciativas móveis como a implantação da 5G. Paralelamente, apoiamos e colaboramos com diferentes instituições e suas iniciativas de promoção da alfabetização digital.

Brecha Zero – Como os serviços móveis ajudam no processo de digitalização da economia?

Claudio Araya – Para conseguir um processo de digitalização excelente em todas as áreas, incluindo a econômica, é necessário um mix de tecnologias que permita a cobertura através de diferentes rotas, tanto fixas como móveis, seja por meios terrestres ou mesmo via satélite.

No caso dos serviços móveis, estes apoiam a digitalização da economia através de diferentes processos. Atualmente, permitem o desenvolvimento de aplicativos e espalham redes para compra ou venda de produtos, beneficiando pequenos comerciantes em áreas isoladas e rurais que podem alcançar novos mercados por meio da digitalização. Permitem ainda a massificação dos meios de pagamento, possibilitando o acesso a transações digitais para pequenos negócios e habitantes de zonas remotas ou turísticas.

Brecha Zero – Qual a importância de tecnologias como a 5G no desenvolvimento de uma economia digital?

Claudio Araya – O desenvolvimento da 5G será, sem dúvida, um fator relevante para impulsionar a economia digital do nosso país. As características da rede, como a sua alta velocidade e baixa latência, permitem a massificação de diferentes aplicativos que permitirão às PMEs de todo o país oferecer os seus produtos sem limitações geográficas, alcançando novos mercados. Além disso, a utilização de redes massivas de alta velocidade como a 5G aumentará a produtividade em diversos setores da economia nacional, permitindo a utilização de sensores e atuadores em múltiplas partes dos processos produtivos, tornando-os mais eficientes. O desenvolvimento da nova rede 5G permitirá às PMEs e outras empresas otimizar os seus processos através da sua automação. PMEs, startups e diversos setores produtivos vão disseminar a internet das coisas, inteligência artificial, machine learning, big data, etc., permitindo-lhes também inovar em seus diferentes processos.