A maneira com que pode-se aproveitar ao máximo a evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para beneficiar a sociedade é um tema em debate permanente no setor. Não é somente um debate do ponto de vista econômico, mas também de perspectiva de melhoras possíveis para a vida cotidiana das pessoas.

Este tipo de intercâmbio produz também na América, não apenas em termos de experiência que possa ser representada como casos de sucesso, mas também sobre políticas públicas necessárias para melhorar cada uma dessas iniciativas.

FOTO MRZ TRAJE ROSA

 

Sobre este tema, o Brecha Zero entrevistou Mariana Rodriguez Zani, co-fundadora do Grupo Convergência, que possui empresas do ramo das comunicações que oferecem informações estratégicas sobre telecomunicações na Argentina e América Latina. Com uma vasta experiência no setor de telecomunicações e TIC, Mariana atualmente é Diretora Geral da Convergência Research e da Convergência Latina.

Brecha Zero: Você considera que as TIC influenciam o desenvolvimento econômico e social dos países? De que forma?

Mariana Rodriguez Zani (MRZ): Claramente influencia na parte econômica. E há numerosos estudos que demonstram que o aumento da penetração da banda larga tem relação com o aumento do PIB. No entanto, há outra parte que diz que estes estudos não demonstram, os efeitos sociais das TIC.

O crescimento das TIC induz para novos desafios sociais, porquê existem aspectos positivos e negativos. Deve-se trabalhar para maximizar os primeiros e minimizar os segundos, para que a indústria se retroalimente e supere os desafios. Do ponto de vista social, deve-se trabalhar em discutir todos os efeitos não desejados.

Alguns efeitos não desejados são a falta de perfis profissionais para fazer crescer o setor de TIC, a eventual desaparição de alguns postos de trabalho e a necessidade de capacitar recursos humanos para novos ofícios que serão necessários para o futuro. As diferenças entre hiperconectados (aqueles que procuram a Internet através de vários dispositivos e têm um maior consumo digital) e os poucos conectados (os que procuram somente mediante um dispositivo e que têm um consumo mais básico das aplicações), entre outros.

Brecha Zero: Como se pode otimizar a utilização das TIC para aproveitar o desenvolvimento dos países?

MRZ: As políticas de infraestrutura das TIC têm que ser dos Estados e de longo prazo. Além disso, devem estimular a criação de conteúdos e aplicações que permitam conservar o patrimônio cultural de cada país. Outro ponto importante é colocar o usuário no centro das políticas, tendo uma concepção de ser humano e não de consumidor. Também é importante gerar um equilíbrio imposto entre atores e países. Tratam-se de iniciativas complexas que necessitam debate e coordenação entre os diferentes governos e setores.

Brecha Zero: Quais medidas considera que os governos possam tomar para potencializar o uso das TIC?

MRZ: É necessário levar adiante políticas públicas de longo prazo, que tenham a utilização das TIC de maneira produtiva. Gerar um ambiente que potencialize o uso das novas aplicações com fins produtivos, que as empresas possam usar esses avanços para inovar, melhorar sua produtividade e reduzir seus custos, tornando-as mais competitivas.

Brecha Zero: Quais setores (saúde, segurança, trabalho entre outros) observa que tiveram maior influência na utilização das TIC?

MRZ: Em termos gerais, todos os setores tiveram influência por parte das TIC. O que me parece importante destacar é que, dependendo de cada caso e do sucesso com que são implantados, o que é feito com o orçamento de trade off. Chega um momento que as boas intenções que possuem os diferentes planos chocam com realidades de propostas do próprio setor.

Na área da saúde, por exemplo, a inclusão da TIC compete com outros pressupostos que são mais críticos, como pode ser a infraestrutura ou insumos. Então é importante identificar onde se aplicam as TIC para melhorar o setor. Ainda devem existir esses grandes objetivos, porque são os que potencializam o crescimento dos projetos TIC.

Brecha Zero: Quais países da América Latina considera que realizaram maiores esforços para incluir as TIC no desenvolvimento da sociedade? Quais medidas podem destacar?

MRZ: Todos os países de uma maneira ou de outra realizaram esforços para desenvolver as TIC, existiu um movimento importante de recursos nos países da América Latina, independentemente do modelo econômico, social ou político que tiveram para fomentar o uso das TIC.

Podemos destacar muitos casos, mas me parece interessante o foco colombiano para promover as aplicações. Também é interessante o que realizou o México em termos de Centros Comunitários, com a ideia de lugares de capacitação e de inclusão 360, com iniciativas tendentes a empreendedores e classes de robótica.

Outras importantes experiências foram aquelas realizadas no Brasil para governo eletrônico. Assim como também as da Argentina, que possuem há mais de uma década altos graus de digitalização para que os cidadãos e empresas cumpram com suas obrigações tributárias. Tratam-se de alguns dos muitos exemplos da região, a maioria dos países desenvolvem experiências que valem a pena mencionar.

Brecha Zero: Qual é a avaliação da conectividade dos planos na América Latina? Quanto contribuir para a utilização das TIC para a sociedade?

MRZ: A valorização é em todo caso positiva. Alguns foram melhores que outros, no entanto desde 2010 adiante, em todos os países fizeram algo com base em paradigma ideológico ou governamental.

No entanto, todos precisam medir o impacto social que a conectividade possui. Acompanhar e analisar a conectividade que vai além dos números de domicílios conectados, e estão disponíveis para a sociedade de modo a gerar um feedback.

Brecha Zero: Qual importância tem reduzir a exclusão digital para poder potencializar o desenvolvimento de um país?

MRZ: A redução da brecha digital é importante para potencializar o desenvolvimento. Contudo, é importante também focar na tecnologia aplicada. Tanto o setor público, como o privado, tem que potencializar esta parte também. Não o suficiente para colocar o foco na conexão, é necessário também promover a utilização das TIC de maneira a desenvolver maiores benefícios econômicos e sociais aplicados.

Brecha Zero: Qual importância tem as tecnologias móveis na implantação das TIC para o desenvolvimento?

MRZ: As tecnologias móveis hoje garantem o acesso, de forma massiva e por conter um uso global. O desenvolvimento da mobilidade não somente repercutiu no aumento da conectividade de serviço, mas também no crescimento impactante que passou a Internet pelo acesso massivo que alcançaram os dispositivos móveis.

A mobilidade possibilitou que exista uma escala suficiente de conexões e uma forma (a universal) que permitiu desenvolvimento de novos modelos de negócios e aplicações que alcançam um público mais amplo. As tecnologias de banda larga móvel são o combustível da Internet.

Brecha Zero: Qual lugar tende ao debate do uso das TIC para o desenvolvimento da “Revolução Móvel”?

MRZ: A 13º Edição da Revolução Móvel se voltará para além da indústria móvel. Aspiramos realizar um evento inclusivo desde a própria agenda e temáticas. Outros setores como bancário, automotivo, comércio, cidades inteligentes serão cobertos. Tudo o que tem a ver com o que a mobilidade traz à Internet das Coisas (IOT).

O evento estará baseado em como se transforma o negócio e como isso incide em outros segmentos. Contaremos com a presença de bancos que irão comentar como mudou a própria indústria, como empresas de Internet se acercaram para competir dentro de seus segmentos, que até o momento pertenciam somente aos bancos. A importância do setor Automotivo em IOT, a utilização do automóvel como um dispositivo conectado. Assim como também a utilização de IOT como uma indústria que passará a ser massiva, com maior foco no consumidor final.