O avanço da digitalização não tem volta

Entrevista com Luis María Riveros, diretor-geral de Inclusão Digital e TIC na Educação, e Leticia Bordón, diretora-geral de Inovação Produtiva e Economia Digital, do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (MiTIC ) do Paraguai. Parte II

O processo de digitalização iniciado por vários países nos últimos anos acelerou drasticamente muitos setores da economia e da sociedade. A incorporação de novas tecnologias cresceu de forma exponencial nos últimos anos.

Leticia Bordón, diretora-geral de Inovação Produtiva e Economia Digital, do MiTIC
Luis María Riveros, diretor-geral de Inclusão Digital e TIC na Educação, do MITIC

Sobre esses temas, Brecha Zero conversou com Luis María Riveros, diretor geral de Inclusão Digital e TIC na Educação, e Letícia Bordón, diretora geral de Inovação Produtiva e Economia Digital do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (MiTIC) do Paraguai. Ambos forneceram suas opiniões sobre como as tecnologias melhoraram as condições do país.

Leticia Bordón possui ampla experiência no setor público em diversos órgãos governamentais. Graduada em Administração de Empresas pela Universidade Católica de Assunção (UCA), possui Mestrado em Gestão e Administração Financeira Pública pelo Instituto Superior de Pós-Graduação “Vía Pro Desarrollo” com distinção acadêmica: “Magna Cum Laude”; é Mestre em Gestão Integrada de Projetos – Project Management pela Universidade de Barcelona.

Luis María Riveros é formado em Ciência da Computação pelo curso de Engenharia da Computação na Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción. No setor público, é diretor de Desenvolvimento de Sistemas de Informação, do Crédito Agrícola para Habilitação e diretor de Infraestrutura, Redes e Comunicação da mesma instituição.

Brecha Zero: No pós-pandemia, quanto você acha que as TICs poderão influenciar os processos econômicos e educacionais?

Letícia Bordón: Acho que não tem volta, é um avanço em direção ao futuro, era iminente e aconteceria a qualquer momento. A pandemia nos obrigou a acelerar um pouco esse processo, mas era um processo que aconteceria naturalmente. Não tem mais volta, faz parte de nossas responsabilidades no Ministério incentivar esse caminho, a seguir em frente, a partir do programa “apoio à agenda digital” , contamos com vários produtos tanto na parte educacional , como na inovação, que iremos promover. Posso citar que a partir da inovação pretendemos estabelecer programas e até internacionalizar empreendimentos digitais. Também estamos tentando atrair empresas estrangeiras de base digital que queiram investir no Paraguai, promovendo projetos setoriais de transformação digital em que vários sindicatos ou setores produtivos são beneficiados. Estamos trabalhando para construir, também, um distrito digital no Paraguai, onde promovemos, especificamente, toda a educação e inovação baseada em tecnologia. Já estamos nesse caminho, não há volta e a questão agora é seguir em frente.

Brecha Zero: Em relação à educação, também há uma visão semelhante?

Luis María Riveros: Compartilho plenamente as colocações da Letícia, tanto no setor das PMEs, como no local de trabalho e no setor da educação. O avanço das TIC e da formação continuarão (a avançar), e falamos especificamente de pessoas que concluíram o ensino médio, acredito que vão continuar a fazer cursos, especializações e mestrado totalmente online. Sabemos que a  maioria das melhores universidades já contam com essas opções, então virtualmente seus cursos e mestrados foram aprimorados. Abrimos espaço para o desenvolvimento massivo, algo que temos na agenda digital, de acesso a treinamentos online em plataformas mundialmente reconhecidas. As tecnologias e a possibilidade de formação online vão continuar e aumentar, porque sabemos que hoje foram lançadas muitas plataformas de aprendizado, que vão aumentar no setor da educação.

Brecha Zero: E o que dizer sobre outros setores, quais você acha que ainda precisam progredir para entrar nessa onda de digitalização no pós-pandemia?

Luis María Riveros: Acho que o setor de saúde, que é um setor um pouco atrasado em relação a isso, sabemos que a telemedicina avançou, mas do meu ponto de vista acho que ainda tem um caminho tecnológico árduo a ser percorrido.

Leticia Bordón: Apoiando e complementando o que disse Luis María, o setor da saúde é um desses setores. Aliás, desde o Ministério da Tecnologia, estabelecemos uma aproximação com um dos sindicatos do setor da saúde para buscar um projeto de transformação digital que pudesse contribuir para o setor. Eu acrescentaria também o setor agrícola, aqui no Paraguai, com o qual também já estamos trabalhando. Como falamos antes, a parte do e-commerce, a parte do setor industrial, a parte educacional já está um pouco mais avançada, mas esses dois setores acho que envolve um pouco mais de trabalho devido às suas características, então já estamos focados em apoiar ambos.

Brecha Zero: Finalmente, quanto você acha que a 5G, a Internet das Coisas e a inteligência artificial podem ajudar no desenvolvimento da economia digital e da educação?

Luis María Riveros: Acho que a entrada da 5G vai ser fundamental para continuar impulsionando (o crescimento). O governo, o setor privado, as empresas de telefonia em particular, têm que preparar a entrada da 5G em nosso país, (incluindo) diversos serviços, aplicações, metodologias para usufruir de tudo o que a 5G pode oferecer e tirar proveito disso. Acho que é o próximo passo, entendo que as operadoras de telefonia do Paraguai estão realizando testes, mas vamos torcer para que não fiquemos muito atrás nessa tecnologia para podermos tirar o máximo proveito de toda a 5G.

Letícia Bordón: Eu acrescentaria a experiência do usuário, hoje acredito que estamos nos adaptando a isso, mas no futuro a experiência do usuário será fundamental. Serão coisas que terão que se adaptar ao digital, porque o usuário se recusará terminantemente a realizar certos procedimentos pessoalmente ou realizar fisicamente certas atividades, procedimentos, compras, etc. Além dessas tecnologias, acredito que o futuro das empresas e negócios também vai depender de como elas se adaptam a essa exigência de experiência do usuário.