IFT do México oferece cursos de habilidades digitais a pessoas com deficiência visual

A digitalização da economia requer um esforço dos Estados para capacitar a sociedade no uso e aproveitamento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Entre estes esforços estão o fomento da educação formal em todos os seus níveis e a produção de cursos formadores da adoção de tecnologias.

Nesse sentido, como parte das atividades previstas no Programa Anual de Alfabetização Digital (PAD) 2022, o Instituto Federal de Telecomunicações (IFT) dará cursos de habilidades digitais para pessoas com deficiência visual. O objetivo da iniciativa é promover a acessibilidade digital e o direito da população a um mundo interconectado.

Sendo assim, busca-se que as TIC melhorem a qualidade de vida e tragam oportunidades de maior inclusão social. Grupos objetivos podem ter acesso a esses cursos de forma virtual ou presencial, são eles: meninas, meninos e adolescentes, pessoas da terceira idade, criadores de conteúdo digital, usuários de serviços de telecomunicações e pessoas com deficiência visual.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI) no Censo de População e Habitação 2020, das pessoas com 5 anos ou mais que habitam o país, cerca de 6,2 milhões viviam com alguma forma de deficiência e 13,9 milhões com limitação, somando um total de 20,8 milhões, o que equivale a 16.5% da população total.

Além disso, de acordo com a Primeira Enquete 2021: Usuários de Serviços de Telecomunicações, dos usuários sondados que utilizam Internet fixa, 16,8% têm algum tipo de deficiência, sendo a deficiência visual a mais mencionada. No caso da telefonia móvel, a porcentagem de usuários que indicou ter algum tipo de deficiência foi de 5,7%, a deficiência visual foi a segunda mais mencionada.

A partir destes cursos almeja-se que as pessoas com deficiência visual possam adquirir conhecimentos e gerar habilidades relacionadas com o manejo de computadores e telefones celulares. Desta maneira, objetiva-se gerar oportunidades de inclusão a pessoas com deficiência visual no ecossistema digital.

O IFT já realizou diversas ações a favor da alfabetização digital das pessoas com deficiência, mediante cursos e workshops que têm promovido o uso de tecnologias de assistência como leitores de tela. Também liderou a implantação de outros tipos de ferramentas de acessibilidade em dispositivos móveis e aplicativos úteis para a autonomia, a educação e o emprego de pessoas com deficiência.

Para que estas iniciativas possam ter uma evolução positiva na sociedade é necessário que a população possa contar com serviços de acesso à banda larga acessíveis, em particular acessos móveis que, por suas condições, permitem chegar a uma maior porção da população de forma eficiente. Tecnologias como LTE, e no futuro 5G, permitem contar com serviços robustos com alta velocidade de dados.

Nesse sentido, é necessário que as autoridades mexicanas implementem políticas que estimulem as operadoras a investirem em novas redes de telecomunicações. Particularmente, a partir de uma maior oferta de espectro radioeléctrico para o desenvolvimento da 5G, tecnologia que requer bandas baixas, médias e altas. Também é importante que seja criada uma agenda com as futuras licitações de espectro, que permita maior previsibilidade à indústria.

Da mesma forma, é crucial que sejam eliminados os entraves burocráticos que pesam sobre a instalação de redes de telecomunicações. A criação de uma norma que reúna as diferentes demandas do Estado é parte das melhores práticas internacionais, assim como a implementação do conceito de balcão único.

Como se pode observar, a iniciativa levada adiante pelo IFT do México é importante para melhorar o desenvolvimento da economia digital nesse país. Ainda que tenha que estar acompanhada por outras políticas que permitam o desenvolvimento da banda larga móvel no mercado.