Governo do Chile implanta TIC e políticas de gênero

Entre as diferentes lacunas que existem no mundo da tecnologia, a que aborda gênero merece destaque. Como em outras áreas da sociedade, existem diferenças de acesso que geralmente prejudicam as mulheres, não só no consumo de tecnologia, mas também na produção e geração de conteúdo.

No Chile, o trabalho conjunto do Ministério da Mulher, do Ministério da Ciência, Relações Exteriores e da Secretaria de Telecomunicações (Sutel) está implantando um projeto que prevê a realização de mais de 30 ações para que aquele país alcance a paridade de gênero no sistema CTCI até 2030. Bem como a plena participação das mulheres na nova economia digital.

Na mesma linha, as autoridades chilenas destacaram os avanços da Aliança Regional para a Digitalização da Mulher na América Latina e no Caribe. A iniciativa conta com uma plataforma virtual colaborativa que visa oferecer cursos de competências digitais a 3,8 milhões de mulheres.

No Chile em 2020 apenas 28% das pessoas matriculadas em cursos relacionados à Ciências e Engenharia eram mulheres. Esse número é ainda menor quando se analisa a participação feminina nas TIC, onde chega a apenas 5% do total. Para buscar uma maior inclusão, foram criadas a Política Nacional de Igualdade de Gênero em Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação e a Aliança Regional para a Digitalização da Mulher na América Latina e no Caribe.

Entre os objetivos desta iniciativa está a remoção das barreiras que impedem a participação e o desenvolvimento de meninas e mulheres na ciência, tecnologia, conhecimento e inovação. Também busca aumentar a participação feminina na força de trabalho de pesquisa e desenvolvimento, para construir um sistema científico, acadêmico e tecnológico com oportunidades iguais e sem violência de gênero. Em suma, seu objetivo é eliminar a lacuna de gênero no acesso à tecnologia e habilidades digitais e erradicar a violência de gênero e a discriminação online.

Para atingir esses objetivos, o plano inclui quatro pontos principais: “Crianças inclusivas, protegidas e capacitadas para o futuro”, “Sistemas CTCI inclusivos, transformadores e responsáveis”, “Um Estado comprometido com dados, instrumentos e políticas para a igualdade de gênero no CTCI” e “Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação para resolver os impactos do gap de gênero em nossa sociedade”.

Em linha com estes planos, a Sutel está colocando em prática iniciativas como o Plan + Mujeres en Telecomunicaciones. Por meio de painéis  técnicos, seis das principais empresas de telecomunicações do país participam periodicamente com o objetivo de promover a inserção feminina no setor.

Já a citada Aliança Regional para a Digitalização da Mulher é uma iniciativa liderada pelo Chile na América Latina que conta com o apoio do México, Uruguai e Costa Rica. Seu objetivo é promover ações coletivas, regionais e multissetoriais para eliminar as brechas de gênero no acesso, no desenvolvimento de habilidades e no uso das TIC pelas mulheres, além de promover sua plena participação na economia digital.

Para que essas iniciativas tenham uma correlação com a vida cotidiana do Chile, é necessário que as autoridades estendam seus esforços para aumentar o acesso à banda larga para seus cidadãos. Em particular, dos serviços móveis, como LTE e 5G, que pelas suas características permitem abranger áreas distantes dos grandes centros urbanos e a uma maior parcela da população. Neste sentido, torna-se importante a oferta de uma maior porção do espectro radioelétrico para as operadoras de telefonia móvel, bem como a criação de uma agenda com datas de futuras licitações.

Além de iniciativas para reduzir a lacuna de gênero no acesso às TICs, é importante que as autoridades trabalhem para melhorar o acesso aos serviços móveis. Essas políticas são extremamente importantes para aumentar as chances de sucesso desses projetos.