Fomentar o diálogo na tentativa de diminuir a exclusão digital

Por José Otero.- A América Latina está passando por um crescimento nas tecnologias sem fio, o que possibilita aumentar a quantidade de pessoas com acesso aos serviços de banda larga. Trata-se de uma oportunidade extremamente importante para toda a região, não só em termos de conectividade, mas também permite uma evolução no que se refere a utilização das TIC para o desenvolvimento de cada um dos países.

Nesse sentido, a divulgação e o debate sobre as distintas iniciativas que os governos, universidades, organizações não governamentais e a indústria realizam sobre o tema exige maior importância. O intercâmbio da informação e ideias se tornam uma parte importante para a formação de um ecossistema que tira proveito dos avanços tecnológicos para gerar melhorias nas condições de vida dos povos da região.

Este é o desafio que assumimos neste Blog “Brecha Zero”, o novo Blog da 4G Americas, destinado à gerar um espaço de debate e atualidade sobre o impacto das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no desenvolvimento dos mercados da América Latina e Caribe. Dessa forma, se espera enriquecer todo o ecossistema das TIC na América Latina, por meio da participação dos distintos players da região.

Em meados de 2015, 41% dos acessos móveis latino-americanos utilizavam a tecnologia 3G, enquanto que outros 3% contavam com acesso 4G, de acordo com dados da Ovum. Isto significa que a região tem agora uma penetração de serviços móveis que permitem o ingresso à Internet.

Para o futuro, espera-se que nos próximos anos as tecnologias de banda larga sem fio continuem em ascensão. Para 2019, 55% das conexões móveis serão de 3G e 32% serão 4G, sempre segundo os dados da Ovum. Assim, cerca de 90% dos acessos de telefonia móvel na América Latina contarão com uma opção de acesso à banda larga móvel.

Este crescimento de acessos é extremamente importante para o desenvolvimento dos serviços de banda larga na região, ainda que se deva considerar que é necessário acompanhar esta evolução para que possa alcançar outras áreas. Em outras palavras, o crescimento das linhas não é suficientepara supor que o trabalho de redução da exclusão digital está terminado. Ou mesmo, podemos dizer que isto é só a primeira de uma série de etapas necessárias para alcançar este objetivo.

Assim, a conectividade se transforma em um ponto importante para maximizar os dispositivos móveis, que passam de dispositivos de comunicação e entretenimento para transformarem-se em ferramentas que promovem o aumento do bem-estar. Em parte, porque estes terminais se tornaram computadores multimídias que permitem a conexão e o acesso à um conjunto significativo de serviços. Esta característica possibilita o acesso aos TIC para um maior número de pessoas, particularmente àquelas que não têm acesso a um computador.

Ainda assim, a conectividade é também uma ferramenta para os governos, que se encontram ante a oportunidade de melhorar e expandir os distintos serviços por meio das novas tecnologias e, consequentemente, ajudar aos seus habitantes. Entretanto, para que estas políticas tenham um impacto real, devem desenvolver-se de maneira integral:

– Primeiramente, deve haver uma maior disponibilidade e acessibilidade aos smartphones.

– Um segundo passo importante a considerar é o aumento da cobertura de rede, com o objetivo de alcançar áreas que precisam de acesso. Neste sentido, as tecnologias sem fio tornam-se extremamente importantes no caso do alcance de áreas rurais.

– Também é necessário o desenvolvimento de uma terceira fase, relativa aos conteúdos, serviços e aplicações que passam por estas conexões e dispositivos, para se alcançar uma real mudança de vida para as pessoas.

Desta forma, a massificação da tecnologia oferece uma oportunidade única de igualar o acesso para aquelas comunidades remotas que, pelas suas localizações, não têm as mesmas facilidades das grandes cidades em áreas como educação, saúde, trabalho, cultura entre outros. Também é interessante desenvolver iniciativas específicas para as comunidades com problemas econômicos, sociais ou culturais específicos.

Estas iniciativas deverão ser alavancadas pelos distintos players com apoio suficiente aos moradores. Em outras palavras, além das ferramentas tecnológicas necessárias para as campanhas publicitárias, de conscientização e educação aos residentes locais, sobre as oportunidades que beneficiam as TIC e os distintos projetos implantados, também são necessários recursos humanos destinados a orientar as populações na utilização destas iniciativas implantadas em benefício dessas populações.

A preparação de agentes destinados a promover e abordar os distintos projetos também é um desafio importante para ser enfrentado por quem os implanta. Principalmente porque o fator humano é essencial para o êxito das iniciativas, ainda que suponha a dificuldade de ter que gerar agentes com a capacidade de integrar as demandas tanto dos nativos digitais como de pessoas não familiarizadas com as TIC.

Como previsto anteriormente, para estas iniciativas, em particular para aquelas que estão relacionados com tecnologias sem fio, se dedicará o Brecha Zero, um blog que faz parte da família 4G Américas. Nele poderá se encontrar informação, descrição e análises de distintas iniciativas implantadas ao redor da América Latina e relacionadas com o uso das TIC para o desenvolvimento. Também se poderá ler artigos escritos pelas principais instituições de Telecomunicações e TIC da América Latina, assim como entrevistas com personalidades do setor.

Desta forma, o objetivo do Brecha Zero é transformar-se em um espaço de informação e debate sobre os avanços das TIC e suas aplicações nas distintas políticas de desenvolvimento na América Latina. A proposta está em andamento e seus propósitos têm a finalidade de contribuir para o ecossistema das TIC para o desenvolvimento.

Jose Otero é Diretor da 4G Americas para a América Latina e o Caribe.

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