Espectro e infraestrutura, as necessidades da América Latina para receber a 5G

Cobertura especial Futurecom 2018 – Os diferentes mercados da América Latina devem aumentar a quantidade de espectro alocado para os serviços móveis e preparar as condições de infraestrutura para a chegada da 5G, essa foi a mensagem destacada pelos diferentes palestrantes que participaram do 5G Americas Wireless Tecnhology Summit, que aconteceu durante o primeiro dia do Futurecom 2018, na cidade de São Paulo, Brasil.

A abertura do evento esteve a cargo de Jose Otero, Diretor para a América Latina e Caribe da 5G Americas, que em sua palestra reforçou o crescente consumo de serviços de dados móveis na região, e a necessidade de um salto tecnológico que permita às redes suportar a demanda dos consumidores. Neste sentido, reforçou a importância da conectividade para aumentar a produtividade e eficiência dos países.

Otero reforçou a troca de paradigma de conectividade, pois cobram maior importância para as “coisas” conectadas do que para as próprias conexões humanas. Explicou que a 5G deve estar preparada para suportar a conectividade de 1 milhão de dispositivos por quilômetro quadrado, por tal motivo destacou que é necessário aumentar entre 11 GHz e 18,76 GHz a quantidade de espectro disponível para a indústria de serviços de banda larga móvel.

Por sua vez, o Keynote Speaker do encontro, o Comissionado Presidente do Instituto Federal de Telecomunicações do México, Gabriel Contreras, destacou que a troca que se vive no setor não é apenas nas relações interpessoais, mas também nas plataformas e nos modelos econômicos que se tornam mais colaborativos. Reforçou que o impacto positivo que teve a banda larga móvel nos setores de saúde, agricultura e educação em seu país, assim como também no que se refere à inclusão financeira.

Contreras destacou que a próxima geração de serviços de banda larga móvel terá impacto em serviços como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial, serviços de máquina à máquina (M2M) e Big Data. Tudo isto terminará por gerar um impacto positivo na qualidade de vida dos habitantes, mas também irá gerar um grandioso impacto na indústria de telecomunicações e na conectividade.

O funcionamento do governo mexicano reforçou que, para que estas tecnologias tenham um impacto real positivo, é necessário estimular o desenvolvimento de uma infraestrutura com redes confiáveis para a grande quantidade de espectro para que a indústria precisa para suportar este avanço, assim como a importância de incentivar investimento privado na construção de fibra óptica.

Em sua condição de regulador de mercado de telecomunicações do México, Contreras ressaltou que é necessário contar com um ambiente regulatório flexível que permita adaptar-se aos novos modelos de negócios até agora desconhecidos. Assim, reforçou que o marco jurídico deve ser sólido, estável e previsível, no entanto sem ser uma barreira para a concorrência, assim como tampouco deve frear investimentos no que se refere ao espectro e infraestrutura. Por último, Contreras refletiu sobre a situação atual e o futuro imediato do setor, onde as telecomunicações estão presentes em todos os setores verticais da economia.

As ideias propostas por Contreras estiveram também presentes no Painel Regulatório, do qual participaram: Agostinho LInhares, Gerente de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) do Brasil,  Gilbert Camacho Mora, Comisionado da Superintendencia de Telecomunicaciones (Sutel) da Costa Rica; Sóstenes Díaz, comisionado do IFT, e Vladimir Daigele, Telecom Network & Spectrum Manag da Unión Internacional de Telecomunicaciones (UIT).

Linhares destacou que para estar preparado para a nova geração de serviços móveis são necessários dois pontos: o primeiro é o espectro radioelétrico, do qual qualificou de “oxigênio das comunicações sem fio”, e em segundo lugar reforçou a importância do investimento em fibra óptica para interconectar as diferentes radiobases.

Por sua vez, a cargo de fazer uma revisão nas marcas que estão sendo consideradas pelo IFT para aumentar a importância do aumento do mercado. Assim, Camacho Mor reforçou que as telecomunicações são uma ferramenta necessária para o desenvolvimento econômico e social da América Latina.

Tanto que Daiegele reforçou que é necessário conectar a maior quantidade de pessoas para poder aumentar a inclusão digita. E aventurou-se que as opções tecnológicas da 5G são para gerar uma revolução totalmente diferente das que se viveu com a 3G e 4G.

O debate dos diferentes reguladores que aconteceu no 5G Americas Wireless Tecnhology Summit no Futurecom em 2018 deixou claro a necessidade de trabalhar em conjunto para que a indústria conte com o espectro e a infraestrutura suficiente para o novo cenário que a 5G irá propor. O que transforma estas boas intenções no futuro promissor para quando se desenvolva a nova geração móvel.

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