Equador incentiva a inclusão digital de meninas, adolescentes e jovens mulheres

O desenvolvimento de uma economia digital requer o trabalho conjunto de diversos segmentos da sociedade. Além da inclusão das tecnologias da informação e comunicação (TIC) nos setores produtivos, é importante trabalhar na redução de outras brechas relacionadas à possibilidade de acesso da população a esses benefícios.

Nesse sentido, o Equador está trabalhando no programa American Girls Can Code (AGCC), promovido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) da ONU, com o apoio do Ministério de Telecomunicações e Sociedade da Informação. O objetivo é reduzir a brecha digital de gênero, através do  apoio e incentivo a mulheres, sejam elas meninas, adolescentes ou jovens adultas, para que se interessem por carreiras nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Para atingir essas metas, o Equador conta com programas que oferecem oportunidades de estudo e treinamento para meninas e mulheres jovens, com o intuito de eliminar a brecha digital de gênero e maximizar o impacto da inclusão digital. Além disso, o país também participa do programa AGCC, que foi implementado como resultado da cooperação internacional, e, dessa maneira, busca fornecer às meninas e mulheres ferramentas acadêmicas e de trabalho em disciplinas tecnológicas como: programação, robótica, realidade aumentada e pensamento computacional.

Juntamente a estas iniciativas, existem outras como os Pontos Digitais Gratuitos, onde os cidadãos têm acesso à conectividade e à formação sem qualquer custo. Esses Pontos recebem uma média anual de conexões de 5,7 milhões de usuários, dos quais 2,7 milhões são meninas, adolescentes e mulheres. Cerca de 900 desses centros atuam no país, estando localizados principalmente em áreas rurais e periféricas. Por fim, também há o programa dos Empreendedores Digitais com o qual foram ministrados 38 workshops, com a participação de mais de 13.000 mulheres, incluindo estudantes e empresárias.

Esses projetos também exigem um trabalho conjunto com o setor privado, o que permite que uma parcela maior da população acesse serviços de banda larga, principalmente os serviços móveis. A partir deste quadro, são necessárias políticas públicas para estimular o investimento em redes de novas tecnologias de telecomunicações, como a LTE ou a 5G, que devido às suas características permitem transportar dados robustos e de alta velocidade para diferentes zonas geográficas.

Portanto, é importante que sejam criadas políticas que disponibilizem maiores porções do espectro radioelétrico para as operadoras de telecomunicações. Isso é crucial, pois as tecnologias 5G exigirão bandas baixas, médias e altas para poder se desenvolver de maneira eficiente e completa. Além disso, é fundamental que haja a elaboração de uma agenda com futuros leilões de espectro que permita às operadoras planejar com eficiência a implantação de suas redes.

Da mesma forma, para incentivar a implantação de infraestrutura, é necessário reduzir as barreiras burocráticas existentes no desenvolvimento de novas redes. Uma das melhores práticas internacionais nesse sentido, é a criação de uma lei única que reúna as demandas dos diferentes níveis do Estado. Assim como a criação do conceito de janela única de trâmites, que permite às operadoras ter um único interlocutor e facilitar a apresentação de procedimentos.

Como pode ser visto, a iniciativa realizada no Equador é importante para reduzir a brecha de gênero no acesso à tecnologia, que, em uma economia digital, também se traduz em maiores oportunidades para mulheres, jovens e meninas no setor produtivo. No entanto, ela deve ser acompanhada de outras políticas que busquem incentivar o acesso à banda larga móvel na população para que haja um desenvolvimento positivo.