O trabalho, no âmbito da ciência e tecnologia é fundamental para um melhor desenvolvimento socioeconômico dos países. Em particular, para os mercados emergentes como os que formam a maior parte da América Latina, com a oportunidade de melhorar diferentes aspectos da economia e gerar qualidade de vida para os habitantes de cada um dos países.

osvaldo2

Dr. Osvaldo Yantorno

Neste sentido, os países do Mercosul desenvolveram, já há alguns anos, o Biotecsur, que conta com a participação da União Europeia. Trata-se de uma plataforma de biotecnologia que aglutina os países que fazem parte desse mercado em comum. O objetivo é criar uma visão comum para o desenvolvimento e aplicação das novas tecnologias na região.

Sobre as iniciativas realizadas pela Biotecsur, o Brecha Zero conversou com o Dr. Osvaldo Yantorno. Ele é pesquisador da Universidade Nacional de La Plata, onde também desempenha o papel de professor titular da Área de Biotecnologia da Faculdade de Ciências Exatas.

Brecha Zero: Qual é o objetivo da plataforma Biotecsur?

Osvaldo Yantorno: A Argentina possui um forte vínculo com a Europa, com países como a França e a Alemanha, no que corresponde à divulgação cientifica, foi primeiro neste sentido. A partir da boa experiencia com essa cooperação, pensou-se em estendê-la para outros países do Mercosul, implantando a plataforma Biotech 1, que inclui a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai com a União Europeia, com um investimento de 7,3 milhões de euros entre 2005 e 2011.

O objetivo é incentivar a biotecnologia integrando ambas as regiões e desenvolvendo o Mercosul, por meio de diferentes projetos que envolvem 4 países dessa região. Com prioridade para a biotecnologia aplicada ao bem-estar dos cidadãos. Ou seja, sua implementação em diferentes âmbitos como pode ser com medicamentos, fármacos, melhoria de produtos a serem observados, melhoria no tratamento dos afluentes, etc.

Tão logo iniciou-se o Biotech 1, surgiu um impasse em 2013, quando foi dado início ao Biotech 2, com fundos de 2 milhões de euros que provém da União Europeia, enquanto que o aporte do Mercosul realiza-se por meio de pesquisadores, laboratórios e outras locações para desenvolver as pesquisas.

Desse total, 1,2 milhões destina-se a projetos de pesquisa entre os países do Mercosul e participantes da União Europeia. Uma parte para um programa de gestores de Biotecnologia e outra para a geração de encontros do setor. Estes últimos, por meio da organização de diversas reuniões entre Mercosul e Europa.

Brecha Zero: Quais benefícios busca-se gerar na região?

Osvaldo Yantorno: A plataforma busca gerar investimentos no que se refere à projetos por meio da cooperação de grupos de pesquisa do Mercosul e da União Europeia. Também sobre o desenvolvimento que se realiza na comunidade cientifica ao setor empresarial e industrial.

Este é um ponto importante, porque sobre a comunidade cientifica existe uma lógica de crescimento de prestigio diferente, que está mais associada à divulgação ou participação em diferentes publicações e encontros específicos. Por um lado, o setor empresarial demanda crescimento de prestigio diferente, que está associado à divulgação ou participação em diferentes publicações e encontros específicos. Por outro lado, o setor empresarial demanda uma grande quantidade de tempo, outra dinâmica de trabalho e muitas vezes torna-se complicada a sua coordenação. Neste sentido, é importante a geração de encontros entre diferentes setores onde existe a possibilidade de interação a respeito de diferentes produtos que, no caso, podem ser produzidos a nível industrial ou que sejam patenteáveis. Desta forma, permite que o setor industrial alcance diferentes conhecimentos gerados no setor cientifico, enquanto que também abre a possibilidade de oferece maior cooperação interdisciplinar.

Brecha Zero: Quais são as iniciativas mais importantes que incentivam o Biotecsur?

Osvaldo Yantorno: Uma das iniciativas é a criação de uma plataforma que engloba a informação sobre diferentes pesquisas realizadas em torno da Biotecnologia dentro do Mercosul. Confirmando assim uma espécie de Observatório que permite que diferentes pesquisadores possam encontrar informações sobre o que está se desenvolvendo nos diferentes países.

Também desenvolveram cursos de formação intensivos em gestão de biotecnologia, que constavam de 8 módulos destinados para diferentes pesquisadores de cada um dos países do Mercosul. O curso contava com uma série de vagas: na Argentina eram 40, no Brasil 50, no Paraguai 20, e no Uruguai outras 20; que foram amplamente superadas pela demanda que existiu em cada um desses países. Cada semana realizava-se um seminário onde os alunos debatiam, estudavam e eram avaliados. Do total de alunos, um grupo selecionado poderá assistir um encontro onde se manterão os debates e terão relação com representantes internacionais de biotecnologia, outras disciplinas e mesmo de outros setores.

Brecha Zero: Quais países da região são os mais ativos na Plataforma, de que maneira?

Osvaldo Yantorno: É difícil a ponderação de cada um dos países. No caso do Brasil pesa o tamanho que tem o país, sua superfície, a quantidade de habitantes e universidades. Por sua vez, por mais que o Uruguai tenha uma menor dimensão, está muito mais ativo. A Argentina foi uma pioneira no tema, conta com pesquisadores reconhecidos e estabelecimentos de renome a nível mundial. Tanto que o Paraguai realizou um esforço para adaptar-se e somar a nível mundial do resto da região.

É importante explicar também que o Brasil tem uma forte aposta no desenvolvimento do setor cientifico por meio de investimentos, possibilitando o envio de pesquisadores para comporem outros países, e essa é a semente pra que possa ter um desenvolvimento importante.

Brecha Zero: Quais políticas são necessárias para potencializar o crescimento da biotecnologia?

Osvaldo Yantorno: No caso da Argentina, o país tem necessidades muito grandes em todos os sentidos. É necessário que o governo e o setor empresarial invistam em desenvolvimento científico, envolvendo assim os setores para que o bom nível destas pesquisas transformem-se em produtos que vão além dos atuais e demandem maior grau de elaboração e desenvolvimento.

Os investimentos são importantes no setor cientifico. O ritmo tecnológico mundial impõe que a ciência se mantenha atualizada com a inclusão de equipamentos novos que permite ser competitiva em seu procedimento a nível global. Se requer a participação e investimento de diferentes setores, as políticas devem estar em linha com a contribuição do estado e também do setor privado.

Brecha Zero: Qual é a importância da conectividade nos diferentes mercados da região para potencializar o crescimento das iniciativas da biotecnologia?

Osvaldo Yantorno: As Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) são dia a dia mais importantes em termos de poder comunicar-se. Por exemplo, as videoconferências hoje são utilizadas em todas as reuniões, enquanto que antes estas reuniões eram presenciais.

Por outro lado, a internet possibilita que toda a informação gerada fique armazenada em diferentes páginas web. Pode-se chegar de melhor maneira à informação, assim como também realizar ações e divulgação. Dessa forma, toda a informação se maneja por meio das diferentes ferramentas que oferece a internet.