Costa Rica trabalha para aumentar a digitalização do setor de saúde

O desenvolvimento de um ambiente digital em um país requer um trabalho que inclua os mais diversos setores do aparato produtivo. Também é necessário que outras atividades relacionadas ao bem-estar da população, como educação e saúde, avancem na inclusão das tecnologias da informação e comunicação (TIC) em suas tarefas diárias.

Nesse sentido, o Ministério da Saúde da Costa Rica, juntamente com o Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e Telecomunicações (MICITT), desenvolveu uma estratégia para incorporar a digitalização ao sistema de saúde do país. O projeto propõe um trabalho que contempla os próximos três anos.

A iniciativa foi lançada a partir de um decreto emitido pelo poder executivo, que busca garantir que o país esteja alinhado às recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa forma, surge a necessidade de desenvolver ações e medidas para aumentar o uso das TIC na saúde progressivamente.

Dentro do conceito de Saúde Digital adotado pela Costa Rica, estão incluídas as disciplinas em que as revoluções digital e genômica convergem com o sistema de saúde e a saúde, como um todo. Esse projeto também representa a evolução do conceito de eHealth, cunhado no início do século com a aplicação da internet ao campo da saúde. Ambos os conceitos são usados ​​de forma intercambiável para designar as TIC aplicadas à gestão da saúde.

A abordagem que se busca através das TICs permite trabalhar com dados múltiplos e imensuráveis, conectando os indivíduos de uma forma inédita. Um dos objetivos almejados pelas autoridades é a análise eficiente das diferentes características genéticas dos pacientes, a fim de prevenir doenças e prever quais têm maior predisposição.

A partir do decreto, o Ministério da Saúde tem a possibilidade de gerenciar, proteger, manter e utilizar os dados de forma efetiva para gerar informações que melhorem a qualidade do atendimento. A intenção é que, com base nesses dados, possam ser geradas políticas, regulamentações e outras ações que impactem a saúde pública.

Da mesma forma, esse decreto possibilita o desenvolvimento da estratégia de saúde digital do país. A iniciativa demarca o norte a seguir pelos próximos 5 anos na saúde digital, considerando também as recomendações da OMS em sua estratégia de saúde digital 2020-2025. Além da criação do Comitê Técnico Assessor em Saúde Digital, que é formado por uma equipe interdisciplinar e interinstitucional, dos setores de saúde público, privado e misto do país.

Por sua vez, o MICITT, como órgão do governo focado em tecnologia, trabalhou principalmente na construção do Roteiro Digital para o setor de Saúde; e em questões como interoperabilidade, identidade digital e cibersegurança.

Esta primeira etapa institucional é um passo importante para aumentar a digitalização na sociedade. Agora, o setor pode contar com outros aplicativos e dispositivos que permitem o controle remoto de pacientes, ou melhorar as condições de atendimento nos centros de saúde. Mas, para realizar essas iniciativas, é preciso estimular o acesso à banda larga móvel no mercado.

A partir do desenvolvimento de tecnologias como a LTE e a 5G, será possível conectar um grande número de dispositivos capazes de transmitir grandes volumes de dados. Dessa forma, para que essas tecnologias sejam utilizadas adequadamente, é crucial que haja a quantidade de espectro necessária. Assim, é fundamental que as autoridades criem políticas que disponibilizem maiores porções do espectro radioelétrico para a indústria de serviços móveis, além de uma agenda com futuras licitações que permita planejar a implantação de redes.

Como pode ser visto, a iniciativa do governo da Costa Rica em relação à digitalização da saúde é muito positiva. No entanto, deve vir acompanhada de outras estratégias que possibilitem melhorar o acesso à banda larga no mercado para democratizar seu uso.