Costa Rica desenvolve capacitação em IoT para agricultores familiares

A digitalização da economia é uma estratégia colocada em prática por diversos países latino-americanos com o objetivo de ingressar na nova economia global. A capacitação tecnológica de diversos setores é um trabalho que deve ser realizado para potencializar essa estratégia.

Nesse sentido, o governo da Costa Rica implantou a segunda etapa do Agroinnovación 4.0. O objetivo é atender à demanda de capital humano avançado exigida pelo setor produtivo para promover a competitividade e a inovação nas áreas atendidas pelo Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

A iniciativa implantada pelo Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e Telecomunicações (MICITT, em espanhol), em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAG, em espanhol), busca promover o uso da Internet das Coisas na agricultura por meio da capacitação e apoio aos pequenos e médios produtores rurais, com o intuito de gerar as bases para a agricultura do futuro.

Na primeira etapa da iniciativa foi criado um cadastro de fornecedores nacionais com qualificação profissional para desenvolver um programa de Treinamento e Transferência de Tecnologia em Agricultura de Precisão para pequenos e médios agricultores. Esta iniciativa foi acompanhada por um Kit de Internet das Coisas (IoT) e do serviço de transmissão de dados baseado no protocolo de comunicação que garantem a conectividade de todos os beneficiários nas suas localizações geográficas além de permitir a interação remota dos processos com alcance superior a 2 quilômetros da antena receptora.

O objetivo dessa segunda etapa é para que diferentes grupos da agricultura familiar (cadastrados no Sistema de Informação do Cadastro de Pequenos e Médios Produtores Agropecuários, PYMPA, do Ministério da Agricultura e Pecuária) possam realizar atividades de capacitação. Um dos requisitos é que a área pertencente ao agricultor conte com um sistema de irrigação.

Ao oferecer às propriedades acesso a agrotecnologias, busca-se aumentar sua produtividade e competitividade. Além de proporcionar uma resposta mais efetiva do setor agrícola às complexas circunstâncias derivadas da pandemia. Assim, os testes pilotos do MAG mostraram valores superiores a 90% relativos a eficiência dos recursos hídricos, dobrando a produção por hectare, reduzindo o consumo de agrotóxicos em 80% por hectare, o custo de produção em 50% e reduzindo em 99% os níveis de micropoluentes.

Da mesma forma, a ajuda financeira que será implementada no futuro será utilizada para financiar a participação do beneficiário em treinamento e para adquirir o kit IoT para atender as qualificações exigidas para desempenhar atividades de valor agregado, melhorando a sua produtividade e aumentando a competitividade das áreas atendidas.

Os treinamentos oferecidos aos agricultores são: princípios de irrigação para agricultura de precisão; Sensores de irrigação IoT para agricultura de precisão; princípios de agroclimatologia e sensores climatológicos IoT para agricultura de precisão; sistemas de rede para agricultura de precisão usando tecnologias de Internet das Coisas baseadas no protocolo de telecomunicações de banda ultra-estreita LPWAN; e tecnologias de produção agrícola com o uso de sensores IoT e sua aplicação em sistemas de irrigação.

O valor destinado a cada candidato pode ser utilizado para treinamento, material didático, além de apoio e continuidade na transferência de conhecimento, incluindo três anos de armazenamento de dados e o kit IoT.

A iniciativa apresenta-se como uma alternativa para promover o desenvolvimento da digitalização na agricultura. No entanto, deve ser alavancada por outras iniciativas, como o aumento do acesso à banda larga móvel por meio de tecnologias como LTE ou 5G, que por suas características são ideais para promover o desenvolvimento da IoT em áreas rurais. Para isso, é importante que as autoridades disponibilizem porções maiores de espectro de rádio para o setor de telecomunicações.