Chile utiliza 5G para realizar mamografias remotas

O desenvolvimento do acesso à banda larga para abranger uma extensão maior do território de um país permite o avanço da digitalização de diferentes segmentos da economia e da sociedade. A partir da inclusão dos serviços de vendas pela Internet, passando pela teleducação e telessaúde, os países caminham para uma nova estrutura global.

Nesse sentido, o Ministério de Transportes e Telecomunicações do Chile (MTT), por meio da Subsecretaria de Telecomunicações (Subtel), anunciou o desenvolvimento da primeira mamografia em redes 5G realizada na América Latina, durante o mês de novembro de 2021. O evento aconteceu no Centro de Saúde Familiar Los Pajaritos, localizado na comuna de Maipú. A iniciativa contou com a participação das empresas: Movistar, ALLM e Telconsur.

O desenvolvimento da 5G permitirá avanços nos serviços de telessaúde em todo o país, permitindo que sejam monitoradas diferentes condições de saúde. Deve-se notar que, globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram notificados cerca de 2,2 milhões de casos de câncer de mama, enquanto no Chile uma em cada nove mulheres sofre da patologia, que detectada a tempo tem um alto índice de recuperação.

No país, as mamografias são realizadas por meio de “mamógrafos móveis”, que se deslocam para diferentes áreas distantes dos centros urbanos para realizar exames e armazenar dados de pacientes locais. Essas informações só podem ser transmitidas digitalmente quando esses dispositivos estão próximos de um hospital ou de um ponto onde possam obter uma conexão cabeada, o que muitas vezes atrasa o processo de informações e diagnósticos dos pacientes.

Mas a experiência recente mostrou que com a inclusão de um roteador , por meio de transmissão de dados em serviços de banda larga móvel, exames com imagens de alta definição podem ser enviados em um tempo máximo de 4 minutos. Desta forma, os mamógrafos móveis podem viajar para diferentes localidades e áreas rurais e enviar informações aos especialistas imediatamente. Isso acelera o tempo de controle e diagnóstico e reduz as chances de agravamento da doença.

A iniciativa é um sinal de que o uso da tecnologia é essencial para modernizar o setor da saúde, democratizando seu acesso e tornando mais eficiente seu alcance para a população. Assim, a tecnologia consegue transformar e descentralizar os serviços médicos, impactando positivamente na qualidade de vida dos cidadãos, fundamentalmente daqueles que vivem no meio rural.

De acordo com o MTT, durante 2019 o número total de serviços de telemedicina nos Serviços de Saúde foi de 75.671, enquanto em 2020, impulsionado pela pandemia, este número aumentou para 757.789, beneficiando assim um número maior de cidadãos.

Nesse quadro, o ministério espera que a 5G prepare a medicina para o futuro com assistência médica, exames e até cirurgias remotas em tempo real, há também um grande otimismo com o desenvolvimento de tecnologias como a Internet das Coisas e a disseminação do Big Data aplicado à tecnologia.

Para que essas iniciativas sejam implantadas de forma eficiente, é fundamental que as autoridades estimulem o desenvolvimento de tecnologias como a 5G. Particularmente, disponibilizando grandes porções do espectro de rádio para a indústria. Assim como a geração de agendas que permitam às operadoras ter previsibilidade sobre futuros leilões de espectro e planejar a instalação de rede de forma mais eficiente.

Como pode ser visto, a realização de uma mamografia remota usando 5G gera um marco importante no Chile. No entanto, é preciso dar continuidade ao trabalho de aumentar o acesso à banda larga móvel, a fim de promover o desenvolvimento da telessaúde.