Brasil tem aumento na quantidade de acessos à internet na área rural

Entre as responsabilidades que os Estados devem cumprir para se prepararem para alcançar melhores condições de digitalização, está a de consolidar os dados que possuem enquanto países. A partir de uma boa coleta de informações, pode-se diagnosticar e levar adiante as políticas necessárias para avançar para um novo cenário econômico global.

Nesse sentido, o Brasil prosseguiu com a pesquisa TIC Domicílios, que esteve a cargo do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e do departamento do Núcleo da Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). O trabalho de campo mostra que os lares com acesso à Internet nas zonas rurais do Brasil aumentaram 20 pontos percentuais, de 51% em 2019 para 71% em 2021. Além disso, as redes móveis representam 20% do total dos acessos à Internet nestas zonas, enquanto as de fibra ou a cabo equivalem a 39%.

Em contrapartida, nas áreas urbanas existiu um aumento de 8 pontos percentuais no mesmo período de tempo. A rede móvel, neste caso, representa um total de 17% dos lares, enquanto os serviços a cabo chegam a 64%.

Quanto à grande variação na quantidade de acesso em relação à pré-pandemia, ou seja, antes de 2019, foi a área rural que teve o maior crescimento. Porém, se compararmos o tipo de Internet das áreas urbanas com as rurais, podem-se observar diferenças significativas: nas primeiras, 2 em cada 3 domicílios possuem acesso à cabo, o que não acontece nas zonas rurais, em que a conexão a cabo é de 39%. Logo, podemos concluir que estas últimas zonas contam com maior presença de conexões móveis, seja por 3G ou 4G.

O levantamento demonstra que, durante 2021, 81% da população (cerca de 140 milhões de pessoas) maior de 10 anos usou a internet ao menos uma vez durante os últimos três meses. A pesquisa também revelou que houve aumento do ingresso na Internet nas classes D e E. Em comparação com os dados de 2019, a conexão nestes segmentos da população aumentou 11 pontos percentuais, chegando a 61% em 2021.

Outro dos pontos destacados no questionário é que os telefones móveis são os dispositivos mais utilizados para acessar a rede, representando 64% dos usuários de Internet. Trata-se de uma tendência iniciada em 2015 e que teve um crescimento de 6 pontos percentuais em relação à última pesquisa. Este indicador ganha força nas zonas rurais, onde chega a 83%, no Nordeste 75% e entre as classes econômicas D e E 89%. Outra novidade foi que as televisões ultrapassaram os computadores como o segundo dispositivo pelo qual a população acessa a internet.

Dessa forma, fica evidente que os dispositivos móveis são fundamentais para que a população brasileira possa acessar a Internet. Por esse motivo, é importante que existam políticas que levem as autoridades a estimular a indústria de telecomunicações a desenvolver redes de novas tecnologias.

A propagação do acesso da LTE e da 5G faz parte do trabalho das autoridades para que, assim, o país possa ter um avanço na economia digital. Para isso, é primordial que estratégias sejam empregadas para aumentar o acesso a maiores porções de espectro radioeléctrico na indústria, assim como para a criação de uma agenda de futuras licitações ou leilões que possibilite às operadoras planejar de maneira eficiente a instalação de suas redes.

Por fim, a coleta de dados por meio da estatística TIC Domicílios do Brasil permite às autoridades terem um mapeamento do acesso à Internet da população. Entretanto, é fundamental que se tome nota destas necessidades para poder implementar as políticas necessárias para ajudar o mercado a ter avanços no quesito digitalização.