Brasil segue com a formação de profissionais em TIC

O desenvolvimento de uma economia digital requer um trabalho constante dos setores público e privado para capacitar cada um dos mercados. A educação e a qualificação constante, tanto da população em geral quanto dos profissionais, é um passo extremamente necessário para avançar na corrida pelo aumento da digitalização no país.

Nesse sentido, o programa Residência em TIC, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, tem como foco a formação de recursos humanos nas áreas de tecnologias de informação e comunicação (TIC), e será ampliado para mais 15 mil alunos em 2023. O projeto já formou 40.000 profissionais que foram treinados no desenvolvimento de soluções para a indústria com o objetivo de alcançar a transformação digital no Brasil.

Com abrangência nacional, a iniciativa é realizada em 33 institutos de pesquisa e universidades de todas as regiões do país. Além disso, possui convênios com mais de 200 empresas do setor TIC. O programa é responsável por promover a inserção de alunos formados em universidades e instituições de ciência e tecnologia na realidade do mercado de trabalho para, assim, enfrentar os desafios da indústria e desenvolver soluções e terem experiências que não podem ser replicadas em sala de aula.

A ideia é que o programa dê a eles acesso para aprender com demandas e situações totalmente reais que acontecem em empresas ou instituições de ensino e pesquisa. Com base nas necessidades dessas empresas, são desenvolvidos diferentes desafios para os alunos resolverem, a fim de ajudar a gerar novos aplicativos.

Além disso, o programa tem o objetivo de reduzir o déficit de profissionais da área de TIC, que pode chegar a 500 mil indivíduos. No entanto, a iniciativa forma muito menos especialistas do que a indústria exige, já que as universidades e outras instituições de ensino não têm capacidade para instruir as pessoas com as habilidades necessárias. Por isso é necessário contar com métodos que aceleram a preparação dos futuros profissionais.

As áreas abrangidas pela Residência TIC são computação em nuvem, big data, segurança cibernética, Internet das Coisas (IoT), manufatura avançada, design de circuito integrado, robótica, inteligência artificial (IA), processamento de dados e automação de testes de software.

Com esta nova fase do programa, vão ser atendidos estudantes dos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Prevê-se que será possível capacitar 15 mil pessoas no país, deixando-as preparadas para as demandas da indústria.

Dessa forma, percebe-se que a geração de capital humano para o desenvolvimento da indústria de TIC é uma meta almejada pela maioria dos países da América Latina. Portanto, uma estratégia positiva para o mercado brasileiro é preparar os alunos para atender às demandas do setor. No entanto, essa iniciativa deve vir acompanhada de outros projetos que permitam avançar na digitalização da população, principalmente os que levam um maior acesso de banda larga para o mercado.

Em particular, é crucial que haja o desenvolvimento de tecnologias de banda larga móvel, que por suas características possibilitam o atendimento de parcelas maiores da população, principalmente em áreas rurais ou distantes dos grandes centros urbanos. Dessa forma, a LTE e a 5G apresentam-se como excelentes alternativas, uma vez que permitem o acesso a altas velocidades e robustez de dados.

Para impulsionar esse crescimento, é necessário que as autoridades disponibilizem maiores porções do espectro radioelétrico para o setor de telecomunicações. Assim como, que criem uma agenda com os futuros leilões de espectro que permitam às operadoras planejar com eficiência a implantação de suas redes.

Em suma, o programa de Residência em TIC é positivo para que o mercado brasileiro consiga aumentar o número de profissionais de TIC, melhorando as condições produtivas da indústria. Porém, é preciso trabalhar também o acesso à banda larga no mercado para garantir o sucesso do projeto.