Brasil incentiva o interesse das meninas em carreiras de TIC

A construção de uma sociedade digital requer um capital humano capaz de realizar as tarefas necessárias para essa nova economia. Paralelamente, o trabalho para reduzir a brecha digital de gênero é uma alternativa positiva para disponibilizar uma mão de obra maior.

Nesse sentido, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) do Brasil, por meio da Superintendência de Relações com Consumidores, deu um novo passo para o desenvolvimento de projetos e acordos que estimulem a aquisição de habilidades digitais por parte dos brasileiros no contexto de conectividade significativa, especialmente focado em meninas e jovens mulheres.

Trata-se de um acordo do regulador com o “Americas Girls Can Code”, uma iniciativa da União Internacional de Telecomunicações (UIT) com o apoio da empresa Meta. O objetivo é despertar o interesse das mulheres pelo estudo de carreiras na área de tecnologia.

A iniciativa é liderada pelas escolas associadas ao Projeto Meninas.com da Universidade de Brasília (UnB). As instituições participantes devem coordenar o projeto para as jovens interessadas em participar dos cursos de “Lógica de programação, linguagens e aplicativos” e “Algoritmos: Fundamentos e Aplicações”. Dessa forma, o projeto visa à inclusão de meninas em escolas públicas do Distrito Federal.

A ação também irá premiar as escolas que tenham o maior número de meninas inscritas. Para ter acesso a esses benefícios, é necessário que haja pelo menos 30 participantes por curso. Assim, as três instituições de ensino com o maior número de alunas com cursos concluídos receberão dispositivos e kits para equipar ou montar laboratórios, aumentando assim o incentivo e o interesse das meninas pela tecnologia.

Para que essas iniciativas possam perdurar ao longo do tempo e manter o interesse das jovens nas TIC para além do ambiente educacional, é muito importante que as autoridades brasileiras trabalhem para aumentar o acesso a serviços de banda larga entre a população, especialmente os de banda larga móvel, que, devido às suas características, possibilitam que uma parcela maior da população tenha acesso à tecnologia.

Nesse sentido, ferramentas como a LTE e a 5G oferecem não apenas a oportunidade de levar serviços de banda larga a uma maior parcela da população, mas também de impulsionar o desenvolvimento de outros mercados verticais. Portanto, é importante que as autoridades brasileiras implementem políticas que facilitem o desenvolvimento desse tipo de serviço.

Entre essas iniciativas, destaca-se o lançamento de licitações de espectro radioelétrico para o setor de serviços de banda larga móvel, bem como a criação de uma agenda com as futuras faixas que serão disponibilizadas no mercado, permitindo que as operadoras planejem de forma eficiente a expansão das redes.

Além disso, é necessário reduzir os obstáculos burocráticos que afetam o mercado ao implantar infraestrutura de telecomunicações. Deve-se implementar as melhores práticas internacionais para estimular a indústria a desenvolver novas tecnologias.

Deste modo, é necessário colocar em prática políticas como a criação de uma norma nacional que permita à indústria conhecer as demandas de diferentes níveis do Estado, simplificando assim a burocracia de licenças. Da mesma forma, é necessário implementar o conceito de janela única de trâmites para facilitar o desenvolvimento de redes pelas operadoras.

Como se pode observar, os programas de estímulo para que jovens mulheres e meninas se interessem por estudos relacionados à tecnologia são importantes para a digitalização do Brasil. No entanto, também é necessário implantar políticas que busquem expandir a banda larga no mercado.