Brasil desenvolve armazenamento digital de coleções públicas

A digitalização dos órgãos do Estado tem como parte fundamental conservar os documentos e arquivos que pertencem às diferentes instituições. A capacidade de armazenar esses ativos torna-se uma ferramenta importante ao implementar as estratégias de e-governo.

Nesse sentido, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) criou um modelo que é utilizado por diversos órgãos públicos para o armazenamento virtual de arquivos e documentos digitais. Através da implementação de Repositórios Arquivísticos Digitais Confiáveis (RDC-Arq), o Hipátia começou a ser desenvolvido em 2018 através de uma parceria entre o Ibict e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que buscava uma forma de digitalizar as edições do Diário da Justiça Eletrônico – DJe.

Ao longo dos anos, o modelo passou por aprimoramentos que minimizam vulnerabilidades e possibilidades de ataques cibernéticos, tornando-se mais seguro e uma ferramenta importante para a preservação do armazenamento público online.

Dessa forma, o Hipátia é um instrumento essencial para a modernização do Estado e a conservação dos registros públicos. Manter documentos, arquivos e outras informações em repositórios com essa plataforma é uma forma eficaz e segura de preservar a história do Brasil e de suas instituições. A implementação também permitirá a transferência de conhecimento para as futuras gerações.

O Hipátia recebe esse nome em homenagem a uma matemática e filósofa que viveu em Alexandria entre 350 e 415 a.C. Devido ao seu importante papel na definição de novos paradigmas da época, seu legado foi apagado dos registros históricos e sua história chegou até nós graças à recuperação de suas obras. Assim, a plataforma desenvolvida pelo Ibict leva seu nome para destacar a importância de um repositório de arquivo digital confiável para a preservação da memória institucional.

Além disso, o TJDFT também utiliza o Hipátia, assim como o Arquivo Nacional, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o Tribunal de Justiça de Rondônia, os 24 tribunais regionais do trabalho em todo o país, além do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho.

No entanto, para que essas informações possam ser aproveitadas pela população, é necessário que as autoridades trabalhem em políticas que visem aumentar o acesso à banda larga na população. Especialmente em serviços móveis, que devido às suas características possibilitam a implantação em áreas rurais e distantes dos grandes centros urbanos.

Em especial, através de tecnologias como a LTE e a 5G, que permitem oferecer acesso de alta velocidade e dados robustos a uma parcela maior da população. Para potencializar sua adoção, é necessário disponibilizar à indústria de telecomunicações maiores porções de espectro radioelétrico. Da mesma forma, é essencial gerar agendas com as futuras licitações de espectro, que permitam que as operadoras planejem de forma eficiente a expansão das redes.

No mesmo sentido, é preciso reduzir as burocracias que dificultam a implantação de redes de telecomunicações. A criação de uma única norma que agregue as demandas dos diferentes órgãos do Estado envolvidos no momento da implantação das redes é uma das medidas que se enquadra nas melhores práticas internacionais. Da mesma forma, é importante gerar o conceito de janela única de trâmites, de forma que as operadoras possam ter um único interlocutor em nível estadual para facilitar os procedimentos.

Como pode-se observar, a iniciativa de digitalizar os arquivos do Estado para ter um repositório é muito positiva para o Brasil. No entanto, deve ser acompanhada por outros projetos que busquem aumentar o acesso à banda larga na população.