Brasil apela para aplicativo para combater a Zica Vírus

O surto da Zica Vírus que aconteceu no Brasil no final de 2015 e início de 2016 levou o Governo brasileiro a reforçar os mecanismos de precaução a fim de evitar a extensão da doença para a população. Entre as opções de combate ao vírus, o Governo apelou para a inclusão das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), que formaram parte de uma série de medidas desenvolvidas em conjunto pelos diferentes ministérios.

A principal iniciativa neste sentido foi levada adiante por meio de um aplicativo: o “0800 Saúde”, que fornece informação útil sobre o vírus da Zica, entre outras, como as causas da doença e sua relação com os casos de microcefalia em recém nascidos. O aplicativo também tem orientações sobre como combater o mosquito Aedes Aegypti, transmissor das doenças Zica, Dengue e Chikunguya.

A ferramenta foi desenvolvida pela Qualcomm em colaboração com os Ministérios da Saúde e das Comunicações. Permite a geolocalização de vários serviços oferecidos na área da saúde pública, como postos do Sistema Único de Saúde (SUS) e farmácias populares mais próximas para obter medicamentos gratuitos.

O acesso ao aplicativo é gratuito para toda a população, ou seja, não é cobrado pelo download de dados móveis utilizados para a utilização e acesso ao aplicativo. Segundo informou o Ministério das Comunicações, o pacote de dados não é computado quando se busca o serviço, já que as operadoras de alcance nacional (Claro, Oi, TIM e Vivo) arcarão com os dados de acesso de cada cliente. O download poderá ser feito para sistemas operacionais Android e IOS.

O objetivo de uso deste tipo de aplicativo, entre as diversas opções, é aumentar a quantidade de pessoas com acesso à informação. Para este fim, além dos meios tradicionais, os aplicativos funcionam através da Internet móvel, e assim atinge um grupo importante de pessoas por meio de seus smartphones. O aplicativo conta com permanente atualização e melhorias constantes, além da inclusão de todas as notícias geradas a respeito da doença.

O Ministério da Saúde destaca a importância de oferecer informação clara para a população. Neste sentido, ressalta-se que o aplicativo conta com uma linguagem clara, além de ser seguro e possuir capacidade de se atualizar.

A Zica Vírus foi identificada pela primeira vez em Uganda (África) em 1947 em espécies de macacos Rhesus; mais tarde, em 1952, foi identificada em seres humanos em Uganda e na República Unida da Tanzânia. Desde então, têm havido surtos deste vírus na África, Américas, Ásia e Pacífico. O agente transmissor é o mosquito Aedes Aegypti. Os sintomas da Zica são febre muito alta, erupção cutânea e conjuntivite, que duram em média entre 2 e 7 dias.

Até o momento não existem vacinas, ou tratamentos específicos para esta doença, o foco está na prevenção. Para isto, busca-se combater as picadas de mosquito, assim como os lugares onde se reproduzem.

Os surtos da doença na Polinésia Francesa (2013) e no Brasil (2015), permitiram que as autoridades sanitárias nacionais detectem potenciais complicações neurológicas e autoimunes da doença pelo vírus da Zica. Recentemente, no Brasil, as autoridades sanitárias locais têm observado um aumento de infecções por este vírus na população geral, assim como um aumento de recém nascidos com microcefalia no nordeste do país.

A possibilidade de gerar microcefalia em recém nascidos alertou o Governo do Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, em 5 de março de 2016 foram investigados 4.321 casos desta doença, ou com alterações similares do sistema nervoso. Desde o início da pesquisa, foram identificados 6.158 supostos casos com esta anomalia. Ainda assim, o pacote de precauções do governo alterou os parâmetros de tamanho da medição cefálica para meninos, meninas e pré-maturos para identificação da doença, estas mudanças foram sugeridas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e têm como objetivo respeitar os padrões mundiais.

A implementação do aplicativo recuperou outro debate do setor no país: Rating Zero. O acesso gratuito às ferramentas de utilidade pública, entre as que se incluem saúde, foi um dos argumentos utilizados pelo Facebook para justificar seu programa de inclusão digital Internet.org. Neste momento, o modelo foi criticado por diferentes ativistas com o argumento de que buscava criar um modelo de negócio que favoreceria a rede social em função de outras ferramentas de inclusão digital.

Neste sentido, o governo do Brasil ignorou a discussão realizada, em grande parte, em 2015, depois de favorecer o acesso à Informação sobre o vírus para a maioria da população. A iniciativa considerou que mais pessoas no país podiam acessar o aplicativo, portanto o acordo com as operadoras móveis para download e uso não têm nenhum custo para o usuário.

Além desta ação, o Governo brasileiro já havia implantado uma séries de iniciativas associadas às TIC para combater o surto de doenças. Criou a campanha #ZicaZero, voltada para as redes sociais com objetivo de buscar reforçar a campanha informativa sobre a doença e prevenção em andamento em outros meios. Além disso, a secretaria de Telecomunicações do Ministério de Comunicações enviou 13 SMS para linhas móveis das principais operadoras com recomendações para combater o mosquito Aedes Aegypti.

Estas iniciativas, bem como a implantação do aplicativo, foram parte de um plano maior, implantado pelo Governo brasileiro, com uma série de ações conjuntas, incluindo os vários ministérios. Assim, a medida é acompanhada por uma série de políticas públicas, como o aumento do orçamento para combater a doença e campanhas de dedetização de domicílios, realizadas por vários ministérios do Brasil com o objetivo de minimizar possíveis casos de Zika no país.

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