Bolívia mostra resultados dos Centros de Capacitação e Inovação Tecnológica

A formação da população em diferentes competências relacionadas às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) é um trabalho que deve ser realizado pelos países que se preparam para entrar na economia digital. Sua implementação vai desde a formação por meio de mecanismos de educação formal, como escolas e universidades, até cursos oferecidos pelo Estado ou alguma educação informal.

Nesse sentido, a Agência de Governo Eletrônico e Tecnologias da Informação e Comunicação (AGETIC) da Bolívia implantou o projeto dos Centros de Capacitação e Inovação Tecnológica (CCIT), tanto em áreas rurais quanto urbanas, com o objetivo de democratizar o acesso à tecnologia. Em sua primeira leva, a iniciativa conseguiu formar 329 pessoas que foram capacitadas em robótica.

Os cidadãos formados foram jovens das comunidades de Tacopaya, Tapacarí e Arque Pongo K’asa. Eles completaram 32 horas acadêmicas que credenciam o conhecimento necessário em tecnologia. Essa é uma ação de grande importância para a AGETIC, que busca formar a juventude do país nas áreas de ciência e tecnologia, já que esses cursos visam gerar capacidades de acordo com as necessidades atuais do mercado de trabalho, relacionadas ao setor.

Esses cursos são de acesso público e totalmente gratuitos para a população boliviana. Esse é um dos benefícios pelo qual a AGETIC trabalha, visando democratizar o acesso à tecnologia na Bolívia. Porém, para que tenham uma implantação positiva, é necessário que as autoridades também trabalhem no desenvolvimento da banda larga no mercado, principalmente nos serviços móveis, que por suas condições podem atender áreas rurais e distantes dos grandes centros urbanos.

Dessa forma, será possível aumentar o mercado consumidor de tecnologias móveis na Bolívia, que por sua vez exigirá mais e melhores serviços no ramo e permitirá que esses jovens recém-formados tenham um local para colocar em prática seus conhecimentos.

Dentro dos serviços de banda larga móvel, tecnologias como LTE e 5G permitirão chegar às áreas não alcançadas por redes cabeadas com altas velocidades e dados robustos. Por isso, é importante que as autoridades bolivianas criem as condições para que a indústria possa realizar esses serviços.

Nesse sentido, são consideradas as iniciativas que buscam aumentar a quantidade de espectro radioelétrico disponível para os serviços de banda larga móvel. Deve-se destacar que serviços como a 5G requerem  bandas baixas, médias e altas, assim como a geração de uma agenda com futuros leilões de espectro radioelétrico que permitam às operadoras planejar a implantação de novas redes.

Com o mesmo objetivo, é necessário que as autoridades implementem políticas que reduzam os entraves burocráticos existentes na implantação da infraestrutura de telecomunicações. A criação de uma norma que agregue as diferentes demandas do Estado é uma das principais medidas a serem tomadas, assim como a criação do conceito de guichê único, que facilita a implantação de novas tecnologias pelas operadoras.

É necessário que as autoridades possam reduzir as cargas tributárias que pesam sobre os dispositivos de acesso, além de melhorar a acessibilidade da tecnologia na população, essa medida serviria para promover a Internet das Coisas (IoT) reduzindo o preço dos dispositivos inteligentes.

Como pode ser visto, a iniciativa AGETIC na Bolívia é muito importante para que os jovens possam ter mais ferramentas de TIC. No entanto, devem ser acompanhadas de outras políticas que permitam aos operadores melhorar o acesso à banda larga móvel por parte da população, de forma a terem maior sucesso na sua implementação.