Bolívia implanta cursos de robótica para adolescentes e meninas

O trabalho realizado pelos países diante da digitalização de sua economia e sociedade exige uma abordagem que inclua diferentes setores. Entre eles, a educação, tanto formal, quanto os cursos abertos ao público, que se tornam uma ferramenta fundamental para alavancar o desenvolvimento do país.

Nesse caminho, a AGETIC boliviana em parceria com o UNICEF desenvolveu a segunda versão do projeto “RobóTICAs”. O objetivo desta iniciativa é desenvolver cursos de formação na modalidade virtual que contenham conceitos básicos de robótica para meninas e adolescentes entre 7 e 18 anos em todo o território nacional.

Esta é a segunda edição do curso, cuja primeira experiência incluiu uma convocação para 1.505 meninas e adolescentes de todo o país, que se inscreveram para cursarem virtualmente. Com base em diferentes critérios de seleção, 800 meninas e adolescentes de toda a Bolívia foram contempladas com bolsas de estudo, para que pudessem participar de cursos virtuais de programação voltados para robótica e eletrônica.

Posteriormente, as jovens participaram de laboratórios móveis nos municípios onde foram apresentados os 100 melhores projetos. Nesta etapa da iniciativa, são convidados adolescentes de 15 a 18 anos que cursam o quarto, quinto e sexto ano do ensino médio na Bolívia.

O projeto faz parte do Programa de Redução de Exclusão Digital, seu desenvolvimento está no marco do ano da Revolução Cultural para a Despatriarcalização. A iniciativa busca melhorar as condições de acesso à tecnologia para meninas, mulheres e adolescentes bolivianas.

Assim, a iniciativa apresenta-se não só como uma ajuda para aumentar a digitalização no mercado, mas também com objetivo de equidade de gênero, uma vez que visa capacitar meninas e jovens no desenvolvimento de novas tecnologias. No entanto, para otimizar a digitalização da sociedade, é necessário que as autoridades trabalhem para aumentar o acesso aos serviços de banda larga.

Em especial, os serviços de banda larga móvel que, pelas suas características, permitem que uma maior parcela da população tenha acesso de forma mais rápida e econômica. Tecnologias como LTE e 5G se apresentam como as mais indicadas para fornecer serviços robustos de alta velocidade para a população.

Para estimular esses projetos, é necessário que as autoridades bolivianas disponibilizem maiores porções do espectro de rádio ao setor de telecomunicações. Assim como a geração de uma agenda com licitações futuras de espectro que permite às operadoras planejarem com eficiência a implantação de novas redes.

Nessa mesma direção, tornam-se importantes as políticas realizadas pelas autoridades na redução dos entraves burocráticos que pesam no desenvolvimento das redes de telecomunicações. A geração de uma lei única que possibilite agregar as demandas dos diferentes níveis do Estado é essencial nesse sentido. Bem como a criação do conceito de balcão único de procedimentos, que reduz o número de interlocutores que as operadoras têm para assim simplificar os processos de obtenção de licenças.

Outra política a ser considerada pelas autoridades é a redução da carga tributária sobre serviços móveis e dispositivos de acesso. O objetivo desse tipo de medida é aumentar a acessibilidade dos serviços, possibilitando o acesso a um maior número da população.

Como pode ser visto, a iniciativa das autoridades bolivianas é uma opção positiva para aumentar a digitalização da sociedade, bem como para empoderar mulheres no acesso à tecnologia. No entanto, precisa vir acompanhada de uma estratégia que busque aumentar o acesso à banda larga no mercado.