As TICs farão parte de muitos modelos de negócios na pós-pandemia

Entrevista a Rafael Arbizu, vice-gerente de telecomunicações da Superintendencia General de Electricidad y Telecomunicaciones (SIGET).

O desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) moldou a possibilidade de que muitas atividades econômicas permanecessem ativas durante os momentos mais difíceis da pandemia provocada pela Covid-19. Da mesma forma, espera-se que na pós-pandemia, as tecnologias continuem a ser uma ferramenta fundamental para melhorar as condições de vida dos cidadãos e a produtividade dos diferentes setores.

Rafael Arbizu, vice-gerente de telecomunicações da SIGET

Sobre esses assuntos, o Brecha Zero conversou com Rafael Arbizu, que é vice-gerente de telecomunicações da Superintendencia General de Electricidad y Telecomunicaciones (SIGET). Engenheiro Eletrônico formado pela Universidade Centro-americana “José Simeón Cañas” (UCA), possui Mestrado em Administração de Empresas (MBA) pela Universidade Autônoma de Barcelona, possui vasta experiência no setor público atuando na administração pública na SIGET

Brecha Zero – Qual a importância das tecnologias móveis para a economia dos países emergentes diante da pandemia provocada pela Covid-19?

Rafael Arbizu – Globalmente, foi possível verificar a importância das diferentes tecnologias que permitiram manter a conectividade, principalmente para dar continuidade às atividades educacionais e de trabalho. Particularmente em El Salvador, as tecnologias móveis permitiram manter as pessoas conectadas em áreas onde ainda não existe uma implantação madura de redes fixas. A versatilidade das tecnologias móveis permite a implantação rápida de mais serviços, no entanto, é sempre um desafio para todos os países conquistarem a atração dos investimentos das empresas para aquelas zonas que não contam com atratividade econômica.

Brecha Zero – Que oportunidades as TICs apresentam para ajudar as economias da região a progredir na pós-pandemia?

Rafael Arbizu – As TICs se fortaleceram durante a pandemia, pois permitiram abrir novas formas de realizar negócios e fazer prosperar a economia de algumas regiões, apesar da complexa situação gerada pela COVID-19. É importante notar que na maior parte do mundo a fase pós-pandemia ainda não foi considerada como tendo sido atingida, no entanto, muitos modelos de negócios, por meio das TIC, vieram para ficar, como vendas online, serviços de delivery , treinamento online , consultoria, educação, entre outros.

Brecha Zero – Quais setores você acha que terão uma melhor adaptação ao novo cenário global e qual será a influência dos serviços de telefonia móvel?

Rafael Arbizu – Os setores do comércio online e da educação são aqueles que já conseguiram ganhar espaço neste contexto de pandemia e à medida que forem retiradas as restrições à mobilidade nos países, os serviços de telecomunicações móveis terão um papel relevante; É crescente a necessidade de poder levar cobertura desses serviços para aquelas áreas, onde antes da pandemia, eram limitadas a níveis onde apenas serviços de voz e dados de muito baixa velocidade eram fornecidos, e agora, é importante que elas possam desfrutar de níveis e índices de qualidade semelhantes aos de áreas densamente povoadas.

Brecha Zero – Que iniciativas a SIGET está realizando para promover o desenvolvimento dos serviços 5G em El Salvador?

Rafael Arbizu – A SIGET, sendo a entidade responsável pela gestão e administração do espectro radioelétrico, está em constante sintonia com organismos internacionais que permitem a identificação de faixas de espectro para novos serviços e tecnologias. Para o caso específico dos serviços 5G, estão em curso diferentes ações que permitirão a utilização das bandas espectrais identificadas para estes serviços, esperando-se que, a curto prazo, quantidades significativas de espectro possam ser disponibilizadas as operadoras, que se espera sejam transformados em novos serviços de telecomunicações com maiores capacidades e benefícios para os usuários.

Brecha Zero – Espera-se que a 5G tenha entre seus modelos de negócios a conectividade de diferentes dispositivos com a Internet das Coisas (IoT). Quais etapas você deu ou planeja tomar para aprimorar essas tecnologias?

Rafael Arbizu – O marco regulatório está em permanente revisão, com o objetivo de identificar e atualizar as leis e regulamentos que permitem o desenvolvimento das telecomunicações com benefícios para todos os envolvidos. Sem dúvida, a Internet das Coisas e todo o seu ambiente para a implantação deste tipo de serviços representam um desafio para todas as administrações, uma vez que devem buscar um ecossistema e regras claras para todos, tendo o usuário como ator central, para que seus direitos sejam respeitados além da promoção de uma concorrência saudável entre as diferentes operadoras.

Brecha Zero – Nesse sentido, quais tipos de mercados verticais desenvolvidos na SIGET você vê mais apto a adotar tecnologias como a IoT?

Rafael Arbizu – A SIGET é uma entidade baseada na neutralidade tecnológica, porém, sabe-se que atualmente existe uma grande demanda pela utilização de faixas do espectro não licenciadas para a implantação de serviços relacionados à IoT.