As TICs desempenham um papel fundamental no setor produtivo do país

Entrevista com Martín Olmos, Subsecretário de Tecnologias da Informação e Comunicação da Argentina.

A pandemia desencadeada pelo Covid-19 apresentou uma série de desafios para os governos da América Latina. Entre esses desafios está o de depender de uma infraestrutura que permita às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) ajudar a manter a produtividade, melhorar as condições de saúde e a educação dos cidadãos.

Martín Olmos, Subsecretário de Tecnologias da Informação e Comunicação

Sobre essas questões, o Brecha Zero conversou com Martín Olmos, Subsecretário de Tecnologias da Informação e Comunicação. Formado em ciências políticas pela Universidad Católica Argentina, possui mestrado em políticas públicas pela Universidade George Washington e especialização em ciência de dados no Instituto Tecnológico de Buenos Aires. Além disso, é docente de ciência de dados na Facultad de Ciencias Sociales na UBA. No passado, Martín atuou como diretor executivo do Instituto Ciudad e atuou como consultor de ciência de dados da CAF e chefe regional da ANSES (CABA).

Brecha Zero: Como as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), especialmente as relacionadas à conectividade ajudam a Argentina a enfrentar a crise provocada pela pandemia da Covid-19?

Martín Olmos: Devido ao isolamento social preventivo e obrigatório ditado pelo Governo Nacional, foi iniciado um esforço conjunto de trabalho com a ENACOM e a ARSAT, na qual participaram todos os atores do setor envolvidos na conectividade do país: das empresas de telefonia, banda larga móvel e fixa às cooperativas. Todas ofereceram cooperação e disposição para garantir que todo e qualquer argentino tenha acesso a conexão necessária para assegurar a realização de suas tarefas nessa situação.

Esse isolamento social preventivo e obrigatório pelo qual estamos passando revelou como as tecnologias da informação e comunicação desempenham um papel fundamental no setor produtivo do país, pois fornecem a conectividade necessária para o teletrabalho e diferentes instituições educacionais  que implementaram a educação a distância, por exemplo. Nosso trabalho é monitorar as demandas da rede para garantir a conectividade em todo o país, além de continuar trabalhando para expandir a conectividade para toda a Argentina, porque entendemos que ainda há um longo caminho a ser percorrido nesse sentido.

Brecha Zero: Quais foram as principais atividades implementadas pela Subsecretaria de Informação e Comunicação para enfrentar esta crise?

Martín Olmos: Em conjunto com a ENACOM, acordamos com as operadoras de telefonia móvel o bônus do serviço de dados para o uso da plataforma “Seguimos Educando” (Continuamos a educar), lançada pelo Ministério da Educação para que alunos e alunas de todo o país possam dar continuidade aos estudos. Sabendo que a grande maioria se conecta por meio de telefone celular, a Cero rating (Zero rating, um acordo de não cobrança de dados utilizados) é voltada para alunos que acessem plataformas educacionais. É uma decisão que causa um grande impacto na população que precisa de medidas concretas. O bônus no serviço de dados também foi estendido para o uso das plataformas educacionais de várias universidades nacionais. Também foi acordado com as operadoras de telefonia móvel um bônus no serviço de dados para o uso do aplicativo Coronavírus, desenvolvido pelo Ministério da Inovação Pública, uma ferramenta de autoavaliação para os cidadãos.

No que diz respeito, estritamente, à infra-estrutura de rede, junto à ENACOM foram firmados acordos de compartilhamento e assistência mútua entre as principais operadoras que fornecem acesso a Internet no caso de gargalos gerados pelo aumento do tráfego de dados além da ampliação das chamadas realizadas para números de emergência. Por causa disso tudo, o Decreto 311/2020 do Poder Executivo ordenou a proibição do corte de serviço por falta de pagamento para população vulnerável e pequenos estabelecimentos econômicos, razão pela qual trabalhou na regulamentação para garantir pelo menos o acesso básico a essa parcela da população.

Além disso, em conjunto com o Ministério da Inovação Pública liderado por Micaela Sánchez Malcolm, foram desenvolvidos painéis de monitoramento para as autoridades, aplicativos e chatbots para cidadãos, recomendações e ferramentas para trabalho remoto, entre outras ações.

Brecha Zero: Quais setores (saúde, educação, governo, agricultura, trabalho) foram melhor adaptados ao uso das TIC para enfrentar o isolamento social?

Martín Olmos: Hoje é difícil fazer essa avaliação. No entanto, essa crise deixou clara a necessidade de continuarmos avançando na digitalização e incorporação das TICs em todos os setores econômicos e também no setor público.

Brecha Zero: Quais desafios tiveram que ser realizados em todo o país para melhorar as condições de conectividade dos habitantes?

Martín Olmos: Um primeiro desafio foi relacionado às redes de dados móveis e fixas para suportar o aumento do tráfego. Nesse sentido, vemos que, por enquanto, o desafio está sendo superado com sucesso.

Um segundo desafio está relacionado ao fato de cidadãos e empresas continuarem conectados durante esta crise como pré-requisito na continuação do desenvolvimento de suas atividades diante das dificuldades econômicas geradas pelo COVID-19. Nesse sentido, o governo está tomando medidas para enfrentar esse desafio, alguns dos quais foram mencionados anteriormente.

Um terceiro desafio é fazer com que outros setores possam tirar proveito das TIC para continuar desenvolvendo suas atividades. Aqui vemos que diferentes setores foram preparados de maneiras diferentes, mas todos os setores estão fazendo um esforço de adaptação muito importante que formará a base para o aprofundamento das estratégias de digitalização, uma vez superada a pandemia.

Brecha Zero: Qual a importância das tecnologias móveis para garantir a conectividade em diferentes setores?

Martín Olmos: A importância das tecnologias móveis é superlativa, pois é a tecnologia de informação e comunicação mais amplamente adotada, principalmente nos setores mais vulneráveis. 

Brecha Zero: Que lições foram aprendidas com a crise causada pela pandemia até agora?

Martín Olmos: Além das demandas e tarefas do nosso setor, a situação pela qual passamos nos deixa uma grande lição: um trabalho coordenado entre todos é o caminho. É algo que sempre deixamos claro, como será feito em nossa administração, acreditamos que os problemas devem ser abordados em uma mesma mesa com todos os atores.