“As comunicações móveis energizam o fluxo de capital em uma escala multidimensional”

Entrevista J. Eduardo Rojas, Presidente Executivo da Fundação REDES, Bolívia. Parte II

A discussão porque o tipo de ferramenta é necessário para reduzir o fosso digital em cada um dos países abrange os diferentes setores que compõem a sociedade. Desde o governo, passando pelo setor privado, a comunidade acadêmica, até as associações civis, deve participar do debate para aumentar as oportunidades de acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

J. Eduardo Rojas, Presidente Executivo da Fundação REDES, Bolívia.

Nesse sentido, a Fundação REDES da Bolívia busca articular e promover processos de desenvolvimento sustentável em todos os níveis da sociedade. Sobre o trabalho da fundação e a importância do desenvolvimento das TIC naquele país, o Brecha Zero conversou com J. Eduardo Rojas, seu Presidente Executivo.

Rojas é o fundador do Capítulo Boliviano da Internet Society 2010. Com formação em Sociologia, mestrado em Comunicação e Desenvolvimento, é especialista em construção da Sociedade da Informação. Ele também é um autor global do conceito de Violência Digital com reconhecimento da ONU, da OEA e da União Europeia.

Brecha Zero: Quais mercado verticais (saúde, segurança, trabalho etc) observa que tiveram maior influencia no uso das TIC?

J Eduardo Rojas: Quem não usa computador ou celular nas áreas de Saúde, Educação e Trabalho? O Estado não precisa assumir a responsabilidade pela emergência “voluntária” do consumo digital estabelecida nas despesas diárias de cada cidadão boliviano. As instituições públicas centrais têm despesas em seus orçamentos para a compra e manutenção de seus equipamentos tecnológicos e de telecomunicações. Instituições públicas locais (municípios e províncias) aprendem a incorporar esses itens em seus Orçamentos Anuais de Operações. É uma questão de tempo, para mentes técnicas criativas e a cultura de compras públicas, incorporar itens relacionados à gestão de conteúdo e produção, bem como o surgimento de uma economia digital boliviana. Claramente, os investimentos nos Programas de Educação e TIC são visíveis, em cuja gênese participa justamente a Rede TICBolivia.

Brecha Zero: Quais são as iniciativas realizadas pelo Red TIC para que os bolivianos possam aproveitar a vida cotidiana dos cidadãos?

Eduardo Rojas: Desde 2003, a TICBolivia consolidou uma rede de mais de 26 atores multisetoriais que trabalham em 7 de 9 departamentos do país. Temos desenvolvido experiencias em campo do uso das TIC para o desenvolvimento, TIC e agricultura, TIC e educação e para TIC para governabilidade. Temos sustentado conversas com autoridades nacionais e influenciado em várias das políticas públicas sendo a mais relevante a ETIC e o programa NTIC do Ministério de Educação. Além disso, temos desenvolvido software, jogos online e materiais didáticos educativos endossados pelo Ministério de Educação. Atualmente, a TICBolivia atravessa um processo de reestruturação profundo para buscar a sustentabilidade, liderado pela Fundação REDES em qualidade do Presidente Diretivo.

Brecha Zero: Qual a importância considera que as tecnologias de Banda Larga Móvel possuem no uso cotidiano das TIC para os Bolivianos?

Eduardo Rojas: Em 2012 tive a oportunidade de realizar o estudo sobre projeções e potencialidades do mercado de telecomunicações móveis na Bolívia, junto com a Unesco, Colnodo e TIC Bolivia. E avisaremos: as comunicações móveis dinamizam o fluxo de capital a escala multidimensional, que implica:

  • Despesas individuais para consumo de Megas ou ligações móveis;
  • fluxo de caixa individual-empresa (Fornecedor);
  • fluxo de caixa usuário-empresa / desenvolvedor;
  • fluxo de caixa nacional – empresas transnacionais.
  • Retorno individual ou despesa / consumo de telefonia e internet móvel.

Dada essa clara visualização do modelo de negócios orientado para o “consumo” e o “gasto diário”, a Fundação REDES tem focado sua atenção nos “usos sociais” e “regalias” do consumo de telefonia móvel e internet, gerando uma enorme quantidade de evidências – internacionalmente reconhecido – no campo da # cidadania e #ViolenciaDigital.

Brecha Zero: Quanto aporta a banda larga móvel no desenvolvimento socioeconômico da Bolivia?

Eduardo Rojas: Em 2014 e 2015, tive a oportunidade de trabalhar com as três operadoras de telefonia móvel na Bolívia durante a campanha “No Caigas en la Red” coordenada pela ATT, assessorada pela REDES e patrocinada pelas Empresas de Telecomunicações da Bolívia. Sem dúvida, a banda larga móvel contribui para o fluxo nacional de capital financeiro distribuído entre as três principais operadoras do país ENTEL, VIVA e TIGO. Nesse campo, ficamos impressionados com a falta de iniciativas das empresas comunitárias de telecomunicações que permitem precisamente que esse fluxo de capital seja redistribuído entre os grupos populacionais.

Brecha Zero: Como considera que se posiciona a Bolivia para a implementação da 5G?

Eduardo Rojas: O Ministério de Obras Públicas da Bolívia, através de seu Vice Ministério de Telecomunicações anunciou que o país está oficialmente orientando as políticas públicas para a implementação da tecnologia 5G no país. Considerando nossos mais de 10 anos de experiência na análise de fenômenos relacionados à Sociedade da Informação e o deslocamento de infraestrutura de telecomunicações, realizamos algumas reuniões de cooperação técnica com ativistas e técnicos da Europa e da América Latina para compartilhar e acessar para estudos e informações sobre as implicações e impactos da instalação da tecnologia 5G.

 

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