Argentina aumenta em 30% o acesso rural à Internet entre 2021 e 2022

O desenvolvimento de uma economia digital exige dedicação no oferecimento de serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC) para áreas distantes dos grandes centros urbanos. Estas iniciativas são essenciais para promover as diferentes verticais que existem no meio rural, em particular a e-agricultura.

Nesse sentido, segundo informou a agência oficial Telam, a Argentina aumentou em 30% o acesso à Internet nas áreas rurais entre 2021 e 2022. Até 2020, 65% da população rural do país não tinha acesso à Internet.

O crescimento do número de pessoas conectadas foi alcançado graças ao trabalho conjunto da Entidade Nacional de Comunicações (ENACOM) e do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), que realizaram um trabalho articulado para levar o acesso à internet às zonas rurais do país. Este projeto permitiu à Argentina situar-se entre os países latino-americanos com maior conectividade rural, segundo o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Segundo o órgão, foram necessárias duas principais políticas para atingir esses objetivos: a primeira foi o investimento em infraestrutura de fibra óptica, que serviu para ampliar sua extensão no país; assim como o investimento em redes comunitárias para áreas rurais, estratégia que possibilita a chegada de conectividade onde as operadoras não costumam investir.

Com base em um trabalho realizado pelo INTA no início de 2021, foram obtidas informações sobre 311 localidades rurais pertencentes a 21 províncias. Na pesquisa foi registrado que mais de 40% dos indivíduos não tinham conexão com a Internet. Para reduzir essa iniquidade, a agência realizou diversos projetos que buscavam melhorar e ampliar a cobertura dos serviços. Articulando, assim, diferentes administrações estaduais, áreas governamentais e instituições locais com o objetivo de promover políticas públicas que aumentem o acesso à Internet.

Da mesma forma, em 2022 foi realizado o Programa Agro XXI, cujo objetivo era fortalecer o INTA para desenvolver um Plano de Conectividade Rural. Esta iniciativa foi feita pelo Ministério da Economia, com financiamento do Banco Mundial.

Apesar desses avanços, o IICA reconhece que o mercado argentino ainda precisa expandir o acesso à internet nas áreas rurais, principalmente nas mais remotas que ainda carecem de conectividade de qualidade. Também destaca que a brecha entre as áreas urbanas e rurais aumentou.

Para atingir essas metas, a utilização da banda larga móvel se apresenta como ideal, pois suas características permitem que alcance grandes extensões territoriais com maior rapidez. Dessa forma, tecnologias como a LTE e 5G apresentam a oportunidade de levar serviços de banda larga de alta velocidade e robustez de dados. Portanto, é fundamental que as autoridades do país implementem as políticas necessárias para estimular o desenvolvimento dessas redes.

Nesse sentido, torna-se importante a entrega de porções maiores do espectro radioelétrico, o que possibilitará à indústria desenvolver serviços de banda larga móvel. Além disso, outra política benéfica para o desenvolvimento de novas redes é a criação de uma agenda que permita às operadoras ponderar os próximos leilões de espectro radioeléctrico de forma a, assim, planejar a implantação das novas redes.

Da mesma maneira, é importante considerar a geração de uma norma de âmbito nacional que agregue as demandas das diferentes instituições do Estado, para facilitar a burocracia que a indústria deve enfrentar antes da implantação de uma nova rede. Também é preciso consolidar o conceito de “janela única” de trâmites, que possibilita ao setor ter um único interlocutor para desenvolver a infraestrutura.

Como pode ser visto, a Argentina teve um progresso significativo na conectividade rural, o que aumentará o desenvolvimento digital nessas áreas. No entanto, ele tem que ser alavancado por iniciativas que busquem promover a banda larga móvel, de forma a estimular o setor.