Aplicativo permite conhecer o nível de reservatórios de água no Brasil

O acesso aos dados públicos é possível devido ao uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) para democratizar a informação. O desenvolvimento deste tipo de ferramenta possibilita aos cidadãos conhecer questões que são de interesse público, o que é um benefício importante.

A possibilidade de saber sobre o estado dos reservatórios de água doce são informações valiosas que estão a dispor dos cidadãos. Para isto, o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), que é a unidade de investigação do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC) do Brasil lançou uma plataforma digital de monitoramento e compartilhamento histórico do volume de água dos reservatórios localizados em área semiárida do país.

Denominado Olho N´Água, a plataforma foi desenvolvida em associação com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Nela encontram-se mapas atualizados sobre a disponibilidade da água em 452 reservatórios distribuídos na porção semiárida de nove estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Estes reservatórios abastecem cerca de 24 milhões de habitantes e totalizam uma capacidade máxima de armazenamento de 40,256 hectómetros cúbicos.

O objetivo do app é empoderar os cidadãos oferecendo-lhe mais informações sobre a realidade hídrica da área. Entre estes dados disponíveis encontram-se detalhes sobre a situação histórica da reserva aquífera da cidade que reside. Com isto, busca-se contar com um maior autocontrole por parte da sociedade, gerando possibilidade aos habitantes de discutir de maneira responsável sobre o manejo, planejamento e provisão de água.

O Insa iniciou durante o primeiro semestre de 2016 um trabalho de acompanhamento da situação hídrica da região. Durante o levantamento destas informações planejou a criação do projeto que visa facilitar o acesso destes dados para o público geral, incentivando que cada cidadão conheça a realidade em relação à escassez da água. Assim, espera-se que as pessoas possam ter mais ferramentas para aumentar a conscientização frente aos recursos escassos.

De acordo com a última medição existem 243 reservatórios de água que operam com menos de 10% de suas capacidades. No entanto, somente 23 dos 452 aquíferos monitorados possuem mais de 50% do armazenamento. O sistema ainda não conta com a informação sobre outros 92 aquíferos da região. Segundo o Insa a situação é bastante crítica, já que enfrentam a pior crise hídrica dos últimos 20 anos, por isso é necessário racionamento de água.

A plataforma estima um recorde estadual e de dados específicos de cada reservatório, como capacidade de armazenamento, volume atual, tendência dos últimos seis meses e histórico de anos anteriores. Assim, o cidadão tem acesso à uma maior segmentação da informação.

Desta forma, a plataforma oferece aos cidadãos uma maior quantidade de informação para tomar consciência sobre o uso da água. A possibilidade de empoderar os habitantes com dados é um passo fundamental para que exista conscientização sobre o cuidado com a água e sua boa utilização.

No entanto, para que este tipo de iniciativa tenha uma recepção positiva entre os habitantes é importante que os usuários possam contar com conectividade. Ou seja, que tenham acesso à internet para que possam dispor desses dados, já que é uma ferramenta fundamental para poder acessar a plataforma. Neste sentido, é preciso que as autoridades do Brasil trabalhem para aumentar a conectividade no país.

Para isto, os serviços de banda larga móvel precisam de uma ajuda importante, em particular por seu grau de solidez e evolução tecnológica que permitem o acesso mediante redes robustas e de alta velocidade. Além disso, por suas características, é ideal para alcançar grandes coberturas com menor volume de investimento. Da mesma forma, os smartphones estão cada vez mais capacitados para realizar operações complexas, o que potencializa seu uso para este tipo de aplicativo.

Neste contexto é importante que o governo brasileiro gere condições necessárias para o crescimento da banda larga sem fio com medidas como disponibilidade de espectro radioelétrico para o desenvolvimento desta forma de conectividade. Contudo, é necessário que se reduzam as cargas impostas sobre devices como smartphones, já que confirmam uma importante fonte de acesso à banda larga pela população.

Como pode-se observar, a plataforma Olho N´Água não somente precisa de trabalho do Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (Sisab), da Agência Nacional da Água (ANA), do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), e de outras agências relacionadas ao setor, mas também precisa de um trabalho em conjunto com os setores responsáveis pela conectividade. Em particular porquê o recolhimento de dados e a prática de funcionamento da plataforma terão um aproveitamento efetivo enquanto os cidadãos possam acessar seus dados.

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