América Latina se junta ao debate sobre os desafios da indústria gamer

#CoberturaEspecial O desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na América Latina e no Caribe resultou no surgimento de vários novos setores na economia. Entre eles, a indústria do entretenimento testemunhou um crescimento constante nos últimos cinco anos em um ramo específico: o dos jogos.

Para impulsionar esse segmento, a Movistar Hispanoamérica organizou o painel de discussão “Desafios e Realidades da Indústria Gamer na Hispanoamérica”. O evento contou com a participação de Carlos González, Professor, Doutor e Designer da Espanha, como moderador, e teve como participantes Maria Cecilia Guajardo, “TheLizardQueen”, Gerente e Jogadora de Free Fire da Argentina; Danipineg, Comunicadora do Chile; e Bones, Streamer e Gamer do México.

O objetivo do painel de discussão foi refletir sobre a indústria, seus desafios e as oportunidades de trabalho que este setor apresenta. Essas reflexões se concentraram na América Latina e nas possibilidades emergentes representadas pelos esportes eletrônicos. A abertura do evento foi feita por Carolina Carssinotti, Diretora de Canais Digitais para a América Latina da Telefônica, que deu as boas-vindas, introduziu o tema do debate e apresentou os participantes.

A primeira parte da discussão se concentrou na diferença entre o “gamer”, a pessoa que joga por diversão, e os “pro players”, que se dedicam profissionalmente, treinam e consideram isso como um trabalho. Também foi discutido o cenário do gaming na América Latina, destacando a paixão vista em convenções, eventos e torneios, bem como a possibilidade de viver uma experiência divertida e comprometida com seu desenvolvimento.

As gamers compartilharam suas experiências no meio, enfatizando que ,em geral, a evolução de lazer para trabalho aconteceu de forma casual e como resultado de serem gamers. Elas destacaram que, majoritariamente, enfrentaram resistência da família devido ao fato de que esta é uma indústria incipiente e não há muito conhecimento sobre ela na população. Também discutiram as habilidades que os videogames oferecem às pessoas para resolver diferentes situações da vida real.

Outro tópico de discussão foi o trabalho gerado em torno da indústria de videogames. Nesse sentido, foi enfatizado que, além dos que aparecem na tela, há uma demanda por mão de obra para realizar o backstage de qualquer evento que faça parte de uma competição de e-sports. Além disso, há pessoas que apoiam os pro players, como treinadores, analistas, gerentes e toda uma equipe de apoio. Também, dentro do desenvolvimento em si, existem várias áreas que podem ser exploradas no mercado de trabalho, desde o desenvolvimento de software até o design e dublagem de vozes, entre outras atividades.

As participantes também tiveram a oportunidade de discutir como é possível entrar no mundo dos pro players. Nesse sentido, foi enfatizada a importância de ter ferramentas que permitam desenvolver a atividade, bem como um conjunto básico que permita começar. Também foi mencionada a relevância de encarar isso como um trabalho desde o início, ou seja, estabelecer metas e objetivos a curto prazo, definir horários de treinamento e criar rotinas. Além disso, destacou-se o papel crucial do apoio familiar na trajetória, incluindo a compreensão do que significa ser um pro player, o apoio emocional, na alimentação e no cumprimento das rotinas.

Sobre os requisitos técnicos para ser um pro player, elas enfatizaram que não é necessário obcecar-se em ter um equipamento de última geração. Foi destacado que é crucial ter paixão, dedicação e perseverança para conduzir o processo de trabalho. Além disso, ressaltaram a importância da paciência para adquirir gradualmente os outros componentes, como um computador capaz de rodar os jogos, uma câmera, microfones e um headset de melhor qualidade.

Por fim, discutiram a posição das mulheres dentro desse segmento da indústria, destacando que ainda existem preconceitos sobre sua participação. Foi enfatizado que há cada vez mais mulheres se dedicando aos e-sports, tanto competidoras quanto nos bastidores. No entanto, elas concordaram sobre a importância de conferir às gamers maior visibilidade para evitar comentários negativos e até mesmo assédio às mulheres no setor.

Por fim, o evento abordou os principais tópicos relacionados ao desenvolvimento dos e-sports na América Latina, destacando seu crescimento na indústria do entretenimento, as oportunidades de emprego e o avanço da inclusão das mulheres neste segmento.