América Latina avança na criação de uma rede de saúde eletrônica

Uma das vantagens da Telessaúde é a geração de prontuários eletrônicos do paciente ou PEP. Trata-se de uma ferramenta de suma importância para poder contar com os antecedentes de cada um dos pacientes. Por isso, diferentes países da América Latina estão trabalhando na criação de uma rede com informações de saúde dos cidadãos que englobe toda a região.

O projeto chama-se RACSEL (Red Americana de Cooperación sobre Salud Electrónica) e já começou a dar seus primeiros passos com a realização de quatro etapas de oficinas na Costa Rica e no Peru. Também participaram da iniciativa a Colômbia, o Chile e o Uruguai. A execução ficou a cargo da “Fundación Julio Ricaldoni” do Uruguai e conta com financiamento conjunto do Banco Interamericano de Desarrollo (BID) e dos países membros.

O objetivo é criar e colocar em funcionamento uma rede de colaboração baseada no diálogo, na coordenação e no intercambio de conhecimentos e experiências sobre o PEP. Ou seja, a possibilidade de compartilhar os diferentes mercados dos PEP para melhorar o atendimento ao paciente e aperfeiçoar sua assistência.

Neste sentido, buscam-se realizar reuniões entre quatro grupos de trabalhos centrais: a arquitetura do sistema para interoperabilidade, o marco legal, normas técnicas e semânticas, ou ainda, terminologias. O intercâmbio buscou conhecer as diferentes posturas que existem no momento de abordar os pontos centrais antes mencionados.

Estes pontos são vitais para coordenar um sistema que possa ser eficiente futuramente. Por um lado, os sistemas de interoperabilidade oferecem a oportunidade do acesso à diferentes países coordenando diferentes tecnologias utilizadas, e da mesma forma se trabalha para melhorar os padrões técnicos e semânticos. Por outro lado, o marco legal é fundamental para todos os países envolvidos, já que será o que permitirá o seu desenvolvimento e oportunidade de, entre outros desafios, compartilhar informação de cada paciente.

A partir de diferentes reuniões buscou-se gerar uma série de referências para elaborar recomendações para levar adiante projetos de PEP. Além disso, revisaram boas práticas entre as diferentes experiências desenvolvidas não somente na América Latina, mas também no mundo todo. Também pretende-se colocar em prática uma agenda estratégica comum para o desenvolvimento do PEP nos países latino-americanos e do Caribe.

Enquanto está em sua fase inicial, a RACSEL tem objetivos ambiciosos entre os que sobressaem criar um lugar para manter os profissionais de saúde eletrônica informados e com acesso às realizações do projeto, estabelecer oportunidade de intercambio direto sobre PEP entre os países, proporcionar locais de Assistência técnica, e alcançar acordos sobre normas para o intercâmbio de dados internacionais. Para isto, deve gerar antes um plano de trabalho que deverá estar pronto para 2018.

A iniciativa é importante para criar melhores ferramentas para os sistemas de saúde da região. Os PEP possibilitam aos profissionais de saúde contar com maior informação no momento de atender um paciente, aprimorando assim o atendimento, prevenção e tratamento. Tratam-se de projetos que permitem melhorar não somente o atendimento precoce, mas também são de grande utilidade para o desenvolvimento de tratamentos de longo prazo.

Contudo, a possibilidade de contar com documentação dos procedimentos realizados com diferentes doenças confirma uma oportunidade para melhorar o atendimento de novos pacientes. Ou seja, o intercâmbio de experiências enriquece os conhecimentos de diferentes médicos ao longo da região possibilitando melhorar os tratamentos para os pacientes.

Para que tenham um impacto positivo em sua implementação, as iniciativas de PEP devem vir acompanhadas por outras que busquem melhorar a conectividade de cada um dos mercados.  Assim, a possibilidade de que os centros de saúde tenham acesso à banda larga é fundamental para que o corpo médico possa chegar de maneira rápida e precisa a informação existente sobre cada um dos pacientes.

Então, a banda larga móvel apresenta-se como uma oportunidade de aumentar a conectividade desses países. Particularmente, serviços como LTE na banda de 700 MHz, que por suas características possibilita alcançar grandes extensões, é ideal para chegar em áreas rurais e distantes dos grandes centros urbanos. Dessa forma, pode-se melhorar o acesso à informação para centros distantes, igualando as oportunidades dos habitantes de áreas distantes.

E por fim, a colaboração interdisciplinar entre os setores de saúde e TIC é fundamental para que este tipo de projeto seja realizado. O trabalho em conjunto deve ser considerado primordial para poder alcançar o sucesso destas iniciativas. É importante que os órgãos governamentais tomem consciência da importância do trabalho coordenado entre ambos os setores, ampliando também as facilidades para a colaboração de setores públicos e privados para que este tipo de programa inclusivo seja utilizado de forma positiva.

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