América Latina ante o desafio de contar com capacidade de espectro para desenvolvimentos da 5G

Cobertura Especial #5GLatAm – A utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) para melhorar a qualidade de vida dos habitantes incorpora, diariamente, maior quantidade de mercados verticais na América Latina. Assim, a incorporação das novas tecnologias de acesso torna-se uma alternativa significativa para avançar seu uso para o desenvolvimento socioeconômico dos países.

Jose Otero, Diretor para América Latina e Caribe da 5G Americas, falou sobre as oportunidades da 5G na América Latina  no evento 5G & LTE Latin America (#5GLatAm), que aconteceu no Rio de Janeiro. O encontro ocorreu nos dias 25 e 26 de abril de 2018 e contou com a participação de diferentes atores da indústria de telecomunicações da região.

Em sua palestra, Otero destacou que o principal desafio que a região enfrenta no momento de desenvolver serviços 5G é contar com a capacidade de espectro radioelétrico necessária para suportar a nova geração de serviços móveis. Em sua argumentação destacou que a maioria dos mercados está distante de cumprir com as recomendações de espectro radioelétrico que a UIT determinou em 2015 (1300 MHz).

Neste sentido reforçou que para que a 5G possa ser viabilizada, é necessário que exista maior disponibilidade de espectro nos mercados. Reforçou que deveria existir entre 3 GHz e 18 GHz de espectro adicionais para que a tecnologia seja viável no mercado, assim como uma escala de terminais que permita acessibilidade dos usuários.

Para alcançar estes objetivos, o Diretor explicou que é necessário um trabalho conjunto dos setores públicos e privados, que permita à indústria um desenvolvimento sadio das novas tecnologias. Neste sentido, também ressaltou que atualmente o diálogo com as distintas entidades encarregadas de regular o setor de telecomunicações móveis na região é mais que positivo. No entanto, reforçou que muitas vezes as condições próprias de cada um dos mercados têm sido complicadas e as vontades dos próprios reguladores podem ser transportados em benefício da indústria.

Ele também destacou que mais de 90% das conexões móveis na região são de alta velocidade. Explicou que o paradigma da conectividade dos habitantes já ficou de lado entre os objetivos das novas tecnologias na região. Neste sentido, a 5G vem para trocar o tipo de aplicativo e o sistema de objetos conectados.

Quanto aos primeiros desenvolvimentos da nova tecnologia, Otero destacou que de acordo com os diferentes anúncios de imprensa por parte das operadoras dos Estados Unidos, possivelmente existam desenvolvimentos ao final de 2018. No entanto, lembrou que se tratavam de experiencias de acesso fixo, e que já não existem dispositivos móveis aptos para a 5G no mercado.

Quando explicou a situação regional, realizou uma breve descrição dos principais mercados da região no que diz respeito às perspectivas da LTE. No caso da Argentina, destacou que é necessária a disponibilidade de espectro que permita aproveitar os investimentos realizados em desenvolvimentos de fibra óptica. Sobre o Brasil, considerou que o mercado analisa a banda de 3,5 GHz para o desenvolvimento da 5G.

Por sua vez, no momento de falar do Chile, Otero reforçou a necessidade de mais espectro. Disse que este mercado está na vanguarda da região, no entanto esse processo não se verificou quando foi a vez da LTE. Já sobre a Colômbia enfatizou a necessidade de um parque terminal que permita a adoção de novas tecnologias e um marco regulatório que as estimule.

Do Uruguai falou que se trata de um mercado inovador no momento de desenvolver novas tecnologias e que já realizou provas da 5G. Enquanto que a respeito do México destacou a importância de contar com uma agenda de entrega de espectro radioelétrico que permita à indústria certa previsibilidade sobre as futuras licitações, o que facilita o planejamento de futuras redes de acesso móvel.

No momento das conclusões, Otero tornou a enfatizar a necessidade de esforços para estimular investimentos em fibra óptica, assim como a importância de uma maior quantidade de espectro radioelétrico destinado aos serviços móveis. Explicou a importância de um marco legal estável que permita previsibilidade na indústria e tende a incentivar investimento das operadoras, já que considerou que é impossível que se avance em infraestrutura de telecomunicações sem esta condição.

A exposição do Otero no #5GLatAm permitiu um planejamento das condições atuais e necessidades da região para o desenvolvimento da nova geração de serviços de acessos móveis. Seu discurso funcionou como pontapé inicial do desafio que a região enfrentará nos anos seguintes.

0 comments on “América Latina ante o desafio de contar com capacidade de espectro para desenvolvimentos da 5G

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.