Especial Futurecom 2017 – Os encontros que propõe a indústria de telecomunicações somam um dos âmbitos que mais rendem debate e troca de ideias para o aprimoramento das condições do setor. Um desses encontros foi a 4ª. edição do 5G Americas Wireless Technology Summit, em São Paulo, Brasil realizado pela 5G Americas durante o Futurecom 2017, workshop no qual participaram palestrantes e panelistas especialistas em telecomunicações de diferentes países das Américas.

O encontro aconteceu no auditório México, com a presença de reguladores e dos principais analistas do setor. A abertura esteve a cargo de Jose Otero, diretor da 5G Americas para América Latina e Caribe, que deu ênfase na importância da infraestrutura no momento da digitalização do mercado.

O debate foi realizado pelos reguladores e esteve focado na entrega de espectro de mercado, em particular no beauty contest. Em termos gerais, estes atores aprovaram este tipo de licitação, ainda que reconheçam que existem dificuldades particulares para poder implantar em seus próprios mercados.

Como bem escasso e fundamental no desenvolvimento das telecomunicações móveis, o espectro é sempre um tema de debate nos encontros. Sobretudo quando os reguladores são os palestrantes, já que muitas vezes são os encarregados em aplicar as regras que existem em cada um dos mercados sobre esta temática.

Os reguladores que participaram do encontro foram: Martha Suárez, Diretora Geral da Agencia Nacional de Espectro (ANE, Colômbia); Manuel Ruiz, Conselheiro da Superintendencia de Telecomunicaciones (Sutel, Costa Rica);  Manuel Muñoz, Diretor Geral de Regulación y Asuntos Internacionales do Ministerio de Transportes y Comunicaciones (MTC, Perú) e  Agostinho Linhares, gerente de Espectro, Orbita e Radiofusão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) do Brasil.

Uma das participantes desse debate, Martha Suárez, da ANE (Colômbia), destacou que é um conceito importante, ainda que na realidade de seu país seja complicado de implantar. Argumentou que a legislação atual colombiana tem um perfil destinado a coleta e oferecimento do espectro.

Por sua vez, Agostinho Linhares, da Anatel (Brasil) reforçou que o modelo de licitação beuaty contest foi avaliado. No entanto, terminou-se concluindo que resulta um ponto negativo avaliar a qualidade do projeto, já que obriga a analisar diferentes pontos. O funcionário reconheceu que se trata de uma boa opção para as licitações, mas explicou que não é a mais adequada para o Brasil.

Do ponto de vista de Manuel Fernando Quiroz, do MTC Peru, as definições em torno dos modelos de licitação dependem mais da área econômica do governo. Explicou que essas áreas consideram o espectro como uma oportunidade de receber uma quantidade importante de dinheiro que termina em mãos que, em poucas ocasiões, volta para as telecomunicações, ainda existe vontade para que estes recursos se reinventem no próprio setor.

Por parte dos reguladores, uma experiencia diferente foi explicada por Manuel Ruiz, da SUTEL, Costa Rica. Neste mercado, implementou-se o modelo de beauty contest para implantar a infraestrutura de um fundo de universalização. Assim, o interessado em atender as metas recebe subsídios para a metade dos investimentos, que se amortizam em cinco anos. Ruiz reforçou que na experiência desse país, em algumas áreas que não eram rentáveis, conseguiu-se um retorno sobre custos de capital que chegou a um ponto de equilíbrio em tempo considerável. Além disso, explicou que somente as operadoras podem usar os recursos desse fundo.

Além desse debate, no Futurecom existiram outros painéis que buscaram a inclusão da maior diversidade de vozes que seguiram as alternativas da indústria. Aconteceu também um painel com reconhecidos analistas da região, entre eles Marcelo Erlich, Presidente do ITC (Uruguai), Ignacio Perrone, Industry Manager da Frost & Sullivan (Argentina), Enesto Piedras, CEO do The Competitive Intelligence Unit (Mexico), Gabriela Lago, VP Business Development da Tahoe Consulting (Argentina), Omar De León, CEO de Teleconsult (Uruguai) e Juan Gnius, Editor do TYN Magazine (Argentina).

Os debates e intercâmbios de ideias aconteceram ao longo do Futurecom 2017 e confirmam um enriquecedor nível para quem pôde acompanhar as palestras. A importância do espectro radioelétrico e as diferentes modalidades para sua entrega não esteve ausente nas discussões, que contou com uma numerosa quantidade de vozes na região.

Ainda também foi exposto a importância das Tecnologias da Comunicação e da Informação para potencializar os diferentes setores de cada um dos países. Neste sentido, reforçou-se a importância do desenvolvimento da infraestrutura e da conectividade para melhorar a qualidade de vida dos habitantes e potencializar os diferentes setores.