A Venezuela precisa de mais espectro radioelétrico para implantações de 5G

A maioria dos países da América Latina e do Caribe está trabalhando para aumentar a digitalização dos diversos setores que compõem a sociedade. As autoridades dos mercados estão prestando atenção especial à saúde, às instituições governamentais e, especialmente, à educação. Para avançar na digitalização de cada um dos países, é necessário um trabalho conjunto de todos os setores econômicos. Além disso, deve haver um esforço do Estado para criar as condições necessárias para alcançar essa meta.

No webinar intitulado “Evolução das telecomunicações na Venezuela”, ministrado por Pedro Marín, presidente da Câmara de Empresas de Serviços de Telecomunicações – CASETEL, foi ilustrado um panorama da realidade desse país em termos tecnológicos. Ele destacou 1991 como o ano que marcou o setor de telecomunicações na Venezuela, pois abriu a competição e privatizou a Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela (CANTV). Ele acrescentou que em 2013 houve uma queda de 80% no PIB, o que freou o investimento no setor, impossibilitando a distribuição de capital para a construção e implantação de novas redes. Também enfatizou que em 2017 foram feitas modificações na lei, criando obstáculos burocráticos que resultaram na perda de mais de 50% das linhas móveis de telefonia entre 2013 e 2019.

Durante sua apresentação, Marín afirmou que as causas do declínio do setor evidenciaram um aumento exponencial dos custos com tarifas reguladas, o que gerou desinvestimento e obsolescência das plataformas. Além dessas causas, adicionam-se o vandalismo e saques às estações, problemas elétricos, falhas no fornecimento de diesel e fuga de pessoal qualificado.

Ele também indicou que a partir de 2020 a CONATEL liberou as tarifas para os ISP, gerando um estímulo ao investimento nesse setor, além de dar licenças para novas empresas ISP, e houve um crescimento de empresas que prestavam serviços em áreas muito restritas. Para complementar, também foram estabelecidas parcerias entre empresas públicas e privadas, embora de forma incipiente.

Em sua intervenção, ele mostrou o crescimento dos assinantes por tipo de tecnologia na Venezuela, evidenciando aumento significativo da 4G. O especialista afirmou que ainda não vê uma implementação total da 5G na Venezuela, devido às condições econômicas do país, que não permitem isso. Ele também mencionou que as faixas para isso ainda não foram leiloadas, e é por isso que as operadoras estão fazendo testes para aplicações específicas.

Apesar das dificuldades do setor de telecomunicações, a CONATEL continuará concedendo novas licenças para ISP, flexibilizando tarifas e reduzindo custos, independentemente das sérias deficiências de conectividade.

Embora exista atualmente um crescimento significativo na Venezuela no setor de telecomunicações, isso não responde a uma visão ordenada do Estado com oportunidades iguais para todas as empresas, responde a um crescimento anárquico e pouco transparente em alguns casos, que tende a diminuir nas regiões mais distantes da capital, com menor densidade populacional, maiores distâncias e menor poder aquisitivo.

Para impulsionar a adoção dessas tecnologias e seu avanço, é necessário que as autoridades disponibilizem à indústria de telecomunicações maiores porções de espectro radioelétrico. Além disso, a criação de uma agenda com futuros leilões de espectro que permite às operadoras planejar eficientemente a implantação de suas redes é uma prioridade. No entanto, é importante incluir também a promoção da adoção de serviços móveis para melhorar o sucesso dessas iniciativas.