A tecnologia teve um grande impacto na agricultura

Entrevista com Salomón Padilla, vice-presidente da ATIM. Parte I

O desenvolvimento de uma economia digital é uma meta almejada por muitos países da América Latina e do Caribe. Para alcançá-la, é necessário um trabalho conjunto entre o setor público e privado que promova o acesso da população às tecnologias da informação e comunicação (TIC).

Sobre esse tema, a Brecha Zero conversou com Salomón Padilla, formado pela Universidade Autônoma da Baixa Califórnia (UABC) com a tese “Implicações Constitucionais da Internet”. Além disso, é graduado em direito das telecomunicações pela Universidade Ibero-Americana, Campus Santa Fe. É especializado na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, Espanha, em “Direito dos Serviços em Rede”, Água, Telecomunicações, Transporte e Energia; formado pela Universidade Panamericana em Competência Econômica.

Salomón Padilla, vice-presidente da ATIM

Em sua carreira profissional, Padilla é vice-presidente da Associação de Telecomunicações Independentes do México (ATIM). Além disso, é consultor, representante e advogado de empresas de telecomunicações, radiodifusão, TIC, construtoras e operadoras de infraestrutura, marketing digital, conteúdos audiovisuais, transportadoras, armazenadoras e comercializadoras de hidrocarbonetos, entre outras. Atuou como litigante perante autoridades administrativas, tribunais locais e federais em processos de anulação e ações judiciais; também participou de processos legislativos e regulatórios internacionais, federais e estaduais, no México e na América Central.

Brecha Zero: Como as TIC podem ajudar no desenvolvimento da economia e da sociedade na América Latina, e especialmente no México?

Salomón Padilla: Como vice-presidente de uma associação de telecomunicações, de empresas que prestam serviços principalmente em áreas rurais e suburbanas, nos arredores das cidades, conheço a problemática das TIC. Nós levamos banda larga, televisão por assinatura e alguns outros serviços para essas populações. Muitas vezes, é um desafio gigantesco levar conectividade para toda a população, uma vez que o México é um país dividido por duas cordilheiras, um deserto, uma planície e a selva, o que gera obstáculos para a conectividade devido à sua posição geográfica.

Outro tema que enfrentamos é o conhecimento no uso das TIC, não porque a população não saiba usar um celular, um computador, um tablet, mas sim porque é mais uma questão cultural do que fazer com as TIC além de entretenimento e jogos. É também um elemento valioso para o seu dia a dia em termos de acesso à informação, mas é necessário saber onde encontrá-la, como obtê-la e como analisá-la.

Esse tema foi bastante trabalhado pelo governo anterior do México, no sexênio passado. Nós apoiamos essa iniciativa, enquanto iniciativa privada, com a subsecretaria de telecomunicações, oferecendo suporte sobre o tema para toda a população, criando centros de treinamento, robótica, programação, nessas localidades. Este ponto está sendo muito perdido, pois as operadoras estão pensando em oferecer serviços X, Y, Y, e o problema não é que não podemos, mas sim quem os utiliza, não porque não haja necessidade, mas porque não há quem possa usá-los.

Brecha Zero: Entre os diferentes setores que compõem a economia do México, em qual setor as TIC tiveram mais impacto?

Salomón Padilla: Em nossa área de influência, vimos um grande impacto na agricultura. Impressionante, questões de telemetria para fazendas agrícolas, conectividade para áreas cultivadas, produtividade, monitoramento, umidade. Existem coisas impressionantes na tecnologia agrícola e tão criativas que chamam muito a atenção. Recentemente, trabalhamos com um operador de drones agrícolas, que são usados para pulverização, plantio, supervisão e contagem de frutos em cada planta. Temos outro sistema que está sendo usado, outros serviços de conectividade que controlam a temperatura da instalação avícola para evitar a morte das galinhas, além de monitorar a produção de ovos de cada galinha. Assim, a tecnologia está muito relacionada às questões agropecuárias. E a verdade é que, pelo menos no México, chegou com força. Tão forte que precisamos expandir os temas de conectividade para levá-los diretamente às fazendas.

Brecha Zero: Além do setor agrícola, quais outras iniciativas foram realizadas para utilizar as TIC de forma produtiva?

Salomón Padilla: No México, no sexênio passado, atuamos fortemente com a Secretaria de Comunicações e Transportes para levar treinamentos para todas as regiões. Já no último sexênio, perdemos isso. São questões de orçamento, culturais. As autoridades atuais não entendem quão importante é que as pessoas tenham acesso a um computador, porque trata-se de uma ferramenta de vida. Estamos todos interconectados. Portanto, as pessoas deveriam entender esse tema. Já neste período, nossa atenção se voltou para as fake news, orientando a população para que as pessoas  aprendessem a identificar notícias falsas e legítimas. Nossas operadoras também têm seus canais de televisão e educam sobre o  tema. Por sua vez, durante a pandemia, a tecnologia nos ajudou a seguir em frente.  E isso em todas as populações, pequenas, médias, grandes, urbanas, rurais e naturais. Enfatizo, em todas as populações! Então, as pessoas que tinham a capacidade de se adaptar a isso puderam continuar trabalhando.