A tecnologia 5G possibilitará um salto qualitativo na melhoria da produtividade

Entrevista com José Romero, diretor de TIC da Conatel Honduras

A maioria dos países da América Latina e do Caribe está trabalhando para aproveitar a digitalização como forma de impulsionar sua recuperação econômica após a pandemia provocada pela Covid- 19. A geração de melhores condições econômicas terá as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como aliadas.

Sobre a atual situação de Honduras, o Brecha Zero conversou com José Alfredo Romero, Diretor de Tecnologias de Informação e Comunicação (DITIC) da CONATEL de Honduras. Formado em Engenharia de Sistemas pela Universidade Católica de Honduras, possui mestrado em Calidad Total pela mesma universidade. Desde março de 2015, ocupa o cargo de Diretor de TIC no órgão regulador hondurenho.

Brecha Zero – Como as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) podem auxiliar a economia hondurenha a superar as complicações associadas à pandemia?

José Romero – Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), constituem uma poderosa ferramenta para promover o crescimento econômico em países como Honduras. As TIC e a Internet são os motores da Economia Digital, pois impulsionam a inovação, o crescimento econômico, geram empregos, aumentam a produtividade e a competitividade, entre outros.

Em Honduras, as TICs foram adotadas gradativamente pelas MPME, especialmente durante a pandemia causada pela COVID-19, especialmente em relação ao comércio eletrônico, já que muitas pequenas empresas ou empreendedores independentes oferecem seus produtos e/ou serviços por meio de redes sociais.

Reduzir as desigualdades geográficas e sociais no uso das TICs é o maior desafio deste e de futuros governos.

O desafio é promover políticas públicas que incentivem as TIC a executar Programas e Projetos que possibilitem a implantação de infraestrutura e que a Internet e as ferramentas de TIC sejam acessíveis a toda população, permitindo que o setor empresarial seja mais competitivo e possa divulgar seus produtos e serviços para toda a população, por meio de canais de distribuição digitais inovadores, que irão desenvolver a economia e trazer benefícios a outras questões essenciais como educação, saúde e desenvolvimento social, entre outras.

Brecha Zero – Quais setores da economia foram os que mais aproveitaram a digitalização em Honduras nos últimos dois anos?

José Romero – O Setor Empresarial foi um dos que mais aproveitou a digitalização em Honduras.

Apesar do confinamento que perdurou por vários meses, muitas empresas e negócios utilizaram as ferramentas TIC para conseguirem levar os seus produtos e/ou serviços à população, permitindo-lhes ter um nível de vendas que, embora mais baixo, também permitiram manter os seus negócios à tona.

O Setor da Saúde assistiu ao desenvolvimento da temática da Telemedicina, através da qual os Médicos prestaram consultas e assistência a milhares de doentes através de consultas com recurso a ferramentas TIC.

O Comércio Eletrônico foi talvez um dos setores que apresentou maior crescimento durante os meses críticos da pandemia, já que tanto fornecedores quanto demandantes foram obrigados a acessar os canais digitais para continuar as atividades do dia a dia.

Brecha Zero – Quais iniciativas a CONATEL implantou para promover a digitalização da economia no país?

José Romero – A CONATEL, como entidade reguladora de Telecomunicações e TIC, participou diretamente nas tomadas de decisões visando facilitar o acesso às ferramentas digitais, convidando as Operadoras de Telecomunicações a oferecerem seus serviços a preços diferenciados e promovendo políticas públicas que possibilitem a Universalização do Acesso e do Serviço para a toda a população em geral, apoiando assim o setor empresarial, especialmente o setor das MPME.

Da mesma forma, iniciou-se o processo de planejamento e execução do Plano Nacional de Banda Larga, que, a curto e médio prazo, terá grande impacto nas questões relacionadas à economia e à melhoria da qualidade de vida dos hondurenhos.

Brecha Zero – Qual a importância das tecnologias de banda larga móvel no processo de digitalização da economia?

José Romero – Apesar do impacto econômico que a pandemia teve na vida de todos os hondurenhos e nos diversos setores da população, o setor de Telecomunicações apresentou um pequeno crescimento, isso pela necessidade de todos manterem a comunicação e conseguirem dar continuidade ao trabalho, produtos e serviços à comunidade em geral.

As operadoras móveis foram obrigadas a criar novos pacotes de dados fixos e móveis, uma vez que a demanda por eles era alta nos dias de pico de confinamento, devido ao fato de os chefes de família serem obrigados a trabalhar de casa, as crianças serem obrigadas a estudar de casa e as donas de casa terem sido forçadas a procurar produtos básicos usando ferramentas digitais.

Brecha Zero – Quais espaços você acha que a 5G vai ocupar para o desenvolvimento da economia digital?

José Romero – Relatórios apresentados por Organismos Internacionais e por Empresas Especializadas quantificaram o impacto econômico da utilização atual e das novas utilizações das tecnologias 5G, especialmente em cinco grandes setores: Saúde, Elétrico, Consumo, Industrial e Financeiro.

De acordo com esses estudos, a 5G significará uma melhoria na eficiência de produtividade, impulsionando o PIB global em 1,3 trilhão de dólares até o ano de 2030. A tecnologia 5G permitirá dar um salto qualitativo na melhoria da produtividade e na transformação dos modelos de negócios. Sua capacidade é tal que todas as empresas devem considerar ter um plano (de implantação de 5G) no curto, médio e longo prazo para analisar o desenvolvimento da tecnologia, seu impacto e como aproveitar as novas oportunidades de negócios que serão geradas.

Brecha Zero – Quais setores verticais você considera que deveriam aumentar seus esforços para aproveitar o crescimento associado à economia digital em Honduras?

José Romero – Se considerarmos os três setores da economia, vemos que todos podem aproveitar ao máximo o crescimento associado à Economia Digital.

O Setor Primário ou Agrícola poderá aproveitar as ferramentas de TIC para melhorar seus processos de produção, controle, distribuição e venda, tanto para o mercado local como para o internacional.

O Setor Secundário ou Industrial poderá aproveitar ferramentas de TIC intimamente relacionadas à tecnologia 5G, como a Internet das Coisas ou Inteligência Artificial para melhorar seus processos de produção e melhorar a qualidade do produto.

O Setor Terciário ou de Serviços é aquele que já aproveita ao máximo as ferramentas digitais, uma vez que serviços dirigidos à sociedade em geral como comércio, transporte, educação e entretenimento utilizam essas ferramentas diariamente para alcançar seus usuários.