A revolução digital na América Latina depende da conectividade e dos estímulos regulatórios

Matéria Especial – Conferência: “Inclusão digital para o desenvolvimento nas Américas”: Uma das formas de estimular a adoção de tecnologias da informação e comunicação (TICs) na América Latina é através de discussões sobre as necessidades do setor e a implementação dessas tecnologias nos países da região. O debate sobre as necessidades de conectividade e mudanças regulatórias é necessário para aumentar a inclusão digital na região.

Um desses debates foi realizado na Conferência: “Inclusão digital para o desenvolvimento nas Américas”, realizada no dia 12 de março em Buenos Aires, na Argentina. Esse debate especificamente aconteceu durante o Painel 2 da conferência: “Quais transformações o setor de telecomunicações e de serviços de Internet está promovendo nas Américas para estimular soluções para os desafios da revolução digital?”

O painel contou com a presença do Diretor da 5G Americas para a América Latina e Caribe, José Otero, e foi moderado pelo vice-presidente da Internet Society (ISOC), Raul Echeberría. Também estavam presentes: Mariah Shuman, diretora sênior de Assuntos Regulatórios da OneWeb e membro da diretoria da Associação da Indústria de Satélites; Sebastian Cabello, diretor geral da GSMA na América Latina; Federico Rava, presidente da Telefónica na Argentina; e Sebastian Kaplan, diretor de Assuntos Regulatórios da Millicom na América Latina.

Os participantes discutiram o futuro do ecossistema digital na América Latina levando em consideração as desigualdades digitais que hoje existem na região. Eles também discutiram as necessidades da região em termos de infraestrutura e conectividade, assim como a importância de criar um ambiente propício para o desenvolvimento de novas tecnologias destinadas a melhorar as condições de vida na região.

Em seu discurso, Otero ressaltou que a chegada do 5G será importante não apenas para beneficiar a população, mas também para criar um ecossistema que consegue conectar diferentes objetos.  Ou seja, um sistema de conectividade interligando objetos e dispositivos sem a intervenção humana.  Essa situação é muito importante para a implantação de diferentes mercados verticais e iniciativas governamentais, como cidades inteligentes, Tele Saúde ou Tele Educação, entre outros.

Cabello explicou que os serviços móveis são o principal meio de se conectar à Internet. Ele também enfatizou que estamos entrando em uma era de conectividade inteligente, que terá diversos efeitos sobre a população. Ele destacou a importância da IoT. Kaplan ressaltou que a adoção dessas tecnologias depende de estradas digitais.

No entanto, Otero explicou que para garantir que a conectividade seja uma forma de melhorar as condições de vida da população da América Latina, precisamos de um quadro regulatório coerente que apoia o desenvolvimento da indústria. O Diretor da 5G Américas para a América Latina e Caribe ressaltou que para o desenvolvimento e fortalecimento de uma infraestrutura capaz de aproveitar dos avanços que as novas tecnologias estão viabilizando, precisamos de um arcabouço jurídico que garante a segurança dos investimentos.

Ele também enfatizou que é este quadro deve ser coerente e apoia todos os setores. Em relação aos marcos regulatórios, Rava pediu regras justas para todos os participantes do mercado para evitar tratamento desigual de determinados agentes de mercado.

A inclusão de uma parcela maior da população também foi um dos tópicos discutidos durante o painel. A possibilidade de abranger um número maior de pessoas foi considerada uma meta fundamental para a região. Isto envolve não só a implantação de mais cobertura e a necessidade de disponibilização parte do espectro de radio para o desenvolvimento de novas redes de tecnologia, mas também diz respeito à disponibilidade de terminais de acesso.

Otero ressaltou a acessibilidade e a disponibilidade de terminais de acesso é importante para assegurar que a população consegue aproveitar dos avanços da banda larga móvel. Ele também ressaltou a importância de disponibilizar dispositivos de acesso a preços razoáveis ​​e que estejam disponíveis em todo o território, oferecendo acesso a essas tecnologias em maior escala.

Os debates sobre as necessidades da região para reduzir as desigualdades digitais e aumentar o número de pessoas conectadas  importantes para todos os setores da indústria. Entretanto, precisamos também incluir outras indústrias, serviços e órgãos estatais, para garantir que estas tecnologias tenham um impacto real, com a meta de melhorar as condições de vida da população da América Latina.

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