A adoção da telefonia móvel é cada vez maior nos diferentes níveis da sociedade latino-americana. Com a maioria dos mercados com uma penetração próxima ou superior a 100% é claro que a tecnologia está entre as mais desenvolvidas ao longo da região, ultrapassando não apenas barreiras econômicas, mas também geracional.

No Brasil, mais da metade dos alunos que fazem parte da educação fundamental e das escolas médias utilizam telefones celulares. Tanto nas escolas públicas como nas privadas, 52% dos estudantes utilizam celulares de acordo com uma nova edição da pesquisa TIC Educação. A pesquisa foi realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenadas Pinto.BR  (NIC.br).

Para realizar a pesquisa foram consultadas 1.106 escolas. Participaram mais de 935 pessoas que trabalham como diretores, outras 922 como coordenados pedagógicos, 1854 professores e 11.069 alunos que participam do ensino fundamental e médio. O período de coleta dos dados foi entre agosto e dezembro de 2016.

Por sua vez, no que se refere à utilização dos telefones móveis dentro do espaço escolar, 95% dos pesquisados reforçaram que não podem utilizar dentro da sala de aula. Assim, quando indagados sobre a utilização que os alunos dão ao celular observa-se que, do total que reconhece usá-lo, 31% são usuários de internet.

O estudo reforça que 27% dos alunos entrevistados acessam a internet por meio de um telefone móvel, utilizando para isso as redes de acesso móvel 3G ou 4G. Por sua vez, somente 8% reconhece que acessam por meio das redes WiFi que estão ativas nos estabelecimentos escolares.

É importante reforçar que o uso do WiFi varia de acordo com a região do pais. Na região sul do Brasil, 16% dos alunos acessa à Internet por meio da rede escolar, enquanto que os colégios particulares possuem um maior percentual de alunos que acessam por meio das redes 3G e 4G, com 31%, e de alunos que compartilham as redes de seus colegas (15%).

O aumento de 5 pontos percentuais na disponibilidade do WiFi com relação à mesma pesquisa de 2015, fechou esta última experiencia com 92%. Este aumento deu-se devido ao avanço da penetração nas escolas públicas, já que nas privadas se mantiveram em proporções similares na comparação anual.

Por sua vez, a pesquisa reflete que durante 2016, 97% das escolas do Brasil em áreas urbanas possuíam algum tipo de acesso à Internet. Destaca-se também que existe maior presença das tecnologias de acesso mais modernas, que terminam contribuindo para aumentar a velocidade de acesso médio nas instituições.

Do total das escolas que se encontram em áreas urbanas, 44% contavam com uma conexão por meio de rede de cabo, um aumento de 8 pontos percentuais em relação a 2015. A segunda tecnologia de acesso mais utilizada, segundo a pesquisa, foi o xDSL com 25% e um aumento de 1 ponto percentual em relação ao último registro.

Por sua vez, as tecnologias sem fio (3G e 4G) foram apenas 7%, com redução de dois pontos percentuais em relação a 2016. Ainda que outras tecnologias de acesso, como os serviços de micro-ondas caíram dois pontos percentuais (5%) e as satelitais quase 6 pontos de queda para terminar em 4%. O mapa se completa com 1% das escolas que se mantiveram com acesso dial up, enquanto que 3% das escolas não informaram de que maneira acessam.

Embora as tecnologias cabeadas dominem a conectividade das áreas urbanas, as tecnologias sem fio apresentam-se como uma grande oportunidade para conectar as áreas rurais. É uma opção mais válida se considerar que a maioria dos alunos possui acesso aos terminais móveis e estão familiarizados com o uso. Ou seja, os estudantes são a clara mostra de que a tendência do acesso ao mundo digital são os terminais móveis.

Neste sentido, cobra importância os esforços que as autoridades do Brasil realizam para aumentar a conectividade no mercado. Em particular, é importante a disponibilidade de maior quantidade de espectro para serviços de banda larga móvel, ainda também a redução das cargas impostas para os diferentes elementos que confirmam as redes de telecomunicações e, em particular, os dispositivos de acesso aos usuários (em particular os smartphones).

Como pode-se observar, os serviços móveis estão altamente difundidos na sociedade do Brasil. No entanto, é também importante que as autoridades mantenham os estímulos necessários para que a indústria siga crescendo e incorporando nova tecnologia no país, aumentando assim as possibilidades para quem aumente a inclusão digital no mercado.