A Geração de uma plataforma com informações sobre 5G para os mercados caribenhos

Entrevista com Carlos Bosch, Head of Technology da América do Norte da GSMA

Entre 30 de junho e 1 de julho de 2021,acontecerá no Mobile Word Congress (MWC) o 5G Caribbean Summit, que terá como foco os países da costa do Caribe. A importância da 5G e a necessidade de gerar as condições para seu desenvolvimento serão os principais temas do evento.

Carlos Bosch, Head of Technology da América do Norte da GSMA

Sobre o encontro, o Brecha Zero conversou com Carlos Bosch, que é Head of Technology da GSMA da América do Norte.

Brecha Zero – Qual a importância de tornar visível a situação das telecomunicações no Caribe em um evento global como o GSMA MWC?

Carlos Bosch – O Caribe é como qualquer outra região; eventualmente, todas as regiões irão migrar para as tecnologias 4G, 5G e Edge. Infelizmente, costumamos nos concentrar no que chamamos em inglês de “leading edges”, os experts que estão implementando nos países ricos, mas não nos concentramos em qual é a realidade nesses países.

Os países caribenhos vão migrar para a 5G, mas temos que levar em consideração qual é a realidade de cada um. De cada rede caribenha, de cada país, a migração será [específica] com base nessas realidades. Para chegar a esse consenso temos que ter essas discussões, falar sobre o que está acontecendo nos Estados Unidos e na Europa, e como eles serão capazes de harmonizar suas redes com base nisso. 

Brecha Zero – Que pontos relevantes discutidos na Cúpula você considera importante destacar?

Carlos Bosch – Os pontos importantes que temos de enfatizar são sobre o espectro: como é utilizado, qual a forma mais viável de liberar espectro para esses países.

Segundo: o que é necessário para que os países migrem para a 5G e o que a 5G representa para esses países. Porque o IMT-2020 apresenta algumas diretrizes de como chegar lá, mas é preciso ver como isso vai se desenrolar.

Terceiro: os dispositivos. Estamos trabalhando com voz sobre LTE (VoLTE) e a importância que essas operadoras, reguladores e países estão olhando para isso. Por quê? Quando você chega à 5G, como vemos na regulamentação 3GPP, a chamada por circuito é eliminada, já é chamada por IP [Internet Protocol]. Se fizermos isso, como isso afetará a interoperabilidade? Hoje, todos os telefones precisam operar em muitas frequências de rádio (2G, 3G, 4G, 5G), mas, eventualmente, os telefones usarão apenas algumas. Como será a experiência de roaming, como [para] uma pessoa do Caribe viajando para os Estados Unidos, ela funcionará quando não tiver o VoLTE habilitado em seu telefone, como a interoperabilidade, como o faturamento [será implementado]. São coisas sobre as quais temos que conversar.

Quarto: temos que olhar para o mercado. O que é 5G para o Caribe? Não sei dizer o que é, só posso dar as ferramentas para que cada ilha descubra e decida como vai lançar sua versão da 5G. Pode ser para wireless fixo , destinado para uma maior largura de banda, pode ocorrer para a Internet das coisas (IoT), pode ser por vários motivos e cada país tem que decidir.

A realidade de Porto Rico, Trindade e Tobago, Curaçao e Jamaica são muito diferentes, e como essas economias vão adotá-la será diferente. O que a 5G Americas, GSMA, CANTO [Associação Caribenha de Organizações Nacionais de Telecomunicações] podem fornecer é uma plataforma para essa discussão, dar-lhes a informação do que é necessário, para que os painelistas forneçam as informações de que as operadoras e os reguladores precisam para levarem a informação aos seus países para que tomem as decisões que acharem pertinentes, que serão acertadas, porque serão específicas para eles.

Brecha Zero – Como você avalia a evolução da região do Caribe em direção à 5G?

Carlos Bosch – Vejo de forma lenta e vejo que eles não estão conversando. Quando dizemos que estamos na evolução para a 5G, o Caribe lançou bastante LTE, e se olharmos desse ponto de vista, diria que quase 40% ou 50% das ilhas já estão nesse caminho. Como a LTE é um fator da 5G, as redes híbridas com VoLTE serão eventualmente lançadas.

Acho que essa evolução é um pouco lenta do ponto de vista do espectro que não está atribuído. Ele foi migrado para locais que cobrem poucas áreas, não estamos analisando todos os casos de uso e essa é a parte que temos que trabalhar para abordar neste evento. Você tem que olhar para onde a 5G é lançada e porque. Temos que dar essas ferramentas aos governos. Temos que sentar e ter essa conversa para que seja honesta e possa ser feita a partir de cada uma das realidades.

Brecha Zero – Quais os avanços da região referente a economia digital?

Carlos Bosch – O Caribe está prestes a explodir, hoje é usuário de tecnologia, não temos consciência de que criamos o conteúdo, criamos o tráfego, criamos o porquê, mas não estamos nos beneficiando da receita que deveria gerar esse tráfego

O Caribe está com as leis e a visão correta, mas não foi implementada, precisa explorar a criatividade que o Caribe tem, a possibilidade que têm de desenvolver aplicações para poder automatizar muitas etapas na pesca, no cais, nas fábricas. Acho que estamos próximos e aposto que em breve veremos uma explosão da tecnologia da informação, da tecnologia no Caribe.

Brecha Zero – Como o crescimento do acesso à banda larga móvel influencia a melhoria das condições de vida da população do Caribe?

Carlos Bosch – Acho que está em todos os países. Primeiro, eu moro nos Estados Unidos, lançamos a 5G. Sabemos o que é 5G? Ainda não vi, estamos apenas lançando, descobrindo. E como a 5G será utilizada não será definida por nenhuma dessas associações, nem pelos reguladores, isso será definido pelos usuários. Porque eles vão torná-la uma realidade.

O usuário será quem definirá a 5G, os benefícios serão inestimáveis, o tráfego, o meio ambiente, poderemos medir coisas que não podemos medir hoje, para habilitar censores, IoT em massa de uma forma que não vemos hoje , vamos ter uma vida mais segura, vamos nos tornar mais iluminados. O benefício social das telecomunicações em relação à LTE e 5G é inestimável.