A digitalização ocorre graças ao mundo móvel

Entrevista com Carlos Acle, Diretor da Câmara Uruguaia de Tecnologias da Informação (CUTI). Parte II.

Os países da América Latina estão trabalhando na incorporação de maiores ferramentas tecnológicas para ingressar na economia digital global. O trabalho realizado pelas diversas organizações do setor colabora diariamente com esse objetivo, que acaba beneficiando toda a sociedade.

Carlos Acle, Diretor da Câmara Uruguaia de Tecnologias da Informação (CUTI)

Sobre esses assuntos, o Brecha Zero conversou com Carlos Acle, que é Diretor da Câmara Uruguaia de Tecnologias da Informação (CUTI) e também CEO da OneTree. Formado como Engenheiro de Sistemas pela Universidade Católica do Uruguai, Acre tem mais de 20 anos no ecossistema de TIC do Uruguai.

Brecha Zero: Diante da pós-pandemia, quais setores, na sua opinião, que melhor tiraram proveito das TIC?

Carlos Acle: Tem vários setores que tiveram que acelerar esse processo, o mundo do varejo tomou a dianteira desse processo. Essa tendência veio para ficar e continuar crescendo. O mesmo na telemedicina no setor da saúde, onde terão que pensar em como tornar o tempo mais eficiente.

É uma coisa que podemos observar com a virtualidade, tem um uso muito mais eficiente para tempo de transferências, de chegar na hora, de toda uma série de coisas que a gente está acostumado a fazer de uma certa maneira. Nos serviços, no e-commerce há uma coisa chamada omnichannel, que é misturar serviços digitais com físicos, acho que esse conceito vai continuar por muito tempo.

Brecha Zero: Que iniciativas que a câmara tomou durante a pandemia você destacaria?

Carlos Acle: Acho que todas apontam para públicos diferentes, que era o que queríamos, não destacaria uma sobre a outra, todas enfrentaram problemas diferentes, moradores de rua, crianças e a parte da saúde.

Brecha Zero: Quanto você acha que os serviços móveis contribuem para a digitalização da economia?

Carlos Acle: Conceitualmente, sem dúvida, muito, diria que a digitalização é graças ao mundo móvel ou uma percentagem muito elevada. De fato, vemos isso em diferentes setores, como o aplicativo de coronavírus, mas também no mundo das carteiras eletrônicas, no delivery , na logística etc.

Eu diria que uma das principais causas da digitalização, ou uma das razões pelas quais temos esse nível de digitalização, é que temos um dispositivo onde podemos fazer tudo. Acho que seria diferente se tivéssemos com um computador a tiracolo todos os dias, tinha coisas que demoravam mais, hoje temos na palma da mão qualquer serviço que precisamos, até a telemedicina que anos atrás era impensável.

Brecha Zero: Como você vê a 5G ajudando no desenvolvimento dessa economia digital?

Carlos Acle: Acho que será um grande passo, especialmente para impulsionar a IoT e a automação. Assim como tudo relacionado ao mundo do vídeo e do conteúdo, que é um player cada vez mais importante no mundo digital. Hoje para fornecer serviços, sejam câmeras de segurança, streaming, é preciso ter alta velocidade e qualidade, por isso é necessário caminhar em direção a uma plataforma nesse sentido.

Então, sem dúvida, o mundo dos celulares autônomos. Tratores autônomos, que possuem níveis de precisão para plantação. Todo este tipo de informação e forma de trabalhar será possível quanto mais desenvolvida for a conectividade, especialmente com a 5G porque haverá cada vez mais volume de dados, para o desenvolvimento destas indústrias, será uma peça chave.

Brecha Zero: Quais são as iniciativas da câmara para o desenvolvimento da economia e da digitalização no Uruguai?

Carlos Acle: Aí temos duas grandes áreas, uma é o desenvolvimento dessas vertentes de trabalho onde todas as soluções para cada uma das verticais se juntam e se reúnem. Temos o setor agro, cibersegurança, fatura eletrônica, fintech, blockchain, inteligência artificial, cada uma destas conta com uma diretriz para promover a utilização dessas soluções nas diferentes indústrias.

Em cibersegurança está sendo feito um trabalho muito forte com o governo para estar bem alinhado com eles, o setor agrícola tem muita participação em tudo que tem a ver com eventos em cada uma dessas indústrias. A partir daí, com o mapa de soluções e com o impulso do que está sendo feito nesses setores, esperamos trazer a incorporação de tecnologias para as diferentes indústrias, com soluções nacionais.

A outra grande questão está relacionada com a promoção e desenvolvimento de planos de formação, porque temos a entrada de mais gente com formação. É aí que o desenvolvimento de conhecimentos e perfis para a tomada de decisão nos parece fundamental para o setor.