A busca pela inclusão digital como próximo passo

# CoberturaEspecialMWC2021 – Entre as discussões que compõem o futuro do setor estão os passos a serem seguidos no período de recuperação da pandemia de Covid-19, que aponta para uma maior digitalização das economias em geral. Operadoras, fabricantes e reguladores precisarão se engajar em ações conjuntas para sustentar essa visão presente na maioria dos países, dependendo da evolução da pandemia, vacinação e reativação da mobilidade.

O programa ministerial da GSMA discutiu o tópico ”Tornando a inclusão o novo normal”, que  aconteceu durante o Mobile World Congress 2021. O painel contou com a presença de Doreen Bogdan-Martin, diretora do Escritório de Desenvolvimento de Telecomunicações da UIT; Rima Qureshi CSO da Verizon e Dr. Ghazi Aljobor, presidente do Conselho de Comissários e CEO da Jordan Telecommunications Regulatory Commission. Os participantes foram moderados por Daniel Pataki, vice-presidente de política e regulamentação e diretor da Europa, Rússia e CIS, GSMA.

Pataki iniciou as discussões do programa ministerial com uma apresentação na qual expôs como a pandemia promoveu um grande número de mudanças para a digitalização dos diferentes mercados, levando legisladores, reguladores e ministros a trabalharem para garantir o acesso à internet, especialmente o acesso móvel, como um dos objetivos a considerar nas suas políticas.

Em seguida, foi a vez de Bogdan-Martin, que iniciou seu discurso apontando que a pós-pandemia não pode deixar as pessoas de fora da conectividade, enfatizando que a indústria deve se concentrar no dividendo digital como uma ferramenta para acabar com a desigualdade. Nesse argumento, ele destacou os benefícios da digitalização no combate à desigualdade em muitos mercados.

No entanto, o diretor do Escritório de Desenvolvimento de Telecomunicações da UIT explicou que ainda há trabalho a ser feito para que 3,7 bilhões de pessoas no mundo tenham acesso à Internet. Nesse sentido, ele ressaltou que a inclusão não deve ser apenas uma meta dos governos, mas deve se tornar um novo “mantra” e apelou para que seja mais rápido conectar os desconectados. Para isso, destacou a necessidade de criar ambientes regulatórios que permitam maior acesso ao espectro para a indústria e façam uso mais eficiente dos recursos existentes nos serviços universais.

O turno seguinte ficou a cargo de Aljobor, que explicou as diferentes medidas tomadas na Jordânia para que a sociedade possa aproveitar o acesso à banda larga durante a pandemia. Nesse sentido, destacou os esforços feitos para aumentar o acesso nas áreas mais densamente povoadas e como levar os serviços para as áreas rurais e distantes dos grandes centros urbanos. Para atingir esses objetivos, destacou a neutralidade tecnológica e o acesso temporário a uma maior capacidade de espectro para as operadoras como as medidas mais importantes. Bem como o trabalho conjunto com o setor privado que lhes permite avançar conjuntamente no aumento da conectividade.

O encerramento ficou a cargo de uma entrevista entre Pataki e Qureshi, que mencionou uma série de conceitos relacionados à melhoria do acesso digital. Nesse sentido, ele apontou a necessidade de trabalhar em conjunto com o setor público para gerar as condições necessárias para aumentar a digitalização, destacando que o diálogo é necessário para resolver os problemas em conjunto. Ele destacou a importância de a regulamentação ser centrada nas pessoas ao desenvolver políticas inclusivas.

A pandemia mudou para sempre as condições de vida em todo o mundo, forçando muitos países a redirecionar suas políticas inclusivas. As medidas restritivas à mobilidade aumentaram o acesso à banda larga, como ferramenta de saúde, trabalho e educação, tornando-se uma ferramenta fundamental de inclusão. É possível que a luz no fim do túnel também passe pela digitalização.